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É preciso ultrapassar o ambiente de desconfiança

Os observadores nacionais avançaram, segunda-feira última, com três propostas visando pôr termo à tensão político-militar que se vive no centro do país, nomeadamente: cessar-fogo imediato; encontro ao mais alto nível entre Guebuza e Dhlakama e a adopção de uma linguagem de reconciliação, incluive por parte dos órgãos de comunicação social.

Dom Dinis Sengulane, Arcebispo aposentado da Diocese dos Libombos, um dos observadores do diálogo entre o Governo e a Renamo, apontou a incredulidade como o principal entrave para o alcance de consensos e entendimentos entre as partes. Segundo a fonte, não existe confiança de ambos os lados.

Para tentar desanuviar o ambiente tenso que se viveu na última ronda do diálogo, os observadores avançaram com três propostas que devem ser imediatamente analisadas e respondidas, caso as partes concordem.

Primeiro, o cessar-fogo imediato; urgência na marcação de um encontro ao mais alto nível, Armando Guebuza e Afonso Dhlakama independentemente do estágio das negociações e, por fim, um compromisso de todos envolvidos, incluindo dos observadores e da media no sentido de pautar por uma linguagem de reconciliação nacional.

O referido cessar-fogo seria anunciado por quem de direito de ambas as partes, porque segundo diz Sengulane os tiros troam dos dois lados e todos alegando auto-defesa.

Tudo acontece numa altura em que se está a analisar os mecanismos de participação dos observadores internacionais no diálogo.

”Temos verificado, sobretudo, por parte da media que alguns têm pautado pela linguagem incendiária facto que não ajuda na aproximação das partes no diálogo”, apelou Sengulane.

A fonte acredita que o diálogo num ambiente de paz pode progredir, porque as partes podem estudar os assuntos de forma fria e sem pressão.

O Arcebispo aposentado reconhece que o executivo já cedeu muito, porém refere que para aquele que está do lado do povo o ceder muito pode ser pouco, particularmente quando o povo continua a sofrer.

“Não vejo problemas em o Governo ceder mais, para que o povo esteja bem e em paz, porque depois de 21 anos num ambiente de concórdia voltamos a viver uma situação de guerra, isso é difícil”, lamentou Dom Dinis Sengulane.

FUNDAMENTAR O TERMO ‘COBARDES’

Dom Dinis Sengulane desafia Dhlakama a fundamentar a expressão ‘religiosos cobardes’, porque “quando alguém atribui um determinado adjectivo a outrem é de bom-tom que justifique as razões”.

Sengulane entende que os religiosos não estão para discutir os nomes que lhe são atribuídos seja por quem for, mas defendem que, quando feito, “seria bom que fosse fundamentado para que se possa corrigir o que estiver errado”.

Jaime Cumbana

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