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Nyusi presente nas festividades com uma mensagem de esperança

·Esta é a primeira deslocação ao estrangeiro do Chefe do Estado depois da sua tomada de posse em Janeiro passado

O Presidente da República, Filipe Jacinto Nyusi, participou este fim-de-semana nas festividades dos 25 anos da Independência Nacional da Namíbia e na investidura de Hage Geingob, como o terceiro Chefe do Estado deste país da região Austral de África. No seu desembarque em Windhoek, na primeira deslocação ao estrangeiro depois da tomada de posse, Nyusi disse que levava “uma mensagem de esperança e confiança no contínuo crescimento dos namibianos”.

Avisita do Presidente Nyusi à Namíbia teve a particularidade de ser a primeira que efetuou a este país na qualidade de Chefe de Estado, tendo sido marcada entre vários eventos, pela sua participação na investidura do novo Presidente namibiano, Hage Geingob.

Dirigindo-se à Imprensa momentos depois de desembarcar na Base Área de Windhoek, Namíbia, o Chefe de Estado disse que levava “uma mensagem de esperança e confiança no contínuo crescimento dos namibianos”.

“Viemos nos juntar aos namibianos nestes 25 anos da sua Independência. É um país amigo, irmão, viemos nos juntar a eles e neste caso a festa coincide com a tomada de posse do Presidente Hage. Fazemos parte da família da região que veio se juntar a outra família para celebrar as vitórias do povo da Namíbia”, disse Filipe Nyusi.

 Sublinhou que foi com grande satisfação que acompanhou o processo eleitoral que o caracterizou como tendo sido pacífico e ordeiro. “Viemos deixar uma mensagem de esperança ao povo namibiano para que confie no seu crescimento e que o processo democrático é uma realidade em África. Eles realizaram eleições de forma pacífica e ordeira”.

Acrescentou ainda que a sua deslocação a este país tinha em vista também solidarizar-se com os namibianos pela passagem do vigésimo quinto aniversário da independência.“ Portanto, solidarizar-se com o povo da Namíbia pelos seus 25 anos como um povo, uma Nação soberana. Deixar uma mensagem de que a vida tem que continuar para frente”.

Num outro momento, Filipe Nyusi afirmou que as relações com a Namíbia datam desde os primórdios da sua fundação e que à medida que o tempo passa se aprofundam cada vez mais. “ Tive a ocasião de estar neste país durante a pré- campanha eleitoral e encontrei-me com o Presidente Hage. Falamos das prioridades para a cooperação em diferentes áreas económicas, mas imprimindo uma maior velocidade”.    

Esta visita foi carregada de um enorme simbolismo, quer para os dirigentes e o povo namibiano quer para a delegação moçambicana. Apesar da sua agenda apertada, Nyusi teve espaço para participar num banquete de despedida oferecido pelo Presidente cessante, Hifikepunye Pohamba.

Durante o banquete foram enaltecidas as relações de amizade e cooperação existentes entre os dois países que culminaram em 2009, com assinatura do acordo de supressão de vistos, à luz da livre circulação de pessoas e bens na região da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).

Ainda sobre a cooperação, foi expressa a vontade de os dois países incrementarem as trocas comerciais e a diplomacia política, até porque Nyusi visitou este país durante a pré-campanha, onde vincou que foi aprender tudo sobre como ser Presidente.

Sendo a Namíbia um potencial explorador de recursos minerais, com destaque para minérios como urânio, diamante entre outros, o nosso governo manifestou o desejo de trocar experiências para exploração das minas de carvão, entre outros.

Um outro sector que se pretende que seja cada vez mais produtivo é o das pescas, onde os dois países têm rubricado um acordo que permite que os pescadores de ambos países pratiquem a actividade pesqueira nas águas de cada país. Isto é, os moçambicanos poderão ir pescar na Namíbia, sendo a inversa também válida.

A cerimónia de investidura do novo presidente namibiano foi antecedida pelas festividades das bodas de prata deste país, motivo suficiente para que a mesma decorresse com pompa e circunstâncias. O acto central das festividades das bodas de prata começou com orações religiosas feitas pelo clero daquele país.

Um dia antes da cerimónia da tomada de posse do novo Chefe do Estado, os namibianos organizaram um desfile por uma das principais estradas de Windhoek, a Avenida da Independência, com carros alegóricos, parada militar com participação de todos os ramos do exército e da população.   

Para permitir flexibilidade no acesso ao Estádio Nacional, local onde decorreram as cerimónias, as autoridades abriram as portas deste lugar por volta das 6 horas e nessa altura, dezenas de pessoas já aguardavam na entrada. No total, estimam que tenham assistido ao evento mais de mil pessoas, entre nacionais e estrangeiros.

Como é de praxe, a investidura iniciou com o discurso do Presidente cessante que momentos depois da sua intervenção procedeu-se à troca de cadeiras com o presidente empossado, depois de este ter prestado o seu juramento.

O estadista moçambicano que não quis perder este acto solene, chegou à Namíbia na última sexta-feira, dia 20, acompanhado da sua esposa, Isaura Ferrão Nyusi, do Ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Oldemiro Baloi, do Alto Comissariado para este país, Fernando Fazenda, entre outros quadros do seu gabinete.

