Editorial

Celebrando os 50 anos do tiro libertador

Os moçambicanos assinalaram esta semana o 50º aniversário do desencadeamento da Luta Armada de Libertação Nacional. Com efeito, foi a 25 de Setembro de 1964, que soou o primeiro tiro libertador, para depois seguir-se uma longa epopeia de combate marcada pelo derramamento de sangue dos melhores filhos de Moçambique, para que o país, se visse, finalmente livre do colonialismo português.

Para assinalar o jubileu de ouro das nossas Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), decorreram durante a semana várias actividades comemorativas. Por exemplo, as Forças de Defesa e Segurança (FDS) foram saudar o seu Comandante-Chefe, Armando Guebuza, houve exibição naval na Baía de Maputo por parte da nossa Marinha de Guerra. Vários combatentes foram galardoados pelo seu empenho nos desígnios do desenvolvimento do país. Foi lançado o livro “A História da Luta de Libertação Nacional” e finalmente, realizou-se a cerimónia central do 50º Aniversário do desencadeamento da Luta Armada de Libertação Nacional e Dia das FADM no Estádio Nacional do Zimpeto, com desfile dos diversos ramos das Forças Armadas.

Estas comemorações vieram vincar o carácter especial das nossas Forças Armadas de Defesa de Moçambique. Elas surgiram da necessidade de libertar o nosso povo do jugo colonial, cujo sistema, na sua cegueira, recusava toda e qualquer espécie de diálogo. As Forças Populares de Libertação de Moçambique (FPLM) foram o instrumento avançado da política de insurreição armada, nascidas em 25 de Setembro, depois de longo tempo de incubação

Conquistada a independência do colonizador, tiveram as FPLM de fazer face, imediatamente, aos inimigos da nossa identidade nacional, nossos vizinhos geográficos, que desencadearam uma guerra cruel de desestabilização, quer por conta própria, quer servindo-se de moçambicanos. Foram longos anos de sacrifício e combate em prol da unidade nacional, contra o racismo, contra o tribalismo, pela dignidade do homem moçambicano.

Com a introdução do multipartidarismo, as Forças Armadas de Moçambique, sem perderem o espírito que as fez nascer, enquadraram-se em novos parâmetros ao serviço do Estado democrático, tendo como comandante-em-chefe o Presidente da República e enquadradas em estrutura definida na Constituição aprovada por consenso na Assembleia da República. Com órgãos próprios e estrutura hierárquica idêntica à de todas as outras forças armadas em países democráticos.

A sua política, hoje, é seguir os ditames que o Estado para elas traçou através da lei. Servir o país dentro da sua missão específica confinada à defesa. Defesa que não se esgota no serviço militar em tanto que tal. Defesa significa, igualmente, pôr-se ao serviço da nação em missões que reclamam o desenvolvimento das populações, daí a introdução do chamado serviço cívico, que não descura a necessária preparação militar.

Um dos aspectos centrais que saltou à vista nestas comemorações é de que as nossas Forças Armadas são agora mais profissionais. É que ao longo dos últimos anos, o Governo, através do Ministério da Defesa Nacional, foi criando condições para a sua capacitação, quer através de programas de formação a vários níveis, quer através da requalificação e reaorientação de infra-estruturas militares, quer ainda através da aquisição de equipamentos, que vieram dar valor acrescentado para essa profissionalização. Tudo isso foi marcadamente visível nestas celebrações que duraram quase toda a semana. Bem hajam as FADM

33 anos do domingo

No dia das Forças Armadas, 25 de Setembro, o jornal domingotambém faz anos. Fez esta semana 33 anos. Ao relermos o seu primeiro número, deparámos com uma tónica de compromisso com o desenvolvimento do povo, desenvolvimento fundado na verdade, com a convicção de que só a verdade é que liberta.

Como costumamos reafirmar na passagem do nosso aniversário, a 25 de Setembro, mudaram-se os tempos e as circunstâncias, mas a vontade de defender o povo através da informação continuou a ser a tónica desta casa em que se concebe a informação como um acto de cultura, sendo a cultura aquilo nos faz crescer por dentro.

A pessoa humana é para nós o supremo valor, radicalmente igual, sujeita de direitos e de obrigações. Reprovamos a confrontação violenta como forma de resolver contenciosos, lutamos pela transparência dos negócios, em especial dos negócios públicos, denunciamos a arbitrariedade, a discriminação e a corrupção. Pugnamos por um Estado de Direito onde quem manda é a lei. Nada daquilo que é humano nos é indiferente.

Pretendemos continuar a fazer um jornalismo de qualidade, avesso ao sensacionalismo mórbido e à intriga. Um jornalismo que se paute pela ética e pela deontologia universalmente admitida. Um jornalismo de quem não deve, não teme. Corajoso sempre que necessário, subordinado ao lema “a verdade acima de tudo”. Custe o que custar.

 Um jornalismo que prime pela investigação aprofundada das estórias que se desenrolam em todos os quadrantes da vida, nós que pugnamos pelo homem livre, sabendo que o primeiro pressuposto da liberdade reside na informação. Quando se quer escravizar um povo, começa por se lhe esconder a informação. Porque só nos determinamos em função daquilo que conhecemos. 

Ao longo destes 33 anos, lutamos nesta casa para que o nosso produto fosse mais vivo e atraente, com um novo visual, mas mantendo a mesma linha de tratamento noticioso, dentro do habitual rigor, da procura incessante da verdade e da variedade dos temas, atributos que nos caracterizam, enquadrados em parâmetros éticos que não cedem a sensacionalismos de ocasião. É nosso propósito fazer um jornal agradável e bonito, onde a estética, ética, a verdade e a dinâmica no tratamento noticioso sejam características estruturantes da nossa maneira de ser, sabendo nós que Roma e Pavia não se fizeram num dia e que correr nem sempre é chegar, mas que parar é morrer. O leitor continua a ser a nossa razão de ser.

Escolhemos a evolução na continuidade, sabendo que a vida é movimento e que movimento significa mudança, respeitando e assentando na perenidade dos valores essenciais marcados pela verdade acima de tudo. Somos independentes, mas nunca independentes da verdade, verdade esta que exige investigação aturada e persistente servida pela metodologia universalmente cultivada em jornalismo são.

Temos na redacção um cartaz do seguinte teor: “ Um jornal para ser sério não precisa de ser chato”. Ambição não nos falta, como não nos falta a clareza de propósitos.

 

 

 

 

 

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