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Muira baixa e vida volta à normalidade

O caudal do rio Muira, curso que havia isolado, há três semanas, o distrito de Tambara, a norte da província de Manica do resto do país está a baixar gradualmente. 

Até à última quinta-feira, os níveis de água situavam-se em cerca de meio metro de altura contra 1,5 metros registados anteriormente.

A vida das populações está a voltar à normalidade, apesar de o trânsito para as duas margens do rio estar a ser feito com alguma deficiente. Esta informação foi dada a conhecer pelo secretário permanente provincial de Manica, António Mapure, numa conferência de Imprensa, organizada por ocasião da realização da II sessão ordinária do governo local.

Mapure referiu que apesar da redução das águas do rio Muira, ainda não estão criadas condições para a passagem de viaturas. As pessoas atravessam o rio e encontram viaturas posicionadas nas duas margens, uma medida adoptada pelo governo com o objectivo de minimizar o sofrimento das populações.

Entretanto, Mapure assegurou que enquanto as chuvas não voltarem a cair naquela parcela do país, a situação em toda província pode ser considerada calma e sublinhou não haver pessoas reassentadas devido às enxurradas em todos os distritos.

A transitabilidade, nas cinco vias de acesso que há dias se encontravam interrompidas já foi restabelecida, mercê dos esforços levados a cabo pelos técnicos da Administração Nacional de Estradas (ANE). Com efeito, foi restabelecida a comunicação terrestre entre os distritos de Mossurize e Machaze, que havia sido interrompida na sequência do aumento do caudal do rio Mossurize. No distrito de Guro, decorrem trabalhos de reposição do betão da ponte que havia desabado.

Esta infra-estrutura que foi afectada pelas águas, possibilita a comunicação rodoviária com os povoados de Mandie e Tanda, zonas potencialmente agrícolas. Os troços Nhacatale-Mandie, Mungari-Tambara e Tanda-Bunga,  que viram as pontes desabar, estão comunicáveis.   

Os técnicos da Administração Nacional de Estradas (ANE) estão noite e dia no terreno a trabalhar para repor o trânsito e concluir outros detalhes. Nesta via, as viaturas de pequeno porte já podem circular, apesar de as obras estarem ainda em curso.

Sobre as residências destruídas pelas chuvas principalmente na cidade de Chimoio, a nossa fonte disse que decorre o processo de reconstrução dessas infra-estruturas. Com apoio do governo, as comunidades estão empenhadas na melhoria das condições de vida, erguendo casas consistentes para evitar que situações de género voltem a acontecer nas próximas enxurradas. Dezenas de metros de plásticos, estacas, bambus, tendas e produtos alimentares foram entregues às famílias mais afectadas pelas intempéries.   

Na cidade de Chimoio, cerca de mil e 460 casas de construção precária foram destruídas parcialmente, 510, totalmente, e 14 casas de cultos desabaram. As estradas ficaram danificadas.

Segundo António Mapure, o distrito de Tambara é um dos que foi seriamente fustigado pelas chuvas. Devido à sua localização geografia é vulnerável às calamidades, uma vez que é banhado pelo rio Zambeze, a norte, e pelo Muira, a sul.

As descargas feitas na barragem de Cahora Bassa têm contribuído de certa forma para o aumento do caudal do Zambeze que consigo arrasta culturas agrícolas e infra-estruturas erguidas nas margens daquele rio.

Neste contexto, milhares de culturas foram arrasadas pelas águas. Esta situação também se registou ao longo do rio Muira e Luenha, no distrito de Guro. A perda de culturas aconteceu igualmente nos distritos de Machaze e Macossa. Nos quatro distritos, as chuvas destruíram dois mil e 200 hectares de culturas, afectando mil e 600 famílias camponesas, que tinham a agricultura como base para sobrevivência. 

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