Quanto aos outros dignatários estrangeiros, as autoridades namibianas estimam que tenha estado na cerimónia mais de 20 estadistas estrangeiros, com destaque para os da região Austral.

Dos vários estadistas, foi notório a presença de José Eduardo dos Santos, Presidente de Angola, do Rei Mswati III, do Reino da Swazilândia, de Teodoro Obiang, Presidente da Guiné-Equatorial, Robert Mugabe, do Zimbabwe, Jakaya Kikwete, da Tanzânia, Salva Kir, do Sudão do Sul, bem como dos antigos presidentes da Zâmbia e África do Sul, designadamente, Kenneth Kaunda e Thabo Mbeki.

 Para colorir a cerimónia foram exibidos vários momentos culturais retratando a cultura e os hábitos do povo da Namíbia, bem como um desfile das forças armadas namibianas, show aéreo e o tradicional disparo de vinte e uma salvas de canhão.

PRIORIDADE PARA HAGE É

A IRRADICAÇÃO DA POBREZA

Um dia antes da tomada de posse, o Presidente Hage anunciou o seu governo composto por vinte e oito membros do Conselho de Ministros, dos quais 11 são caras novas. Este executivo integra 25 ministérios, entre os quais dois na Presidência da República. O objetivo principal é a irradicação da pobreza.

Para Primeira-Ministra foi indicada, Sara Kuugongel Wamadhila, antiga ministra das Finanças. Dos novos ministérios criados há que salientar o da irradicação da pobreza e questões sociais que vai ser dirigido pelo Bispo Zephania Kammeeta, o das empresas públicas, Leon Jooste, cuja tarefa é revolucionar as empresas geridas pelo Estado.

Hage reorganizou o Governo, com alguns ministérios a serem baptizados com novos nomes. O Ministério da Indústria e Comércio passa a designar-se Ministério da Industrialização, Comércio e Desenvolvimento das Pequenas e Médias Empresas.

O Ministério da Educação foi redimensionado em dois, formando o da Educação, Arte e Cultura e do Ensino Superior, Formação e Inovação.  Também foi criado o Ministério de Desenvolvimento Urbano e Rural, cuja tarefa é criar novas habitações nas áreas urbanas e rurais, bem como fornecer serviços essenciais a nível local.

Com estas inovações, o Presidente Hage pretende reduzir as desigualdades e criar um crescimento económico sustentável e diversificado tendo em vista a melhoria da qualidade da vida da população.

Segundo defendeu, estas medidas visam responder às emendas constitucionais e à necessidade do alinhamento com os objetivos plasmados no seu manifesto eleitoral. Refira-se que ele tem como slogan: “Prosperidade”, enquanto os seus antecessores tiveram os slogans: “Estabilidade”, Hifikepunye Pohamba, e “Paz”, para o fundador da Namíbia, Sam Nujoma.       

BREVE HISTORIAL SOBRE AS ELEIÇÕES     

 As eleições namibianas realizaram-se no passado dia 28 de Novembro, tendo sido ganhas pelo candidato presidencial da Swapo, partido no poder, Hage Geingob, com 772 mil e 528 votos, correspondentes a 77,16 porcento. O segundo candidato mais votado foi Hedipo Hamutenya, antigo dirigente da Swapo, que reuniu 30 mil e 197 por cento dos votos.

O partido Swapo no poder deste 1990 venceu igualmente as legislativas com maioria esmagadora ao totalizar 391 mil e 656, correspondentes a 74,16 porcento dos votos, obtendo assim 77 deputados na Assembleia Nacional.Destes, 72 foram eleitos e cinco serão indicados pelo Presidente da Republica, mas sem direito a voto de acordo com a Constituição Namibiana.

Participaram nas eleições, 16 partidos concorrentes, dos quais apenas cinco conseguiram assentos no Parlamento, sendo que o Partido DTA terá cinco deputados, o RDP três, UDF dois e a NUNO igualmente dois assentos.

Esta foi a quinta vez que na história do país que se realizaram eleições que contaram com a supervisão dos observadores da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), da União Africana (UA) e da União Europeia,  e que foram consideradas justas, credíveis, transparentes e democráticas.

Na ocasião, os observadores manifestaram o seu profundo regozijo pela forma como as mesmas foram organizadas e sobretudo pelo alto grau de civismo demonstrado pelos eleitores. Ao contrário das eleições passadas, este escrutínio teve como inovação o voto eletrónico, um sistema utilizado pela primeira vez neste país e em África.

Apesar de ser um pouco moroso, já que antes de votar o eleitor tem de cumprir algumas formalidades, é vantajoso na contagem de votos, o que torna o processo mais célere em relação à contagem manual. Neste escrutínio, votaram cerca de um milhão e 500 eleitores registados, num universo de 2,1 milhões de habitantes, sendo que foram instaladas em todo o país 1.255 assembleias de voto, fiscalizadas por 13 mil supervisores, divididos em 2.050 grupos.

Domingos Nhaúle, em Windhoek, Namíbia

Fotos de Fernando Timana  e Acamo Maquinasse

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