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Nyusi defende aprovisionamento nas zonas de reassentamento

O Presidente da República (PR), Filipe jacinto Nyusi considera ser importante a conjugação de esforços e o aprovisionamento de recursos e infraestruturas sociais básicas nas zonas de reassentamento das populações afectadas pelas cheias.

O Chefe do Estado escalou sucessivamente as províncias da Zambézia, Nampula e Niassa onde foi ver “in loco” o grau das destruições e os esforços em curso para a reparação dos danos materiais bem como a assistência as vítimas.

Na ocasião, o PR sobrevoou toda a zona do baixo Licungo a partir do distrito da Maganja da Costa onde se inteirou do grau das destruições causadas nas três pontes que ligavam aquele distrito costeiro da Zambézia a partir da Estrada Nacional Número um (EN1).

É que esta região à semelhança de outras que se encontram nas margens dos rios Ligonha e Licungo foi a mais devastada e onde se verificaram danos incalculáveis com destaque para a perda de vidas humanas, destruição de infraestruturas tais como pontes e tores de transporte de energia eléctrica para a zona Norte.

Para o PR, mais do que reassentar os afectados, `e necessário garantir que nos novos bairros residenciais disponham de infraestruturas básicas, como por exemplo, escolas, hospitais, água, energia, entre outras para evitar que as populações percorram longas distâncias a procura destes serviços públicos.

Segundo afirmou, neste momento de dor e sofrimento pela destruição do tecido social e humano todo o tipo de apoio `e bem-vindo para a reconstrução dos danos causados ao mesmo tempo que apela a necessidade do aprovisionamento do material de construção para as pessoas erguerem as suas casas nas zonas de reassentamento.

Outro tipo de apoio que o PR considera ser urgente `e alocação de insumos agrícolas para permitir que as populações voltem a sua atividade normal que `e a produção de alimentos para evitar bolsas de fome.

Num breve contacto que manteve com as populações reassentadas no centro de acomodação transitório de Cajual, na vila municipal de Mocuba e nas cidades de Nampula, Nacala e Cuamba, o Presidente da República instou as mesmas a acatarem as orientações das autoridades locais no que diz respeito `a urbanização.

`E que segundo o PR, muitos dos problemas que se registam na época chuvosa são originados pela não observância dos planos de ordenamento territorial com consequências graves para as populações que perdem o que juntaram com muito sacrifício.

Ainda há muita coisa a fazer para repor os estragos causados pelas cheias e a vida normal aos afectados que neste momento vivem no sofrimento, pelo que o nosso apelo `e para que continuemos com a solidariedade nacional para que as vítimas consigam erguer rapidamente as suas habitações em zonas seguras”, disse Filipe Nyusi para quem a solidariedade sempre foi característica entre os moçambicanos.

Na ocasião, o estadista moçambicano louvou a disponibilidade da população em abandonar as zonas de risco, o que na sua óptica revela a consciência do perigo que isso representa quando chegar a época chuvosa.

"A população ensinou-nos que consegue reerguer-se rapidamente dos estragos com os seus próprios esforços, mas temos que trabalhar mais para que que ninguém viva no sofrimento porque o nosso objetivo `e a criação de melhores condições de vida para os moçambicanos, por isso, mais uma vez apelamos para que haja entrega de todos pela mesma causa que `e a normalização da vida dos afectados, disse sublinhando que a população já tem consciência de que `e preciso viver com os seus próprios esforços que devem ser complementados pelos apoios.

CONDICÕES SATISFATORIAS

NOS CENTROS DE ACOMODACÃO

Durante as visitas efetuadas aos centros de acomodação, o Chefe do Estado ficou impressionado com o facto de as autoridades locais terem se precavido no que diz respeito aos cuidados sanitários e saneamento do meio.

Isso aconteceu por exemplo, no centro de acomodação transitório de cajual em Mocuba, onde foram criadas mínimas condições de higiene e saneamento com a construção de latrinas bem como de um centro de saúde que em casos de urgência `e reforçado por uma ambulância móvel.

Mas a grande satisfação do PR foi quando ouviu de Bastos Sebastião, um jovem ali acomodado que disse de viva voz que não queria regressar as origens por ser uma zona propensa as inundações. Este aspecto para o Chefe do Estado revela a noção que as pessoas têm sobre o perigo de viver nas zonas de risco.Este sentimento foi igualmente vivido no bairro de Muhaivire expansão, na cidade de Nampula, onde igualmente os afectados manifestaram disponibilidade para serem transferidos para zonas mais seguras.

