Economia

Exploração florestal comprometida

Operadores florestais e faunísticos, a operarem nos distritos de Chibabava, Maríngue e parte de Gorongosa, estão a atravessar um período de “vacas magras” devido à prevalecente tensão político-militar que impede a realização de operações de corte, processamento e escoamento de produtos.

Dados colhidos junto de Maria Augusta Magaia, chefe dos Serviços Provinciais de Terras Florestas de Sofala, indicam que desde que a tensão iniciou, em Outubro do ano passado, pelo menos 52 pedidos de recolha de madeira em estância que aguarda escoamento nas áreas de corte, 30 de carvão, dois de lenha e outros dois de bambu, não foram escoados na totalidade por receio de tiroteios.

De igual modo, quatro operadores florestais em regime de concessão (o mesmo que empresas) não exerceram a actividade de exploração florestal nas respectivas áreas de corte e outras 14 empresas florestais não conseguiram contratar consultores para a realização de Inventários Florestais e Planos de Maneio nos distritos de Chibabava e Maríngue.

Segundo a nossa fonte, a província tinha projectado a exploração de 30.600 metros cúbicos de madeira em toros de várias espécies, mas, a exploração contabilizada até ao momento indica que se ficou pelos 22 mil metros cúbicos e ainda decorre a contabilização dos prejuízos financeiros.

Porque a província de Sofala tem um elevado potencial faunístico, consta que pelo menos cinco operadores de caça também, não conseguiram exercer a sua actividade nas áreas autorizadas, o que, no global, empurra o sector para um crescimento negativo em 14 por cento no desempenho referente ao ano passado.

Aliás, a campanha de exploração florestal inicia na próxima terça-feira, dia 1 de Abril, e os Serviços Provinciais de Terras e Florestas e os operadores florestais e faunísticos começam a fazer “contas à vida” pois, as acções militares decorrem exactamente nos locais de produção destes.

Estamos a preparar a realização de um encontro com todos os operadores para avaliarmos as condições do terreno e ponderarmos como vamos trabalhar, porque há custos associados à paralisação das empresas, compromissos com o mercado de exportação, nomeadamente a África do Sul, China, Alemanha e Vietname”, disse Maria Augusta Magaia.

Fauna bravia também faz das suas

Enquanto por um lado a tensão político-militar impede o desenvolvimento da exploração florestal e faunística, por outro lado, a fauna bravia continua a ceifar vidas, a ferir e a destruir culturas diversas um pouco por toda a província de Sofala.

 

Dados em nosso poder indicam que durante o ano passado foram registados 253 casos de ataques de animais bravios nos distritos de Marromeu, Chemba, Caia, Dondo, Cheringoma, Nhamatanda, Muanza, Búzi e Chibabava.

Nestas 253 incursões da fauna, resultou a morte de 45 pessoas e o ferimento de outras 17, sendo que os animais mais problemáticos são o crocodilo, hipopótamo, búfalo e os macacos que, para além de matarem e ferirem ainda tem a desfaçatez de devorar tudo o que as suas vítimas produzem nas machambas, com particular destaque para o milho, hortícolas e arroz.

Porque a situação por vezes deixa os humanos revoltados, consta que em função da dimensão da provocação e da ameaça, são tomadas medidas de afugentamento e, em casos mais críticos, de abate de alguns animais ferozes.

Deste modo, no distrito de Marromeu, onde os animais mataram 29 pessoas e feriram 11, para além de terem protagonizado um total de 80 incursões às áreas de habitação humana, as autoridades optaram por abater nove crocodilos e seis hipopótamos.

No distrito de Chemba, crocodilos e hipopótamos mataram quatro pessoas e feriram três nas cerca de 30 investidas que realizaram contra a população local, pelo que se optou pelo abate de 35 crocodilos, três hipopótamos e um elefante. Em Caia, crocodilos, hipopótamos e búfalos mataram três pessoas e feriram uma em 23 casos registados, pelo que se decidiu pelo abate de dois hipopótamos, quatro búfalos e 19 crocodilos.

Nos distritos de Dondo, Cheringoma, Muanza e Chibabava, os animais mataram quatro pessoas e não feriram nenhuma mesmo tendo protagonizado 78 investidas. Aqui, a opção das autoridades se reduziu a acções de sensibilização e afugentamento.

Nos distritos de Nhamatanda e Búzi, búfalos e crocodilos mataram cinco pessoas em 42 casos registados pelo que, para além do afugentamento, decidiu-se pelo abate de seis hipopótamos e 12 crocodilos.

O que torna a situação difícil no domínio da fauna é que a província de Sofala conta com 17 operadores de fazendas de bravio, um parque nacional e uma reserva especial. Entretanto, das 17 fazendas existentes, só quatro possuem planos de maneio e dois estão em processo de elaboração. Os restantes 11 não possuem planos de maneio pelo que, segundo a lei, não podem operar e apoiar no controlo da fauna.

Jorge Rungo

jrungo@gmail.com

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