Editorial

Obediência aos comandos constitucionais

Nação é uma comunidade estável, historicamente constituída por vontade própria de um agregado de indivíduos, com base num território, numa língua, e com aspirações materiais e comuns; pessoas que herdaram uma História, hábitos comuns, uma literatura, música e arte, gastronomia, um amplo substrato cultural comum. Mas há um elemento fundamental quando o assunto é Nação – a consciência generalizada da unidade nacional, a convicção entre o povo de que a nação existe. O Estado deve corresponder à vontade colectiva e organizar a nação de modo a que não haja exclusões, sejam elas culturais, religiosas, étnicas, sociais.

Estes valores e outros afins foram reafirmados pelo Chefe de Estado, Filipe Nyusi, na sua qualidade de Comandante em Chefe das Forças de Defesa e Segurança, na visita que efectuou ao Estado Maior General das Forças Armadas de Defesa de Moçambique. E o timing não podia ser o mais acertado; é que a questão da Unicidade do Estado está, ainda que de forma mais ou menos latente, a assombrar o espírito dos moçambicanos.

Todos nós temos uma ideia do papel das Forças de Defesa e Segurança e da sua importância na preservação da paz e tranquilidade. Que não haja ilusões; o clima de estabilidade e de segurança que o País vive, resulta da conjugação de esforços das Forças de Defesa e Segurança visando a consolidação da paz, unidade e reconciliação nacionais que cada vez mais se forja e consolida, não obstante, volta e meia, ouvirem-se vozes contra a dinâmica social e, mais grave ainda, atentatórias à Unidade Nacional. O discurso de Autonomia Provincial enquadra-se perfeitamente neste desiderato dos que atentam contra a unicidade da nação moçambicana.

Da visita do Comandante em Chefe das Forças de Defesa e Segurança várias ilações podem ser assumidas, sendo a mais importante de todas a reafirmação da Unidade territorial, da fidelidade das FADM ao respectivo chefe e ao respeito pelo que está plasmado na Constituição da República. É evidente que não são apenas estas unidades que irão garantir, por si sós, todos os valores intrínsecos da Nação moçambicana. Para isso, todas as forças vivas da sociedade, nas suas mais diversas esferas, se compenetrem nesta árdua tarefa. Filipe Nyusi reconhece que é incontornável o carácter transnacional de ameaças, dos riscos e dos desafios que colocam em alerta a segurança do nosso País. Nesta assunção de responsabilidades, as Forças da Defesa e Segurança têm um papel preponderante. A vossa prontidão é crucial e indispensável para a defesa da integridade territorial.

Não tenhamos ilusões; Todos os homens buscam a felicidade. E não há excepção. Independentemente dos diversos meios que empregam, o fim é o mesmo. O que leva um homem a lançar-se à guerra e outros a evitá-la é o mesmo desejo, embora revestido de visões diferentes. O desejo só dá o último passo com este fim. É isto que motiva as acções de todos os homens, mesmo dos que tiram a própria vida. E é contra essas forças obscuras que o Presidente da República reiterou que Moçambique é um território uno e indivisível. O Povo moçambicano é amante da PAZ. O Estado de direito democrático define a nossa forma de ser e de estar. O caminho que continuaremos a seguir está prescrito na lei-mãe. Sabemos de onde viemos e para onde vamos.

E não há como conhecer esses valores sem uma boa educação. A visita efectuada na véspera à Escola Primária Completa Unidade 10 no Bairro de Chamanculo, deve ser vista como um sinal da direcção a tomar. Simbólica, em todos os aspectos, não haja dúvidas de que deixará marcas indeléveis nos pequenos que por algumas horas conviveram com tão ilustre colega. É importante frisar que o Presidente da República, até por experiência própria, conhece os problemas do sector… afinal já foi professor!

Mas é importante reter que a visita àquela escola não significa, de per si, o fim dos problemas no sector. Há muito a fazer. Temos ainda milhares de alunos que estudam debaixo de árvores. Outros tantos sem carteiras. A distribuição do livro ainda está longe de ser efectiva. Há dezenas de escolas que são autênticas ruínas. Os professores clamam por salários mais justos, entre outros aspectos que vão desde a sua formação até a progressão na carreira. O importante é que se assuma que é preciso reavaliar os procedimentos e criarem-se bases sólidas para que a Educação seja de facto um factor fundamental para o desenvolvimento integrado do país.

Aristóteles já dizia que a educação tem raízes amargas, mas os seus frutos são doces. O Chefe do Estado sabe disso e já deu o indispensável  sinal… agora, faça-se a magia necessária!

 

 

 

 

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