Economia

Gás canalizado é barato e seguro

A rede de distribuição de gás a norte da província de Inhambane, construída em 1992, com cerca de 375 quilómetros, já está a beneficiar directamente a mais de cinco mil pessoas e, indirectamente, a mais de nove mil famílias através da energia produzida com o uso deste recurso pela empresa pública Electricidade de Moçambique (EDM), num investimento de cerca de quatro milhões de dólares. Os consumidores que aderiram ao projecto estão satisfeitos com os resultados e afirmam que o “gás canalizado é barato e seguro”.

Até ao momento, a rede de distribuição de gás a partir da Rede de Pande e Temane tem beneficiado a populações de Vilankulo, Inhassoro, Govuro e algumas ilhas localizadas a norte de Inhambane.

No entanto, o nosso jornal apurou que um dos constrangimentos, no que toca à canalização de gás, está ligado aos custos de ligação que são elevados, variando de mil a três mil dólares americanos. É daí que surge a necessidade do subsídio por parte do Governo.

Este facto, segundo o delegado da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), em Vilankulo, Dauto Rogunate, seria minimizado se houvessem grandes consumidores de gás, pois iriam viabilizar os pequenos consumidores através de subsídios cruzados.

Aliás, cerca de 60 por cento dos custos das ligações são subsidiados pela ENH, o remanescente é pago pelos consumidores e pode ser em duas prestações dependendo da negociação do contrato. No que concerne ao pagamento mensal, existe um contador (semelhante ao de água) instalado na residência ou no estabelecimento comercial, onde independentemente do valor do consumo, o proprietário deve pagar uma taxa fixa, nomeadamente, 300 meticais para singulares e 3000 meticais para comerciais.

Segundo Daúto Rogunate, desde o início do projecto, cerca de mil e 30 consumidores já beneficiaram dele, num investimento que ascende a quatro milhões de dólares americanos. Espera-se que até Junho de 2015 sejam feitas mais cem ligações e até o final do mesmo ano alcance a fasquia de mil e 500 consumidores.

De momento, estamos a aumentar quer os consumidores domésticos (residências), comerciais (pessoas que usam gás para fazer os seus negócios) e industriais, nomeadamente, aqueles que consomem maiores quantidades de gás, como a Electricidade de Moçambique que usa para produção de energia”.

No âmbito do programa de Responsabilidade Social, a ENH, através da Companhia Moçambicana de Hidrocarbonetos (CMH) em parceria com a Sasol e a International Finance Corporation (IFC)vão continuar a massificar o uso de gás.

Para que esse objectivo seja alcançado, vai-se trabalhar com vista a fortalecer a actuação em novos projectos para atendimento do crescimento do mercado na zona norte de Inhambane, aumentar a eficiência em toda a cadeia logística até ao cliente, trabalhar para que se estabeleça, localmente, uma empresa de fornecimento de materiais de canalização de gás, de modo a reduzir os custos das ligações.

Queremos abranger um máximo possível de consumidores, pelo menos nos distritos de Vilankulo, Govuro e Inhassoro. Ainda temos algumas dificuldades, porque para viabilizar este programa é preciso que existam alguns projectos âncoras, ou seja, os grandes consumidores. Estamos a trabalhar no sentido de expandi-los”, disse Rogunate.

Refira-se que os clientes pagam, pelo consumo do gás canalizado, cerca de 500 meticais por mês.

Gastava cerca de mil meticais por mês

– Ângela Xitsumba

No Bairro 3 de Outubro, encontrámos Ângela Xitsumba, que usa gás canalizado há pouco mais de um ano. Ela está satisfeita com a eficiência do sistema e, sobretudo, com a redução dos gastos. “É uma experiência muito boa, sem contar que pago, mensalmente, no máximo, 500 meticais por mês. Antes de ter gás, comprava três sacos de carvão mensalmente a 250 meticais cada e lenha de 300 meticais. Com o gás cozinho tudo, até aqueço água”.

Tenho medo de usar botija

– Teresa Albino Murure

Teresa Murure foi uma das pioneiras no uso deste tipo de gás, em 1996. Até ao momento não tem motivos de queixas. “Sai-me mais barato. A taxa fixa é de 300 meticais e, em geral o consumo não ultrapassa 200 meticais. Gastava muito mais com lenha e carvão. Algumas pessoas reclamam dos custos, mas o que sai mais caro é a taxa fixa, porque tudo o resto depende da forma como a pessoa usa o gás. Ainda não sofremos problemas com este gás. Eu tenho medo de usar o de botija porque é mais agressivo em relação a este”.

