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Câmara de Comércio ataca Índia e Turquia

Por admin

A Câmara de Comércio de Moçambique (CMM) pretende recuperar o seu prestígio que já teve. Para tal, está a levar a cabo diversas acções com destaque para o melhoramento do Plano de Desenvolvimento Estratégico, que foi aprovado na semana passada, em Maputo. Por outro lado, pretende atrair Pequenas e Médias Empresas para fazer parte da agremiação.

Segundo o vice-presidente da CMM, Arlindo Duarte, para conseguir cumprir com esse desiderato foram desenhados planos prioritários para serem implementados ao longo deste ano, cuja execução já está em curso, entre os quais consta o apoio ao sector empresarial na concepção e implementação problemas de formação em matéria própria para este grupo alvo.

Por outro lado, prevê-se a concepção e implementação do programa de consultoria e assistência técnica, construção de uma base de dados e a participação em feiras, exposições e missões empresariais com a participação de maior número dos membros.

São planos que já começamos a executar. Por exemplo, realizamos uma missão empresarial para Portugal. Prevemos visitar, ainda este ano a Índia, Emiratos Árabes Unidos, Turquia e voltar a Portugal. De igual modo, estamos a compor um banco de dados dos membros”, disse Arlindo Duarte.

domingoapurou que a agremiação já estabeleceu contactos com congéneres africanos, nomeadamente com as câmaras da Argélia e Etiópia, e organizou missões  para Macau tendo em vista o alcance do mercado chinês. Aliás, graças a essa aproximação à China, a CMM tomou conhecimento da existência de fundos para países africanos que deverão também beneficiar a empresas moçambicanas filiadas à CMM.

Para estas missões somos convidados e os países arcam com as despesas das viagens. Para o caso de Macau e Portugal temos a facilidade da língua, o que torna fácil fazer negócios. Queremos uma relação de negócios no verdadeiro sentido com esses países e não nos contentarmos com importações”, aludiu Duarte.

Para além da implementação dos planos previstos para 2017, a CMM criou, recentemente, o Centro de Apoio Empresarial que vai formar e capacitar os membros, prestar assistência na constituição de empresas e instrução do processo de acesso a financiamentos bancários.

Entretanto, e apesar de todo o esforço até aqui empreendido pelo novo corpo directivo para a revitalização desta agremiação, existem vários constrangimentos que minam o seu progresso, com particular destaque para a auto-sustentabilidade, de modo a conseguir arcar com despesas fixas como salários, água, luz e outros consumíveis.

Para ultrapassar este problema, a câmara abriu uma empresa denominada CCM Investimentos que vai trabalhar em diferentes frentes com os grandes projectos instalados no país. Conforme apurámos, a composição accionista desta empresa é repartida em 20 por cento para os membros e 80 por cento das acções são detidas pela CMM como um todo. Consta que dentro em breve serão eleitos os órgãos sociais da CCM Investimentos.

Enquanto a constituição desta empresa progride, Arlindo Duarte revelou que o actual corpo directivo da CMM pretende vê-la implantada em todas as províncias do país, de modo a que se faça sentir muito além dos empresários residentes em Maputo. Aliás, actualmente este organismo está presente nas cidades de Maputo, Beira, em Sofala, e conta com uma representação em Nacala, província de Nampula.

Neste momento, estamos a negociar a abertura de delegações nas províncias de Gaza, Inhambane e Nampula, e esperamos que até ao final do mandato tenhamos delegações em todas as províncias”, sublinhou Duarte.

CAPACITAÇÃO PARA MEMBROS

Segundo a nossa fonte ser membro de uma câmara de comércio, em outros países, confere bastante prestígio na comunidade empresarial, ao que se acrescem os múltiplos benefícios, sendo que um deles é o de ter um “advogado” disponível para ajudar a resolver os problemas que a empresa enfrenta.

Para o caso concreto de Moçambique, o alcance desse patamar impõe que em primeiro lugar se devolva a agremiação para o nível em que já esteve. “Sabe-se que a Câmara de Comércio esteve em estagnada por alguns anos e o que temos estado a fazer agora é trazer a organização de volta ao seu nível. Esse é o principal desafio que temos que superar. Queremos recuperar o nosso prestígio”.

