Em Foco

Paz e reconciliação propiciam o desenvolvimento

Abibo Selemane e Idnórcio Muchanga e Fotos de Carlos Uqueio

O Presidente da República, Armando Guebuza, destacou ontem a importância da manutenção da paz e consolidação da reconciliação nacional para o desenvolvimento do país.

O Chefe de Estado falava na Praça da Paz, cidade de Maputo, no âmbito das celebrações do 22° aniversário da assinatura do Acordo Geral de Paz, em Roma, entre o Governo de Moçambique e a Renamo, o qual marcou o fim da guerra de desestabilização que durou 16 anos.

Armando Guebuza considerou que a paz que foi conquistada naquele ano foi resultado da vontade aglutinada de todos os moçambicanos. Segundo Guebuza, interpretando essa vontade colectiva, sempre se elegeu a estabilidade política do país ao longo destes últimos quase 10 anos que está à frente do destino de Moçambique, como um dos factores primordiais para viabilizar o processo da consolidação da consciência cívica, de maturação democrática e de melhoria constante da qualidade de vida do povo.

Com isso, o Governo está centrado em implementar um conjunto de políticas que favorecem a estabilidade macro-económica e o reforço das bases para um desenvolvimento económico impetuoso, robusto, sustentado e sustentável.

 “Graças à Paz, temos sido capazes de apostar no desenvolvimento de infra-estruturas sociais que se traduzem numa maior e crescente facilidade de acesso e de aproximação junto do nosso povo, dos bens e serviços, de sectores como saúde, educação, abastecimento de água e saneamento”, disse o Chefe do Estado.

Acrescentou que o Governo tem igualmente estado a investir nas infra-estruturas económicas e exercitar o espírito empreendedor dos moçambicanos, bem como a atrair investimento nacional e estrangeiro para diferentes sectores.

Num outro desenvolvimento, Armando Guebuza revelou que a grande responsabilidade que os governantes têm agora é de assegurar a implementação dos acordos, no seu espírito e letra, sem subterfúgios nem delongas.

– O nosso governo tem estado a fazer a sua parte nesse sentido, incutindo o valor da paz e da reconciliação nacional no seio do povo;  liderando e mobilizando mais vontades e actores para a reflexão sobre o estabelecimento, estruturação, funcionamento e financiamento de um Fundo para a Paz e Reconciliação Nacional, continuando com o diálogo com a Renamo e facilitando o trabalho dos observadores militares internacionais”, referiu Guebuza

Acrescentou que “informados pelo nosso compromisso com paz e a reconciliação nacional, temos estado a consolidar a unidade nacional, a aprimorar o estado de direito democrático; bem assim a cristalizar a democracia multipartidária e as instituições e práticas democráticas na nossa pátria amada”.

RELIGIOSOS CHAMADOS A

FAZER PARTE NA CONQUISTA DOS DESAFIOS

O Chefe Estado referiu que o Governo moçambicano vai continuar a contar com a participação das confissões religiosas na superação dos desafios do país, sobretudo relacionados com o processo do acordo de cessar-fogo e do fim das hostilidades.

Trata-se dum desafio que tem subjacente o processo de desmilitarização, desmobilização e reintegração das forças residuais da Renamo, por um lado, na vida civil, em actividades económicas e sociais, e, por outro lado, nas Forças Armadas de Defesa de Moçambique e na Polícia da República de Moçambique, para que aquele partido político se conforme com os ditames da Constituição da República.

“As confissões religiosas terão um papel fundamental para desarmar mentes e ressocializá-las para uma vida em sociedade e gerida no contexto de um estado de direito democrático. O segundo desafio tem a ver com a participação das confissões religiosas lado a lado com outros parceiros nacionais, bilaterais e multilaterais e internacionais, na reflexão, liderada pelo nosso governo, que tem em vista o estabelecimento de um Fundo da Paz e Reconciliação Nacional”, observou.

Salvaguarda da paz

não é tarefa de poucos

– Cacilda Massango da Comunidade Sant´Egídio

A representante da Comunidade Sant Egídio, em Moçambique, Cacilda Massango, referiu que a salvaguarda da paz não pode ser vista como uma tarefa de poucos, como os políticos ou pessoas ligadas ao poder.

Cacilda Massango falou assim quando se lembrou de que recentemente a paz em Moçambique estava em causa por causa dos conflitos que se vinham registando em alguns pontos do país, sobretudo da zona centro.

