Os economistas ouvidos pelo domingo afirmam que a redução, em mais 75 pontos-base, da taxa de juro de política monetária, taxa MIMO, de 11 para 10,25 por cento, a vigorar em Agosto, marcando a décima baixa consecutiva da taxa, vai tornar o acesso ao dinheiro cada vez mais acessível para os empréstimos às famílias, empresas e ao Estado.
Asseguram ainda que a acção será favorável para a economia e para a vida dos moçambicanos, porque vários investimentos passarão a ser viabilizados com custo de financiamento mais atractivo.
Esta situação decorre, essencialmente, da contínua consolidação das perspectivas da inflação em um dígito, no médio prazo, reflectindo, em parte, a tendência favorável dos preços internacionais de mercadorias, não obstante a manutenção, a nível doméstico, de elevado risco e incertezas associados às projecções.
Porém, destaca-se como prováveis factores o aumento da inflação, no médio prazo, os impactos do agravamento da situação fiscal, num contexto de crescentes desafios para a mobilização de recursos financeiros para o Orçamento do Estado, as incertezas quanto à velocidade da reposição da capacidade produtiva e da oferta de bens e serviços e os efeitos dos choques climáticos.
Segundo o Banco de Moçambique (BdM), para o médio prazo, excluindo o Gás Natural Liquefeito (GNL), perspectiva-se um crescimento económico moderado. No primeiro trimestre de 2025 estima-se que, excluindo o GNL, o produto interno bruto (PIB) tenha contraído 4,9 por cento após 4,1 no anterior.
Antevê-se, igualmente, uma recuperação gradual da actividade económica, excluindo a produção do GNL, favorecida, em parte, pela redução das taxas de juro e pelas possibilidades de implementação de projectos em áreas estratégicas.
Para o efeito, o Comité da Política Monetária do BdM continuará com o processo de normalização da taxa MIMO, visto que o ritmo e a mangnitude continuarão a depender das perspectivas da inflação, bem como da avaliação dos riscos e incertezas subjacentes às projecções do médio prazo. Lembre-se que a taxa MIMO foi mantida em torno de 12,75 por cento em grande parte de 2019 e, em 2020, veio a ser reduzida para 9,25 por cento, devido à pandemia da Covid-19. Em 2021 foi ajustada para 13,25 por cento e, em 2022, atingiu a sua variação mais alta, que foi de 17,25 por cento.
A primeira variação da taxa MIMO, em 2024, foi de um dígito, quando reduziu de 17,25 por cento para 16,25, em Janeiro. Já em Março houve mais uma redução para 15,75 por cento e, em Julho, novamente baixou para 14,25 por cento.
No mês de Outubro, o BdM anunciou mais uma variação em baixa para 13,50 por cento, em Novembro reduziu ainda para 12.75 por cento e Dezembro manteve-se (12.75). Em Janeiro deste ano, a taxa MIMO foi ajustada para 12.25 por cento, mesma percentagem que se manteve para Fevereiro, em Março reduziu-se para 11,75 por cento, que continuou em Abril. Para Maio e Junho, a taxa foi fixada em 11 por cento, tendo baixado no dia 30 de Julho, com perspectiva de vigorar em Agosto, para 10,25 por cento.
Portanto, os economistas vêem com “bons olhos” a medida do Banco de Moçambique de reduzir a taxa MIMO para 10,25 por cento e esperam que os bancos comerciais avaliem mais o peso das dívidas das empresas e famílias.
Segundo o economista Egas Daniel, a redução da taxa do juro vai facilitar o acesso ao dinheiro para empréstimos às famílias, empresas privadas e ao Estado (através de emissão de Bilhetes de Tesouro), visto que a revisão em baixa da taxa de juro de referência influenciou, também, a redução do prime rate do sistema financeiro, fixado em 17,20 por cento, contra 18,50 por cento que vigorava desde Março. Leia mais…

