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Jovens devem afirmar-se africanos

Os jovens africanos precisam de se afirmar como filhos deste continente de forma a encontrarem soluções para problemas, tais como guerras étnicas, luta pelo poder, que ano após ano vem colocando muitos países na miséria, dependência

em relação à Europa, mesmo com recursos abundantes nas suas terras, entre outros.

 

Estas foram as ideias, dentre várias, apresentadas pelos jovens durante a reunião havida na semana passada em Maputo, que teve maior enfoque na discussão sobre a democracia e boa governação no continente.

Os jovens africanos estavam reunidos na cidade de Maputo, num encontro promovido pelo Parlamento Juvenil Moçambicano, o qual juntou representantes de 34 países que sentiram-se satisfeitos pelo facto de durante os quatro dias terem discutido e traçado estratégias para acabar com situações que estão a minar o desenvolvimento socioeconómico e político de cada país do continente onde estão inseridos.

Para os jovens, estes problemas propiciam que em vários países ainda falte a boa governação e democracia.

Entretanto, os delegados participantes ao encontro foram unânimes ao afirmar que, nas comunidades africanas, assiste-se à falta de oportunidade para os jovens expressarem os seus sentimentos, para além de existirem grupos de jovens que são corrompidos, o que dificulta as acções dos outros na identificação das linhas que visam melhorar as suas vidas, assim como das comunidades.

“Temos que seguir os exemplos dos líderes que, unidos, conseguiram derrubar o colonialismo. Assim sendo, hoje temos outros adversários que já precisam de nós. Não podemos ficar indiferentes aos problemas do nosso continente”, disse um dos jovens angolanos que falou para domingo.

Para inverter este cenário, afirmaram que é necessário que estejam formados, pois, como disseram, só desta forma é que poderão ter capacidade de lutar para a conquista dos seus direitos, assim como para o fim dos conflitos que vêm sendo registados nas várias regiões do continente.

Quitéria Guirrencane, jovem moçambicana, porta-voz do evento, considera que a governação no continente não é das melhores, alegadamente porque ainda se assiste à existência de líderes que não querem que os destinos do país sejam levados a cabo por um outros elementos.

‘Durante os dias em que ficamos reunidos acompanhamos histórias tristes, pelo que temos de mudar a mentalidade das pessoas. Para isso, precisamos de uma melhor educação, de forma a libertarmos o continente africano da situação em que se encontra, disse Guirrencane para depois acrescentar:

“Temos já a carta que saiu da reunião, achamos que é necessário entregar aos governos de cada país participante ao encontro, pois só assim é que poderão conhecer o nosso desejo de mudar a situação do nosso continente”,

Continuando, referiu que para a concretização destas medidas é preciso que os jovens sejam activos, vigilantes e participem na tomada de decisões, pois não basta ter os documentos em mão, é preciso pôr em prática o que vem lá inserido.

Por seu turno, Bernardo Gonçalves, da delegação de Cabo Verde, disse que é preciso que os jovens sejam formados para poderem sair da ilusão em a maioria está mergulhada.

‘Temos que ser capazes de avaliar o que está a acontecer no nosso meio e depois saber discutir para o seu sucesso. Claro, que isso só será possível com o envolvimento dos jovens e abertura das autoridades governativas’, disse.

Para o nosso entrevistado os jovens africanos não devem continuar longe da sua realidade. Em muitos países do continente os valores da democracia e da boa governação não são postos em prática.

Por sua vez, Adão Ramos, da Delegação de Angola, olhando para a realidade do seu país referiu que os seus jovens ainda precisam de liberdade, democracia verdadeira, diferente daquela que é vivida actualmente, onde caso queiram se pronunciar sobre um assunto estão sujeitos, de entre várias medidas, à detenção.

domingosoube do Adão Ramos que os jovens daquele país já marcharam, só este ano, três vezes reivindicando os seus direitos, e prometeu que no próximo dia 22 do mês corrente poderá haver outra marcha, desta vez exigindo o pronunciamento do governo sobre o desaparecimento de dois jovens detidos pela polícia quando marchavam numa outra ocasião.  

‘O que temos verificado é que muitos jovens são instrumentalizados, através de promessas políticas e acabam se distanciando dos objectivos de outros grupos. E estes saem para falar coisas bonitas, que nem existem… se queremos que nos nossos países haja efectivamente uma democracia e boa governação é preciso que haja mudança de mentalidade a partir do próprio jovem’, disse Adão Ramos.

Entretanto os antigos presidentes de Moçambique e de Cabo Verde, Joaquim Chissano e Pedro Pires, respectivamente, convidados para falar da democracia e boa governação no encontro referiram que a boa governação não pode ser possível senão se construir um Estado de direito, de facto, e que isso permita que haja participação popular no processo de tomada de decisão.

Falando para os jovens, Chissano fez-lhes entender que devem saber qual é sua responsabilidade e igualmente devem mudar a sua mentalidade por meio do diálogo.

Para Chissano a juventude para além de ser actor ou sujeito activo deve utilizar a sua capacidade para fazer as coisas. ‘É preciso ter sempre clareza em relação àquilo que queremos fazer, porque só a partir daí estaremos preparados para avançar. Não devemos responsabilizar, apenas, as lideranças pelos nossos problemas’.

Por sua vez, Pedro Pires falando sobre a democracia, referiu que ela é sempre um processo e como tal é melhor falar de democratização em África.

Para Pires a democracia não pode cingir-se apenas às regras, é preciso que ela se preocupe pelas pessoas. “Democracia deve significar redução das desigualdades. Democracia é criação de oportunidades e de igualdade. Democracia é solidariedade”, considerou.

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