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NO HOSPITAL GERAL JOSÉ MACAMO: Pacientes forçados a comprar material para pessoal da Saúde

Por Luísa Jorge

Mulheres grávidas que recorrem à maternidade do Hospital Geral José Macamo para dar à luz são forçadas a adquirir material cirúrgico e medicamentos. A solicitação vai desde insumos hospitalares à medicamentos de primeira necessidade. Entre os materiais solicitados, encontram-se luvas, “gazes” (ligadura) para absorver sangue e medicamentos como diclofenac e metoclopramida para a prevenção de vómitos e paracetamol injectável.

Uma das parturientes que aceitou interagir com domingo, na condição de anonimato, confirmou que, no seu caso, por se tratar de uma cesariana, lhe foi solicitada grande parte dos medicamentos. “Comprei gaze e comprimidos recomendados para o pós- -parto, para poder aliviar as dores da cirurgia. Tive de comprar, pois aqui dizem não haver material e não queria correr o risco de a cirurgia não ser segura”, afirmou.

A situação naquela unidade sanitária é crítica a tal ponto de a exigência da compra de luvas se estender a quase todas as mulheres grávidas. Cabe a cada uma adquirir 10 pares de luvas para auxiliar o serviço de parto. “Quando cheguei, informaram-me que devia comprar esta quantidade, mas sequer usei-as e foram levadas”, ajuntou. No caso das luvas, o apelo já é de domínio público.

Na entrada de uma das salas daquela enfermaria, pode se ler um aviso colado à mesa da recepção com os seguinte teor: “Temos poucas luvas. Traga 10 pares de luvas cirúrgicas ou uma caixa de luvas de exame”.

De acordo com os utentes daquela unidade sanitária, a crise não envolve apenas a carência de insumos hospitalares, como também a falta de água que tem condicionado a higienização e limpeza das enfermarias. Tem sido visível pensos, embalagens de injecções, assim como sangue no soalho dos quartos de forma recorrente, facto que coloca em risco a saúde e segurança das parturientes e recém-nascidos. Entretanto, o cenário não fica por aqui.

Os pacientes têm sido obrigados a deslocarem-se de uma ala para a outra, com vista a fazer a sua higiene pessoal. Para a direcção daquela unidade sanitária, a exigência feita aos utentes dos serviços de saúde está associada à insuficiência do material que chega ao hospital devido à elevada demanda que se tem registado.

“Não temos luvas e alguns antibióticos, por isso pedimos que comprem, pois o que chega não é suficiente. Por exemplo, ontem recebemos 1500 pares de luvas e essa quantidade serve apenas para três dias. Esta é a nossa guerra diária. Não temos alternativa, senão pedir que comparticipem”, reconhece Luís Teófilo Walle, director clínico do Hospital Geral José Macamo.


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