Ainda na senda dos desafios, Arlindo Duarte disse que um dos grandes problemas que a CMM tem enfrentado está ligado à capacitação, não só em termos de Recursos Humanos mas também de gestão financeira.

Contou que na reestruturação que tem sido levada a cabo foi possível aumentar de 22 para 35 colaboradores, entre efectivos, colaboradores para meio período e estagiários. Para integrar estagiários foram assinados dois memorandos de entendimento, um com a Universidade Eduardo Mondlane (UEM) e outro com o Instituto de Formação Tecnicol. 

Já reestruturamos a agremiação. Temos o pessoal que acreditamos ser ideal para o actual estágio em que nos encontramos. Mas, ainda estamos a procura de resolver, definitivamente, os problemas financeiros e, para isso, estamos a prover diversos workshops”.

Duarte mostrou satisfação porque pela primeira vez, em 20 anos, a CMM conseguiu levar seis empresas a participarem da Feira Internacional de Maputo (FACIM) 2016, facto que já tem recebido convites internacionais para participar em seminários, o que não acontecia antes. “Estamos a tentar trazer esta dinâmica a nível do país”.

Refira-se que a Câmara de Comércio de Moçambique faz parte da Câmara de Comércio Internacional e Câmara de Comércio Árabe.

Recuperar o prestígio

A Câmara de Comércio de Moçambique (CMM) foi criada em 1980 para, entre outros, promover a exportação dos excedentes produzidos no país, assegurar a importação de bens essenciais à economia, assim como dinamizar as operações de comércio e, durante algum tempo estes objectivos foram cumpridos. “Mas, com o surgimento de diversas organizações para empresários, a agremiação caiu no esquecimento”.

Arlindo Duarte diz que as razões que contribuíram para que a instituição caísse no esquecimento não são claras. Aliás, só para se ter uma ideia a Câmara de Comércio de Moçambique devia ter maior visibilidade que outras instituições que funcionam no país como a Confederação das Associações Económicas (CTA).

É que, pela sua vocação e pelo tempo de vida, a CMM deve lidar directamente com as empresas e estas tem que ter na organização uma espécie de “advogado” que ajuda a resolver problemas diversos com destaque para o acesso ao financiamento bancário. Entretanto, depois de ficar praticamente inactiva, a CMM perdeu todo o prestígio e membros que tinha, e chegou ao ponto de ficar confinada e limitar-se a procurar dinheiro para pagar salários aos trabalhadores.

Duarte descreve ainda que o edifício onde funciona a sede estava degradado, com infiltrações de água e necessitava de uma nova imagem. Entretanto, a nossa reportagem apurou que uma parte dos problemas já foram resolvidos e a CMM já consegue pagar, para além de salários, outras despesas correntes, como água, luz e material diverso para escritório.  

Segundo o vice-presidente daquela agremiação, a actual direcção, eleita em meados de 2015, está a trabalhar para recuperar o prestígio que já teve e conseguir atrair novos membros com destaque para as Pequenas e Médias Empresas (PME’s) que representam o pilar da economia moçambicana.

Sabemos da existência de muitas PME’s no país, muitas delas sem rumo, mas com forte capacidade e empregam centenas de pessoas que alimentam várias famílias. Acreditamos que congregando essas empresas vai acontecer muita coisa favorável a elas e para a câmara”, disse.

Espera-se que com Plano de Desenvolvimento Estratégico aprovado recentemente ajude a recuperar a saúde da câmara e funcionalidade, cuja finalidade é de trazer nova dinâmica à instituição. Para além da angariação de novos membros, resgate dos antigos e dos hesitantes.

A CMM quer ser um organismo representativo da classe empresarial, integrando interesses económicos, políticos e sociais, com vista a buscar melhores resultados para os seus membros. 

Texto de Angelina Mahumane
angelina.mahumane@snoticicas.co.mz

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