Editorial

Sinais visíveis de busca da paz

A Comissão mista de preparação do diálogo entre o Presidente Nyusi e o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, realizou esta semana a sua primeira sessão de trabalho. A mesma serviu para definir a metodologia de trabalho do grupo para os futuros encontros.

A delegação do Governo é composta por Jacinto Veloso, membro do Conselho Nacional de Defesa e Segurança, Maria Benvinda Levi, conselheira do Presidente da República, e Alves Meque, quadro da Presidência da República. Pelo lado da Renamo, estão José Manteigas, Eduardo Namburete e André Joaquim Magibire. Os três são deputados da Assembleia da República.

Este encontro fez emergir de novo sinais de esperança nos moçambicanos que almejam que a paz, a paz efectiva, a paz duradoira, regresse a este país. Que não mais se repitam as cenas de irmãos matando irmãos, irmãos mutilando outros irmãos e irmãos destruindo bens valiosos de outros irmãos que percorrem e atravessam as estradas nacionais numa missão de querer fazer o país andar, desenvolver-se, a caminho da prosperidade.

Esta primeira sessão fez emergir sinais de esperança, porque os moçambicanos sabem e bem, que o diálogo é a primeira via para resolver quaisquer diferendos que possam surgir em qualquer situação. A matança, a mutilação e a destruição de bens não são alternativa a nada. São apenas isso, por isso quem os promove, deve parar imediatamente de o fazer!

De facto, faz parte da essência de qualquer Estado de Direito Democrático, pluricultural e pluripartidário, que as organizações dialoguem umas com as outras e com os seus integrantes e sócios, sem recurso às armas, manejando apenas as palavras, pondo a funcionar as instituições em função das finalidades para que foram criadas.

Estes sinais de busca de paz já foram saudados dentro e fora do país por vários sectores. E não é para menos. Desde 1992, o país viveu quase duas décadas de paz efectiva e era visto como exemplo de resolução de conflitos por via pacífica no mundo inteiro. Moçambique podia orgulhar-se de haver sido fiel ao compromisso que assumiu em Roma: calar as armas para sempre, facto que ficava a dever-se à Frelimo e à Renamo, os dois negociadores, com Chissano e Dhlakama a apertarem-se as mãos e a abraçarem-se fraternamente.

No dia 4 de Outubro, durante essas duas décadas, comemorávamos o silenciar das armas e o triunfo do diálogo como metodologia de solução de conflitos.

Porque tínhamos a consciência clara de que toda a pessoa humana almeja a paz, nas suas várias vertentes e que a paz é também um factor fundamental de prosperidades das pessoas e dos países.

Paz é desenvolvimento, dizia o Papa Paulo VI, na sua famosa encíclica, “O Progresso dos Povos” ao afirmar que “desenvolvimento é o novo nome da paz”. Referia-se ao desenvolvimento da pessoa humana, que tem como base a implementação dos seus direitos fundamentais. Assim é que, nesta linha de considerações, a fome é contra a paz, o mesmo acontece com a doença. Por exemplo, quem luta contra a liberdade de informação e pensamento vai contra a paz, porque violenta os direitos fundamentais consagrados na nossa Constituição.

 Por isso, o povo está ansioso por ver resultados palpáveis e de forma célere nas sessões de trabalho que aí vêm. Com os dialogantes em abertura total, tendo como farol os altos interesses da Nação. O povo exalta o diálogo e é contra as armas. O povo indica que o diálogo para a paz é uma pedra angular da reconciliação que se impõe, a fim de que trilhemos, com segurança, os caminhos do desenvolvimento e trabalhemos afincadamente, em liberdade, para vencer a actual crise económica e conduzamos o nosso país para altos patamares de desenvolvimento.

Estamos expectantes que se avance rapidamente para os consensos necessários para a realização do encontro entre o Presidente Nyusi e o líder da Renamo, sem ter que esperarmos pela enésima ronda de diálogo como aconteceu no Centro de Conferência Joaquim Chissano.

Queremos voltar ao caminho da reconciliação, que estávamos trilhando, antes das balas substituírem as palavras. É que reconciliação não significa ausência de conflitos. Significa, isso sim, aprofundamento das nossas divergências, para serem resolvidas em clima de diálogo que rejeite todo e qualquer ambiente de belicismo armado.

O belicismo armado destrói a nossa Nação, ainda em construção, destrói a nossa democracia, também ainda em construção, e mata e mutila irmãos. Com a destruição dos seus bens nas longas estradas do país, coloca esses irmãos na mesma pobreza, que vêm lutando encarniçadamente para se livrarem dela.

 

 

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