Editorial

Armando Emílio Guebuza

O Presidente Guebuza é a figura de destaque nesta última edição do ano de 2014 do jornal domingo. A próxima edição sai já em 2015. O destaque tem a ver com tudo o que fez nos últimos dez anos (2004-2014) em que esteve na cadeira de mais alto magistrado da Nação moçambicana e que realizou, a nosso ver, uma obra notável, em várias vertentes.

Os chineses costumam medir a eficiência dos homens em percentagem: tantos por cento de ineficiência (bom), tantos por cento de ineficiência (mau). Para nós não é fácil classificar a governação de Armando Guebuza em termos matemáticos, embora alguns dados sejam visíveis e internacionalmente testados. Assim é que o PIB cresceu durante os seus mandatos a um ritmo superior a 7,5 por cento, a inflação esteve sempre sob controlo, a paz, apesar das faíscas de Muxùngué e Gorongosa, é um facto, a educação melhorou imenso sobretudo em relação a maiores e melhores infra-estruturas, aumentou o prestígio internacional do país, por isso, os investidores afluem para cá para colocarem o seu dinheiro. Em suma, vamos em crescendo.

Dizíamos que não é fácil de analisar, em termos matemáticos, porque Armando Guebuza sempre foi parco em promessas, mesmo nas suas campanhas eleitorais, embora tenha sido rico em iniciativas e realizações. Por isso, não pode ser acusado de demagogia, nem de incumprimento de promessas, porque raramente as fez e, quando as fez, foi em termos muito genéricos.

Quando da sua tomada de posse no seu primeiro mandato, e mesmo antes de ser eleito Presidente, nos tempos da sua primeira campanha eleitoral, adoptou como um dos motes mais martelados, a necessidade premente de combate sem tréguas contra a pobreza absoluta. Um pouco mais tarde, viria a anunciar que a base desse combate, rampa de lançamento ou trincheira, começa pelo distrito. Percorreu-os, quase todos, de norte a sul, de lés-a-lés, tomando contacto directo com as populações. Entendeu que, para o distrito ser uma realidade no combate pelo desenvolvimento humano, era imperiosa uma certa liberdade financeira. E, contra os detractores, descrentes na capacidade do povão, resolveu atribuir a cada distrito sete milhões de meticais.

Surgiram críticas de todo o lado, baseadas na impreparação das autoridades distritais, mas Guebuza convencido de que se aprende a nadar, nadando, em vez de retroceder, resolveu subir a parada. E cantou vitória. Surgiram vários empreendimentos nascidos como cogumelos através dos financiamentos obtidos desse fundo. Nasceu uma nova forma de ser e estar entre os beneficiários

Uma das características de Armando Guebuza é a confiança que deposita nas pessoas e nas suas capacidades para se desenvolverem e criarem condições de desenvolvimento. A aposta nos distritos começou por ser a aposta nos líderes distritais a quem incentivou e pediu responsabilidades.

Um dos cavalos de batalha de Armando Guebuza foi contribuir para que os moçambicanos se auto-estimem e trabalhem afincadamente. Está convencido de que a luta contra a pobreza é tarefa enorme, que demora tempo, mas que só se vence através do trabalho, mediante o domínio da ciência e da técnica e de que somos nós, cada um dos moçambicanos, que deve criar a riqueza para si e para a comunidade.

O Presidente da República, cujo contacto directo com as populações constitui metodologia de governação, achou que o combate à pobreza, que é, como quem diz, o desenvolvimento sustentado, só pode ser levado a cabo com êxito duradoiro, se cada uma das pessoas se capacitar de que é com o trabalho que se vencem os obstáculos. É, com efeito, o trabalho a causa eficiente da produção.

O trabalho, porém, não basta, havendo necessidade de lançar a mão de técnicas, com um capital a servir de instrumento e meio de sustentação e um conhecimento adequado, por outras palavras, uma formação específica. Se, sem trabalho, nada se faz, também nada se faz sem condições para a rentabilidade desse mesmo trabalho, o mesmo se diga da formação adequada.

Sem termos de entrar em grandes teorias, reafirmar que trabalho, formação, técnica e capital, são as alavancas do desenvolvimento. E isto vale tanto para uma empresa macro, como para a micro, mesmo para o cidadão individual que deseje trabalhar por sua conta e risco.

Digamos que Guebuza definiu, com clareza, as prioridades, mesmo da máquina pesada, burocratizada, que é o Estado, e que muitas vezes tarda em compreender as orientações para o desenvolvimento. Por isso, nem sempre foi fácil pôr a máquina a funcionar emperrada por vícios antigos e alguns novos.

Guebuza também contribuiu para o desenvolvimento da democracia através das instituições. Demonstrou que no seu pensamento e acção é a lei quem mais ordena e que os seus objectivos se enquadram nos parâmetros de uma democracia social e ambiental.

Por isso, tendo em conta toda a sua acção governativa ao longo destes dez anos (2004-2014) o caracterizamos como o obreiro, considerando tudo o que vai deixar como legado para as próximas gerações.

 

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