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Estrada Cuamba-Lichinga é irreversível- afirma Presidente da República

O Presidente da República, Filipe Jacinto Nyusi, garantiu em Lichinga a conclusão, ainda no decurso do presente quinquénio, da asfaltagem da estrada Cuamba-Lichinga, num troço de 300 quilómetros. Explicou que as obras foram repartidas em três troços, designadamente Cuamba/Muita, Muita/Massangulo e Massangulo/Lichinha, estando assegurado financiamento para o primeiro troço.

Para o Chefe do Estado, é importante tirar da mentalidade dos moçambicanos a expressão “e Niassa?”. Ou seja: aquela província, a maior do país, não deve ser esquecida em termos de desenvolvimento e construção de infra-estruturas sociais.

Falando em Conferência de Imprensa, que marcou o fim da visita efectuada àquela província, Filipe Nyusi garantiu a construção, ainda no decurso do presente quinquénio, das obras da estrada Cuamba-Lichinga.

Trata-se de uma infra-estrutura que vem sendo projectada há anos, contudo sem trabalho visível no terreno, o que deixa agastada a população de Niassa.

“O processo da estrada é irreversível, o que significa que deve ser feita. Nós decidimos fazê-la em três troços, designadamente, Cuamba/Muita, Muita/Massangulo e Massangulo/Lichinga”, explicou o Presidente da República.

Sublinhou que já existe financiamento para o primeiro troço, estando em curso acções que visam a selecção do empreiteiro. Em relação aos dois últimos troços, o estadista disse que decorrem estudos e estão em marcha procedimentos para angariação de financiamento.

“Tudo indica que vamos conseguir financiamento, pelo que até ao final do mandato a estrada vai ser feita”, disse Filipe Nyusi, quando instado pelo domingo a explicar o que existe de concreto em relação à construção daquela estrada, vista como espinha dorsal para economia de Niassa.

O Presidente da República esclareceu ainda que outras estradas serão concluídas em breve, citando exemplos dos troços Malema/Cuamba e Ruace/Montepuez, esta última que vai ligar Niassa a Cabo Delgado.

Ainda no concernente às infra-estruturas para Niassa, o Presidente da República destacou as obras da reabilitação da linha férrea Cuamba/Lichinga, cujos trabalhos decorrem a bom ritmo. Até este momento já foram reconstruídos cerca de 150 quilómetros de linha.

Questionado sobre a qualidade das mesmas, o Chefe do Estado afirmou que ainda é cedo para se tirar conclusões. “A linha férrea está a acontecer e há uma certa vantagem para não reclamarmos a qualidade, porque quem está a reparar é o próprio concessionário. Portanto, não é o Estado, pelo que interessa ao concessionário ter uma obra de qualidade”.

Nyusi disse ainda que o orçamento foi feito para o aproveitamento de alguns carris que são de 40 quilos, colocação de travessas metálicas na zona de Mepica até Intepela. “Visitámos as obras e não sentimos muito a questão de qualidade. É cedo para questionar, porque o trabalho ainda não terminou”, explicou.

NIASSA TEM QUE DESENVOLVER

A par da edificação de infra-estruturas a todos os níveis, a província de Niassa tem todas as condições agro-ecológicas para se desenvolver, possuindo, também, recursos marinhos e florestais.

Nesse contexto, o Presidente da República procedeu à inauguração de algumas infra-estruturas, como por exemplo, a nova residência para o administrador do distrito de Mavago, bem como uma central de energia para este distrito.

Em Metangula, sede distrital do Lago, com uma população de 111 mil habitantes, o Chefe do Estado procedeu à inauguração de uma embarcação para patrulha e garantia da segurança aos passageiros transportados no barco que liga aquele distrito a vários destinos, entre eles, os postos administrativos de Meponda e Cóbué e as fronteiras com a Tanzânia e o Malawi.

Entretanto, nesta região há que assinalar o facto de a população mostrar resistência aos hábitos locais no que diz respeito ao uso e aproveitamento da água para vários fins. É que mesmo com água a jorrar nas torneiras, gente há que prefere beber, lavar a loiça, roupa e tomar banho nas águas do lago.

Depois de Metangula, Nyusi trabalhou na capital provincial, Lichinga, e para além de orientar um comício popular, visitou o Complexo Agro-industrial de Matama, com uma área de três mil oitocentos hectares, estando presentemente em exploração mil e oitocentos, para produção de feijão, soja e milho.

Para o Chefe de Estado, o projecto Matama é aliciante, convidativo, e devia ser replicado noutras regiões do país.

O INIMIGO DOS

MOÇAMBICANOS É A POBREZA

Durante os comícios orientados em todos os distritos, o Chefe de Estado apelou à população para não se distrair da agenda nacional que é a criação do bem-estar para todos.

“Nós vamos continuar a trabalhar tranquilamente. O que temos estado a apelar é que os moçambicanos não devem se distrair da agenda principal que é o combate à pobreza. Portanto, não podemos embarcar nas agendas externas estranhas”,disse. 

Acrescentou que a mensagem principal que levava para Niassa era o compromisso com a paz, unidade nacional e o progresso de todos, “pelo que evocamos o nosso desejo de combater o único inimigo dos moçambicanos que é a pobreza. Eliminando este mal, vamos ter condições para uma saúde, habitação, energia, água de qualidade, mas antes de tudo, temos que produzir comida diversificada”, apelou.

O Presidente da República convidou a todas as forças vivas da sociedade a se empenharem na construção de um Moçambique uno e indivisível.

Austeridade nas visitas presidenciais

Durante a deslocação às províncias, o Chefe do Estado tem estado a imprimir uma nova dinâmica. Sempre que possível, as deslocações aos distritos são por via terrestre e com uma delegação menos numerosa.

A esse propósito, os jornalistas questionaram se este procedimento não estava associado ao facto de os cofres do Estado estarem vazios, ao que Filipe Nyusi respondeu nos seguintes termos: “Nós decidimos usar todos os meios possíveis e gostaríamos que não se entendesse como um esforço para provar que poupamos mais”.

Explicou que haverá momentos para uso de meios adicionais sobretudo para escalar distritos cujas distâncias são maiores.“O nosso objectivo é estarmos muito próximo da população”, enfatizou estadista, sublinhando que, sempre que for possível, as viagens serão por via terrestre para ver “in loco” as dificuldades da população e o pulsar do desenvolvimento.

O Chefe de Estado admitiu que as viagens terrestres visam também incutir a poupança nas lideranças locais. “O que queremos é trazer uma mensagem de poupança, a nosso nível. Nós fazemos contas de quanto custa viajar de avião ou de carro para termos a noção dos gastos e temos dito a alguns dirigentes para viajar por grupos e não individualmente. A cultura de poupar tem que existir a todos os níveis”, apontou.

A simplicidade do Presidente da República não se circunscreve ao viajar de carro ou de avião comercial. Outro pormenor que chamou atenção foi o facto de ter arrancado o guarda-chuva ao seu ajudante de campo para ele próprio se proteger da chuva.

Domingos Nhaúle

Nhaule2009@gmail.com
Fotos de Sérgio Costa

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