Economia

Reforçada capacidade de fiscalização no PNL

A Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC) assinou, recentemente, em Maputo, com Peace Parks Foundation, um acordo para o apoio na protecção da fauna bravia no Parque Nacional do Limpopo (PNL).

O acordo, cujo montante não foi revelado, visa combater a caça furtiva e o tráfego ilegal dos troféus do rinoceronte e elefante.

Segundo o director geral da ANAC, Bartolomeu Soto, a implementação do acordo vai trazer melhorias na capacidade de fiscalização através do apoio às operações de combate à caça furtiva, formação e capacitação dos fiscais incluindo guardas florestais, educação ambiental e consciencialização sobre o quadro legal aprovisionamento de equipamento operacional de infra-estruturas e redes de comunicação no PNL.

A ANAC e seus parceiros estão cientes de que o combate à caça furtiva e ao tráfego ilegal de troféus poderá durar muito tempo e exigirá mais recursos. Apelamos aos países onde se encontram os principais consumidores dos produtos do rinoceronte e elefante a se juntarem a nós no combate ao tráfego ilegal, pois cremos que com esta acção poderemos mais cedo eliminar a destruição da biodiversidade, garantindo uma boa herança às gerações vindouras”, disse Soto.

O acordo prevê também o reforço da capacidade de fiscalização na linha de fronteira com a África do Sul, no Parque Transfronteiriço do Limpopo. Esta acção já surtiu efeitos positivos, entre 2013 e 2014, período em que foram confiscadas oito pontas de marfim, seis cornos de rinoceronte e 37 armas de fogo no PNL e foram autuados 65 caçadores furtivos.

 O Ministro do Turismo, Carvalho Muária, também presente na assinatura do acordo, disse que o povo moçambicano está ciente de que é preciso manter a biodiversidade para o bem da humanidade e das gerações vindouras.

Este crime destrói a nossa fauna, flora e, por isso, o combate tem que ser duro. Daí que, a nível interno, assinamos um memorando de entendimento com a Fundação Joaquim Chissano e, no passado mês de Abril, rubricamos outro memorando com vista à colaboração em acções de combate a estas práticas com a República Sul Africana. Todo esse esforço visa eliminar este mal”, referiu Carvalho Muária.

O Ministro do Turismo defende que devem ser controlados os que caçam, os respectivos mandantes bem como os destinos dos troféus. Tendo isso em vista, está a decorrer um trabalho entre os governos moçambicano e sul-africano, de modo a persuadir receptadores deste tráfico no destino dos troféus ou nos países que consomem tais produtos.

Ainda neste esforço de colaboração regional, neste mês de Novembro, será realizada uma cimeira, na Tanzânia, que vai contar com presença de quase todos os países da região para delinear estratégias com vista ao combate deste mal.

É um assunto da região e de todos os amantes da humanidade, da fauna e biodiversidade. Por isso, queremos apelar aos moçambicanos para não se deixarem levar pelos valores monetários que os mandantes pagam. Um elefante pode melhorar a economia do país, porque pode ser visto por tanta gente que desembolsa algum valor na entrada, quer na reserva quer no parque”, disse Muária.

Refira-se que o destino dos cornos tem sido a Ásia, preferencialmente a China e o Vietname. As operações são comandadas por um sindicato de crime organizado que envolve também os caçadores furtivos.

A implementação daquele acordo assinado recentemente já começou. Algumas acções estão em curso. A título de exemplo, o Peace Parks Foundation já está a pagar salários de alguns fiscais, assim como tem contribuído para o funcionamento da Administração do PNL. “Já temos alguns homens treinados especificamente como anti-caçadores furtivos e disponibilidade de viaturas. Por outro lado, estamos a capacitá-los cada vez mais. Este acto vai melhorar a nossa capacidade de resposta ao crime organizado de tráfico ilegal de cornos de rinoceronte e elefante”, concluiu Carvalho Muária.

Angelina Mahumane

vandamahumane@gmail.com

Fotos de Carlos Uqueio

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