Editorial

Venceu o povo

Quarta-feira última, dia 15 de Outubro, foi um dia muito importante para o país. É que o povo foi votar para eleger o novo Presidente da República, os deputados da Assembleia da República e os membros das assembleias provinciais. Foram as quintas eleições presidenciais e legislativas e as segundas provinciais. E o povo votou da melhor maneira. Afluiu às urnas de forma exemplar, ordeira e com grande civismo e votou. Alguns dados já publicados (ainda não definitivos sobre a votação) apontam que cerca de metade dos mais de dez milhões de eleitores inscritos terão ido votar.

Venceu o povo pela sua afluência para dar indicações claras e precisas sobre como quer ser dirigido nos próximos anos e que rumo o país deve tomar. Venceu o povo por ter escolhido quem ficará no leme do país neste período. Venceu o povo porque deu indicações precisas sobre o que quer que se faça para Moçambique ser um país melhor, onde se pode viver bem, com níveis altos de desenvolvimento, onde ninguém pode morrer de fome por lhe faltar pão em casa. Pelo contrário, deve ser um país, onde todos devem ter comida, comida produzida pelas nossas próprias mãos neste vasto país com terras férteis para a agricultura. Basta saber como e onde produzir melhor e com altos níveis de produtividade.

Os resultados destas eleições, ainda provisórios, e que estão caindo todos os dias a conta gota, traduzem as mensagens do que o povo quer deste país. Através do seu voto, o povo falou e mandou mensagens claras aos políticos deste país. A todos eles. A todos os que na campanha lhe passaram os seus discursos e que ele agora retorna na forma de resultados eleitorais.

Alguns políticos ainda pensam que o povo é parvo. Basta-lhe passar uma meia dúzia de promessas mal elaboradas que ele digere logo e como um autómato faz-lhes as vontades. Estes resultados mostram claramente que o povo não é nada disso. Pensa, analisa, reanalisa e decide com grande consciência patriótica, porque sabe o que quer e sabe que país quer ter. Estes resultados mostram isso mesmo, que o povo sabe o que quer.

Quem andou durante toda a campanha a apresentar-se como santo e a diabolizar os outros, o povo deu o seu quinhão! Quem andou por aí com promessas vazias de conteúdo, com mensagens populistas, embriagado pela multidão, também tem o seu quinhão. Quem andou com discurso sereno, construído com base na realidade do país, do que se pode fazer a curto, a médio e a longo prazo, do que é possível resolver imediatamente e do que tem que aguardar por melhores dias, também levou seu quinhão. Cada um levou o quinhão da sua medida.

O povo passou uma mensagem de que a paz deve ser preservada sempre, uma mensagem de que deve haver diálogo permanente e tolerância política no país, menos arrogância e muita harmonia e entendimento entre todos os actores políticos.

Ao afluir da forma como o fez, deu uma mensagem de que “nós é que decidimos sobre os destinos do país e ninguém fala por nós, porque nós próprios sabemos falar”.

 É claro que algumas destas mensagens dadas pelo povo são como que um murro no estômago dos políticos que esperavam outros resultados, muitas vezes a contramão daquilo que andaram a fazer durante todo o período da chamada “caça ao voto”.

Alguns andaram mais ou menos distraídos, embalados pelas multidões que os cercavam e na correnteza da inércia, a cavalo, em ideias feitas, acreditando, facilmente, naquilo em que desejavam acreditar, cultivando “o não te rales que tudo vai bem”.

Para esses, que leram mal os sinais que lhes eram enviados, está-lhes acontecer, o inacreditável. Mas o inacreditável tem as suas causas, já que nada acontece sem razão suficiente para acontecer. Por isso, vem à rua com a velha ladainha da fraude. Alguns destes sempre que participaram nas eleições “cantaram”, no fim, a mesma música da fraude, o que se torna vergonhoso agora, quando em coro, todos os observadores, tanto nacionais como estrangeiros, cada um à sua voz, reconhecem que as eleições decorreram, no geral, de forma calma, ordeira e pacífica.

 

O facto é que a maioria da população eleitoral foi votar. Quis ir e foi votar em quem quis. É claro que querer implica, igualmente, uma opção, uma escolha dentre as muitas propostas que nos são oferecidas em concorrência umas com as outras. Acaba por vingar nessa concorrência aquela proposta que tiver para nós uma maior carga mobilizadora.

Os que vêm agora com a mesma ladainha da fraude esquecem-se que não se tem apresentado com um projecto mobilizador. Digamos, mesmo, que ninguém conhece o seu projecto, se é que o tem. O projecto cifra-se na confiança que se deposita no líder (do tipo, acreditem em mim que vos vou dar emprego, acabar com a corrupção, investir no país, pagar salários altos, criar um Estado de Direito, etc ).

 Não diz como, diz que acreditemos nele. Ali, quem conta é o líder, os outros mal se sabe quem são, que se evidenciou não à custa de um trabalho programado para o progresso do país, mas, sobretudo, de um aventureiro romântico, caceteiro, que se evidenciou numa guerra cruel e criou uma tensão política-militar desnecessária, cujo espectro manobra quando lhe convém, com tiradas demagógicas sem base de sustentação, prometendo este mundo e o outro, não se apercebendo de que quem o ouve e tem umas réstias de consciência e saber, percebe ele não  ser capaz de fazer aquilo que promete. Mente sem escrúpulos, esquecendo-se que entre as pessoas que o ouvem há muita gente dotada de inteligência e saber e que, por isso mesmo, não se quer confiar nas mãos de tal dirigente.

Isto é, por muitos erros que a Frelimo tenha cometido, a Renamo não aparece como alternativa credível, ousando-nos dizer que o maior aliado da maçaroca, é precisamente a perdiz que mais não faz que esvoaçar e fazer barulho sem rumo definido, nem caminhos claros. A responsabilidade de tudo isto, reside em Afonso Dhlakama, um ditador à antiga, demasiado contente consigo mesmo, sem qualquer possibilidade de se enxergar, de fazer autocrítica, já que está convencido de que é uma personalidade carismática. Não existe nele nem ciência, nem sapiência, nem experiência. Existe, apenas, ambição desmedida de chegar à Ponta Vermelha, depois se verá.

Quanto a Daviz Simango e seu “galo” que tinham conjecturado outros resultados, esqueceram que partilham o mesmo eleitorado com a Renamo e quando o pai apareceu, o filho desmoronou.

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