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Seguro agrícola continua aquém do desejado pelos produtores

Por Idnórcio Muchanga

O seguro agrícola em Moçambique continua a ser um desafio, apesar da frequente ocorrência de desastres naturais. Num total de quatro milhões de agricultores em todo o país, apenas 67 mil beneficiam de um mecanismo de transferência de risco.

Trata-se de produtores que operam nas províncias de Cabo Delgado, Nampula, Niassa, Zambézia, Manica e Gaza que asseguram culturas como amendoim, mapira, milho e feijões.

A fraca adesão das seguradoras resulta do facto de considerarem a agricultura uma actividade de elevado risco, por um lado, devido ao uso de sementes não melhoradas, o que tem consequências negativas na produtividade e, por outro, pela sua exposição aos fenómenos naturais como seca, tempestades e cheias.

A dificuldade para ter acesso ao seguro, de modo a cobrir as culturas em casos de desastres naturais, tem sido notória, sobretudo, no seio dos pequenos produtores. Tal acontece porque muitos camponeses não dispõem de recursos financeiros para suportar os prémios. E, para o efeito, precisam da intermediação de uma entidade financeira que possa garantir a mitigação do risco.

É neste contexto que os entrevistados do domingo consideram que é chegada a altura de o Governo inspirar-se na experiência dos outros países onde se subvenciona o seguro como forma de tornar este segmento mais atractivo para as seguradoras e,consequentemente, aliciante também para a banca, de modo a que mais agricultores tenham acesso ao seguro agrícola, para proteger a produção contra perdas causadas por eventos climáticos adversos.

E, para se chegar a compensações, o produtor paga um prémio à seguradora que, em caso de sinistro, indemniza o agricultor para cobrir as perdas e garantir a continuidade da produção e a estabilidade financeira do seu negócio.

O director da divisão do seguro agrícola da Hollard Seguros, Israel Muchena, disse ao domingo que há necessidade de o Governo desenvolver políticas de subvenções ao seguro agrícola para a transferência do risco por parte dos produtores, sobretudo de sector familiar, que praticam agricultura de sequeiro ou de regadio.

Por exemplo, o mesmo projecto implementado pela Hollard no país e que assiste cerca de 60 mil produtores está, igualmente, a ser desenvolvido na Zâmbia, com mais de um milhão de agricultores, cujas apólices são suportadas pelo Governo local, diferente de Moçambique, onde a mitigação do risco tem sido sustentada por instituições financeiras estrangeiras.

Estas entidades, segundo domingo teve conhecimento, apenas têm financiado a parte piloto do seguro, na ideia de que, a posterior, os agricultores sejam capazes, por si só, de custear as apólices. Leia mais…

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