A produção aumentou

– Meque Zindoga, panificador

Outro consumidor ouvido pelo domingo é Meque Zindoga, gestor de uma padaria e pastelaria em Govuro, que começou a usar o gás há cerca de três semanas e já nota resultados positivos. Segundo conta, a produção está a aumentar gradualmente. “Estamos a fazer sete sacos diários. Aumentamos o pessoal de três para oito. A produção aumentou. Por dia conseguimos fazer cinco mil e 700 pães, contra mil e 200 que fazíamos antes e com muito esforço. Vale a pena usar o gás”.

As negociações para a instalação do gás naquela padaria iniciaram em Setembro e culminaram com a assinatura de contratos. A ligação foi feita em apenas dois dias. Para estabelecê-la, foi necessário desembolsar 20 mil meticais na primeira fase, faltando outros 21 mil meticais para completar a taxa de instalação.

A taxa fixa para os comerciais é de três mil meticais. É um valor aceitável, porque tudo o resto depende do nosso consumo. Quando usávamos lenha, havia meses que gastávamos mais de quatro mil meticais com o corte e transporte, sem contar que dependíamos muito da boa vontade da temperatura, pois a época chuvosa estragava-nos o negócio por causa das dificuldades das vias de acesso para obter o combustível lenhoso”.

Facilita o nosso trabalho

– Ivan Miranda, gerente de restaurante e bar

Ainda em Govuro, encontramos Ivan Miranda, gerente de um restaurante e bar local, que elogiou o projecto da ENH. “Estamos a usar gás há mais de um ano. É uma iniciativa de louvar, porque melhorou o nosso desempenho, sem contar que nos facilita o trabalho. Não levamos muito tempo a preparar os alimentos. Não há comparação com o tempo antes da montagem de gás, quando usávamos carvão”.

Acrescentou que antes se levava mais tempo para confeccionar alimentos diversos e gastavam mais de dois mil meticais mensais com o combustível lenhoso. “Agora há mais benefícios. O número de clientes aumentou. O trabalho está mais rápido. Tínhamos três trabalhadores, agora estamos com cinco. Os que ainda não usam o gás canalizado estão a perder. Os custos são bem baixos”.

Usar gás compensa

– Aziza Ismael

Aziza Ismael, gerente do Hotel Estrela-do-Mar, em Inhassoro, disse que usar gás é simples e compensa. Sai mais barato em relação ao sistema de botijas. “Usamos para cozinha e foi-nos sugerido a usar o mesmo sistema para os termo-acumuladores, mas isso requereu um pouco mais de trabalho”.

Segundo conta, os custos reduziram em 90 por cento. “O mais engraçado é que a taxa fixa nos sai mais cara, em relação ao próprio gás. Pelo consumo do gás propriamente dito, pagamos entre 700 a 800 meticais mensalmente. Estamos a usar o gás há dois anos. Até agora não tivemos problemas no que toca à segurança, porque pelo menos uma vez por mês, eles vêm cá fiscalizar. Entram e vêem”.

Poupo cerca de 30 mil meticais por mês

– Christoph Schnell, produtor de alevinos

Christoph Schnell cria alevinos (peixes recém-saídos do ovo) para vender aos piscicultores e escolas de pescas. Viu-se obrigado a usar o gás canalizado devido a cortes frequentes de energia. Para que os alevinos desenvolvam não podem ficar na água fria, daí a necessidade permanente de electricidade para aquecer a água.

Este gás funciona durante todo o ano, sempre que cortam energia temos uma margem de 25 minutos até ligar o gerador (que também funciona a gás). Houve uma altura em que não tínhamos diesel para alimentar o nosso gerador eléctrico. Então, recorremos ao gás, pois corríamos o risco de perder toda a criação. Agora o gás poupa-nos cerca de 30 mil meticais”, disse para depois acrescentar que “a nossa empresa está a vender 500 mil alevinos por mês, a um metical, no caso de o cliente vier ao nosso encontro. Mais de 80 por cento da nossa produção é vendida às instituições do Estado”.

Angelina Mahumane

vandamahumane@gmail.com

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