De referir que o centro de acomodação do cajual iniciou com mil e setenta e oito pessoas acomodadas, tendo sido reassentadas quinhentos e dezoito e até a última quinta feira aguardavam pelo reassentamento quinhentas e sessenta pessoas.

Ponte sobre o Licungo vai beneficiar

de reabilitação de emergência

A sua chegada ao distrito de Mocuba, o PR fez questão de percorrer os cerca de 340 metros da Ponte sobre o Rio Licungo, na Estrada Nacional numero 1, a qual havia sido danificada pela fúria das águas, cortando a ligação entre o Centro e o Norte do país.

Filipe Nyusi procurou inteirar-se das intervenções feitas para repor a circulação rodoviária, tendo ficado impressionado com a forma como decorreram os trabalhos. Para ele, o passo a seguir `e tornar a circulação mais segura através da reparação do encontro Norte e a colocação do asfalto no encontro Sul.

Nesse contexto, o delegado da Administração de Estrada na Zambézia, explicou que os estudos feitos garantem segurança na circulação através do desvio feito enquanto se aguarda por uma reabilitação de emergência.

A intervenção, segundo o delegado da ANE, consistirá na colocação de uma ponte metálica no encontro Norte que poderá permitir o escoamento rápido da água na época chuvosa, enquanto no Sul vai ser a colocação de base em asfalto.

Na zona de Namilate, onde neste momento a circulação `e feita a partir de um desvio de cerca de 500 metros, será colocada uma ponte metálica `a semelhança do que aconteceu em Mutuasse a cerca de 30 quilómetros do distrito de Alto Molocué.

Em seguida, Filipe Nyusi dirigiu-se ao centro de captação de água que igualmente havia sido danificado e aqui foi inteirar-se da magnitude dos estragos e os esforços havidos para repor o sistema a breve trecho.

Ainda na cidade de Mocuba, o PR orientou uma reunião extraordinária do governo provincial onde ficou a saber da magnitude dos estragos ao que vincou a necessidade da união dos esforços na reconstrução da vida das pessoas.

Neste encontro, o governador da Zambézia disse que as cheias nesta província causaram a morte de 137 pessoas, 64 desaparecidas e mais de 150 feridos num universo de mais de cem mil afectados.

Segundo Abdul Razak os distritos mais afectados são os de Mocuba, Maganja da Costa, Chinde, Morrumbala, Mopeia,Namarroi, Molumbo e Lugela, onde as pessoas ainda precisam de ajuda humanitária.

Acrescentou que em face destas cheias, foram criados 45 centros de acomodação provisória onde estiveram acomodadas cerca de 44 mil pessoas. Criados 62 bairros dos quais 38 são novos e os restantes vem das cheias dos últimos anos.

IMPORTANTE UNIÃO DOS ESFORÇOS

No segundo dia das suas visitas, Filipe Nyusi trabalhou nas cidades de Nampula e Nacala Porto onde igualmente foi ver “in loco” os estragos e uma vez mais pediu a intervenção de toda sociedade na mitigação do sofrimento dos afectados.

Metódico nas suas visitas, o PR dirigiu-se imediatamente aos bairros afectados logo após ao seu desembarque no Aeroporto Internacional de Nacala o que deixou impressionado a população que o acompanhou até o bairro Matola, o primeiro visitado.

Neste bairro, o estadista moçambicano confortou com palavras de amor e carinho as famílias das cinco vítimas mortais do desabamento do muro de vedação de um armazém, tendo apelado ao trabalho árduo para a reconstrução da vida das famílias afectadas.

Em seguida, Filipe Nyusi dirigiu-se ao bairro triângulo onde ficou a saber que a água vinda da zona alta danificou mais de 500 casas afectando 900 pessoas que tem tido assistência do empresariado local para a reconstrução das suas residências.

De referir que em Nacala, as enxurradas mataram ainda 4 pessoas, sendo duas devido a descargas e igual número pelo arrastamento da fúria das águas, para não falar de enormes prejuízos monetários agravadas pelo corte de energia a partir de Mocuba.

Domingos Nhaule

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