Economia

IPEX negoceia infra-estruturas

Texto de Angelina Mahumane

O Instituto para a Promoção de Exportações (IPEX) anunciou há dias que está a negociar com quatro potenciais investidores privados a possibilidade destes construírem um conjunto de infra-estruturas complementares ao recinto onde se realiza a Feira Internacional de Maputo (FACIM), em Ricatla, província de Maputo.

Conforme apuramos, o que o IPEX pretende é criar bases para que sejam construídos hotéis, edifícios para fins comerciais, habitacionais, entre outros de retorno rápido, em redor do recinto da FACIM, que vão permitir que esta instituição do Estado possa amealhar fundos com os quais vai edificar o pavilhão multiuso (infra-estrutura definitiva) no qual deverão ser realizadas as feiras internacionais.

A construção das infra-estruturas definitivas para FACIM impõe-se porque o custo da manutenção das tendas gigantes nas quais os certames são realizados actualmente e dos equipamentos acarreta elevadas somas de dinheiro. O que é agravado pelo facto de a feira estar a crescer ano após ano e haver uma permanente necessidade de aumentar o número de pavilhões.

Segundo o Presidente do Conselho de Administração (PCA) do IPEX, João Macaringue, o grupo que for apurado vai ficar responsável construção de infra-estruturas secundárias, que serão geridas por privados.

A demora no trâmite resultou da mudança da filosofia na abordagem dessa questão. Numa primeira fase era para trabalharmos com financiadores que esperavam garantias, no entanto, com a multiplicidade de prioridades que o país tem, decorrentes, entre outros, da situação das cheias houve uma mudança de paradigma sob ponto de vista de orientação sobre esta matéria”, disse.

A nossa Reportagem apurou que há indicações de que se deve usar espaço de Ricatlha na sua plenitude, pois existem áreas que carecem de investimento cuja rentabilidade vai levar muito tempo e outras de rendimento imediato, nomeadamente os centros comerciais, as zonas residenciais, os parques de diversão, dai que devem ser exploradas por iniciativas privadas, em parceria o IPEX.

As receitas que vão resultar na exploração desses edifícios serão canalisadas na construção das infra-estruturas principais, nomeadamente pavilhão central, zonas de exposição e recriação que são de menor velocidade no que respeita a reposição de capital.

A FACIM está sob gestão do governo, através do IPEX, e julgamos que essa é uma vantagem para encontrarmos parceiros para o desenvolvimento das outras infra-estruturas, mas não para o pavilhão central. As zonas de exposição e diversão que estão na nossa responsabilidade complementam aquilo que é a actividade principal e, por isso, vão continuar connosco”, sublinhou Macaringue.

O IPEX é detentor de cinco tendas gigantes e fixas que desde o estabelecimento da FACIM em Ricatla se revelam poucas para a demanda de expositores nacionais e estrangeiros. Por isso, aquela instituição firmou parcerias com grandes empresas nacionais que são responsáveis pela montagem de tendas adicionais todos os anos. Este ano serão montadas mais sete, resultante dessas parcerias.

A montagem dessas sete tendas inclui alcatifas, aparelhos de ar condicionado, stands modulares, cadeiras, letreiros, iluminação, entre outros. Alguns dos materiais adquiridos pelos parceiros são usados nas tendas definitivas, como é os casos dos stands modulares.

Recordar que em 2011 o espaço onde hoje é realizada a FACIM, em Ricatla, era uma floresta que obrigou a uma intensa operação para desbravar, construir infra-estruturas de raiz, construir cerca de dois quilómetros de estrada, estabelecer fontes de água, energia eléctrica, refrigeração, criar sanitários, área de estacionamento, recreação, restauração, entre outros.

Com a concessão do espaço da antiga FACIM na baixa o IPEX conseguiu 11 milhões de dólares, mas esse valor era exíguo, pois o projecto inicial para Ricatla estava orçado em 44 milhões de dólares americanos, necessários para a construção de um pavilhão multi-uso, escritórios do IPEX e parques de estacionamento que é a parte central da feira.

Entretanto, os organizadores da feira perceberam que com estas infra-estruturas o certame não seria suficientemente atractivo, uma vez que os espaços de hospedagem e de apoio se encontravam no interior da cidade de Maputo, ou seja, a cerca de 40 quilómetros de Ricatla.

Naquela altura, o governo seria o único responsável pela implantação da feira para mais tarde depois fazer a concessão para os privados. Entretanto, o projecto foi alterado e houve a necessidade de se abrirem portas para investidores privados, que devem comparticipar para a construção de infra-estruturas secundárias.

Refira-se que aquando da transferência da FACIM da baixa da cidade de Maputo para Ricatla aquele espaço era mato, foram necessários trabalhos para desbravar a mata, construção das vias de acesso, pavimentar o recinto da feira, construir a vedacção, ligar energia, entre outras infra-estruturas.

120 EMPRESAS  

NA LISTA DE ESPERA

domingo apurou que cerca de 120 empresas estão na lista de espera para a feira deste ano e o governo indiano pediu há dias espaço para outras 40 empresas vindas daquele país asiático, possivelmente estimuladas pela recente visita do Chefe de Estado, Filipe Nyusi que convidou empresários indianos a investirem no nosso país.

Consta que a participação de empresas nacionais e estrangeiras, bem como de países para a presente edição da FACIM aumentou. Até ao momento, foram confirmadas 2250 empresas nacionais, contra 1975 do ano passado, enquanto isso estão inscritas 680 empresas estrangeiras, contra 650 do ano passado.

Em termos de participação de países, foram confirmados 31 países inscritos, contra 26 da última edição. Espera-se um universo de visitantes na ordem de 85 mil.

Para esta edição, quatro pavilhões serão totalmente preenchidos por países e empresas estrangeiras. No pavilhão Nachingueia estarão albergados países como Alemanha, Brasil, Coreia do Sul, Macau, Ilhas Reunião, França, Indonésia, Polónia, Suécia, Finlândia, Islândia, Noruega, Dinamarca e a Holanda.

O pavilhão Gwazamutine estará ocupado por Portugal e Espanha. Enquanto isso, o Madjedje será preenchido pela Itália e no Chai estão países como a África do Sul, Botswana, China, Dubai, India, Malawi, Sudão do Norte, Swazilândia, Tanzânia, Turquia, Vietname, Zâmbia e Zimbabwe.

Por outro lado, os pavilhões Moçambique e Ricatla irão albergar todas as províncias com todas as suas potencialidades e todas as suas oportunidades de negócio. “É onde encontramos a expressão máxima do princípio de adição de valor aos nossos produtos, promovendo a industrialização do nosso país”, salientou Macaringue.

Angelina Mahumane

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