ALMIRO SANTOS, nosso enviado
Ali no “coração da Europa”, entre flamengos e valões, as principais descendências culturais da Bélgica, Daniel Chapo engatou um “pipeline” que volta a propor um debate antigo para o “velho continente”: onde ir buscar a energia que tudo movimenta, da economia aos transportes, da indústria ao simples gesto de premir um interruptor para aquecer ou iluminar os aposentos dos 450 milhões de habitantes do espaço europeu, cada um consumindo uma média de 700 Watts por hora!
A premência do debate, da procura por alternativas energéticas diante da guerra no Médio Oriente, onde o que conta agora não são os mísseis balísticos que o Irão ainda tem em sua posse, ou não tem, tem a ver com o Estreito de Ormuz, por onde passavam cerca de 21 milhões de barris de petróleo diariamente, aproximadamente 20 por cento do consumo mundial, mas também fertilizantes e outros insumos agrícolas importantes para os 27 países que compõem a União Europeia.
A visita do Presidente da República parte destas circunstâncias e do pressuposto de Moçambique estar a preparar bases para ser um “hub” da energia na região e do facto de deter um potencial invejável de Gás Natural Liquefeito (GNL) na bacia do Rovuma, com destaque para o Coral Sul FLNG (operacional), Mozambique LNG (TotalEnergies), Rovuma LNG (ExxonMobil/Eni) e o recém-aprovado Coral Norte FLNG (Eni), projectando -o país como um apetecível “player” energético.
Aliás, o debate sobre energias renováveis levado a Bruxelas por Daniel Chapo, no encontro da “RENMOZ in Europe”, o qual procedeu à sua abertura oficial, foi rapidamente aproveitado pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que, posteriormente à visita do Presidente moçambicano, reuniu com os seus comissários num colégio que decidiu investir 330 milhões de Euros para acelerar a energia de fusão e apoiar tecnologias e competências nucleares para uso na produção de electricidade para a Europa.
Com o preço do petróleo a subir 60 por cento desde que eclodiu a guerra no Médio Oriente e a atingir máximos de 116 Dólares por barril de Brent, e os preços do gás natural na Europa a dispararem cerca de 35 por cento, Moçambique pode não estar em condições activas e operacionais de aproveitar o momento de inflação desses produtos energéticos, mas o facto de fazer parte do rol de países com os mais importantes jazigos comprovados de gás natural no mundo empresta uma dimensão especial levar o debate para Bruxelas, o “coração” da Europa.
“PIPELINE” DE ENERGIA
No Fórum RENMOZ in Europe, que durante dois dias debateu, em Bruxelas, as energias renováveis, o Presidente apelou ao reforço do investimento europeu no sector energético nacional, fazendo todo o sentido que o país, que caminha a passos largos para ser o “hub” da região, queira financiar projectos como o de Mphanda NKuwa, avaliado em cerca de 5,5 mil milhões de Dólares para produzir 1500 MW; o projecto solar fotovoltaico de Matambo, província de Tete, como parte da estratégia da HCB diversificar e compensar a redução temporária devido à reabilitação da Central Sul. Leia mais…


