As detenções de servidores públicos que exercem cargos de direcção, designadamente dez funcionários indiciados no desvio de donativos destinados às vítimas das cheias e inundações em Gaza, bem como de três antigos gestores seniores das Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) acusados de corrupção, chamaram atenção de muitos moçambicanos e não só.
No caso de desvio de donativos, estão implicados a administradora distrital de Xai-Xai, Argelência Chissano, a chefe do gabinete da governadora, Dora Artur, vereadora municipal das Finanças, Cláudia Eli, chefe do gabinete do administrador, chefe do Departamento de Infra-estruturas, a chefe do posto administrativo de Inhamissa, Janete Novela, fiel de armazém, motorista do governo distrital, delegado distrital do INGD de Chibuto e um outro indivíduo que se diz ser funcionário público.
Na LAM recolheram aos calabouços João Carlos Pó Jorge, antigo director-geral, Hilário Tembe, antigo administrador, Eugénio Mulungo, actual chefe da tesouraria, e Armindo Savanguane, actual director financeiro. As detenções circunscrevem-se na determinação da Procuradoria-Geral da República (PGR), Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC) e do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), em combater sem tréguas os criminosos, entre eles aqueles que se apropriam do erário público.
No seu discurso, quinta-feira, na cerimónia de graduação havida na Academia de Ciências Policiais (ACIPOL), o Presidente da República, Daniel Chapo, sublinhou que o país regista melhorias no combate à corrupção, com cidadãos detidos em conexão com vários casos denunciados pela imprensa. Os dados do GCCC revelam que, no ano passado, o Estado perdeu cerca de 2,9 mil milhões de Meticais devido a práticas corruptas envolvendo agentes e funcionários de diversas instituições públicas, o que representa um aumento face aos 413,8 milhões reportados em 2024.
Actualmente, 812 casos estão em investigação, de um total de 2169 processos abertos, dos quais 1275 foram concluídos e 433 arquivados. Entre os mais relevantes, destacam-se cinco relacionados com a venda e aquisição de aeronaves e contratação da Fly Modern Ark (FMA) para a reestruturação da LAM.
No nosso entender, é preciso continuar a cavar a fundo, como se costuma dizer na gíria popular, até porque o caso de Xai-Xai é de “bradar aos céus”, considerando que foram desviados bens destinados a gente que perdeu tudo e precisa de apoio multiforme. Leia mais…