Disse que a guerra não é um meio satisfatório para reclamar das injustiças ou para alcançar resultados. “A guerra é um massacre inútil. Destrói tudo que as gerações anteriores construíram. Somos chamados a evocar um futuro de respeito mútuo. O diálogo e a colaboração poderão ajudar a banir o fantasma do conflito armado”, anotou.

“Tive vários encontros com Dlhakama”

– antigo Presidente da República, Joaquim Chissano

O antigo Presidente da República, Joaquim Chissano, afirmou que o Acordo Geral da Paz (AGP) foi assinado para ser comprido como estava estabelecido. Por isso, “durante o meu mandato encontrava-me de vez em quando com o líder do partido Renamo, Afonso Dlhakama, para limar ou debatermos alguns problemas que ele achava pertinentes para o povo”.

De acordo com ex-estadista moçambicano, os desafios a serem considerados sobre a paz já foram alcançados. “O diálogo é bastante importante para o bem-estar do país e qualquer dirigente, dependendo do seu escalão, tem de preservar a paz, porque o povo precisa dela e ninguém quer a guerra”, disse Chissano, acrescentado que as Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) estão para defender o país contra invasões externas.

“A paz é importante para Moçambique”

– Embaixador de Portugal em Moçambique, Mário Godinho de Matos

O embaixador de Portugal em Moçambique, Mário Godinho de Matos, disse que o dia da paz celebrado, ontem, em todo país, constitui um momento importante para os moçambicanos e para o Governo por ter conseguido, recentemente, assinar um memorando de entendimento com o partido Renamo sobre os princípios gerais para o fim das hostilidades militares que assolavam o país há mais de um ano.

Segundo Mário Godinho de Matos, a paz é fundamental, porque sem ela não há desenvolvimento socioeconómico. A paz tem de ser um elo entre irmãos, “pois não há nada que possa ser discutido no país sem respeitar a lei e Constituição em vigor, nisso utilizando instituições democraticamente eleitas para debater as diferenças de opinião”.

Estávamos receosos de celebrar a paz

– Sara Jafete, directora do Gabinete de Combate à Droga na cidade de Maputo.

Para Sara Jafete, a celebração dos vinte e dois anos da paz é bastante importante para o povo moçambicano, uma vez que já estávamos receosos de celebrá-la por causa da tensão política-militar que se vivia no país, concretamente na zona de Gorongosa.

Este ano é bastante especial, porque a celebração dos 22 anos da paz coincide com as eleições gerais marcados para 15 de Outubro e espera-se uma total passividade, harmonia e alegria entre irmãos”.

Segundo a directora do Gabinete de Combate à Droga na Cidade de Maputo, para a prevalência da paz em Moçambique é preciso que haja a unidade nacional entre o povo, porque “todos somos irmãos”.

É uma paz consolidada

por todos moçambicanos

Susana Laice, funcionária do Conselho Municipal da Cidade de Maputo

A paz é desarmar as nossas mentes, porque é uma paz consolidada por todos os moçambicanos. “A paz é muito importante e esta é uma planta que todos os moçambicanos têm de regar todos os dias. Mesmo com a tensão político-militar que se registava no país, foi possível verificarmos que o Governo moçambicano foi capaz de se sentar à mesa para as negociações da paz e o diálogo é importante para a consolidação dessa paz”.

Não há motivo para violência

-Cidália Chaúque, governadora da província de Nampula, por ocasião do dia da paz

André Matola                                                            

Centenas de populares ocorreram ontem à Praça do Heróis na cidade de Nampula para celebrar o 4 de Outubro num ambiente de verdadeira harmonia, tranquilidade e reconciliação.

A cerimónia, orientada pela governadora da província de Nampula, Cidália Chaúque, contou também com a presença de destacados membros do Governo, personalidades influentes da província, organizações religiosas, da sociedade civil e membros da associação de antigos combatentes que se vestiram a rigor para a efeméride.

Falando à comunicação social depois da deposição de uma coroa de flores no monumento dos heróis, Cidália Chaúque disse que o 4 de Outubro deste ano assinala-se num momento especial, porque coincide com a campanha eleitoral ora em curso rumo às eleições presidenciais, legislativas e províncias do próximo dia 15 do corrente mês.

“Façamos desta festa um momento de muita harmonia, porque, afinal de contas, este é um processo entre irmãos e a paz já vinga no país há 22 anos e pretendemo-la duradoura para que todos os moçambicanos possam produzir e continuar nesta luta contra a pobreza rumo a independência económica”, disse Chaúque.

Chaúque dirigiu também uma palavra de apreço às Forças Armadas de Moçambique (FADM) por continuarem a ser exemplares e âncora da defesa da soberania nacional.

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