“A próxima Conferência Ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), a realizar-se em Yaoundé, nos Camarões, solo africano, em Março próximo, constitui uma oportunidade histórica para reafirmarmos que o desenvolvimento deve estar no centro da agenda multilateral”.
A afirmação é da Primeira-Ministra, Maria Benvinda Levi, na manhã de hoje, em Maputo, no seu discurso da abertura da Reunião de Ministros Africanos do Comércio, em representação do Presidente da República, Daniel Chapo.
Destacou que para fazer jus aos ideais dos fundadores da União Africana, nessa conferência deve-se falar numa só voz como continente, advogando colectivamente uma reforma equilibrada da OMC que preserve o consenso e restaure um sistema eficaz de resolução de litígios, sendo fundamental que a modernização das regras globais reconheça as assimetrias estruturais das economias africanas de modo a garantir que o comércio internacional seja, de facto, motor de desenvolvimento inclusivo.
Disse ser necessário uma abordagem justa nas negociações agrícolas, “que nos levem a corrigir as distorções prejudiciais aos nossos produtores, uma vez que para África, a agricultura não significa apenas uma estatística comercial, é o garante da sobrevivência de famílias e a base para a industrialização sustentada”.
Afirmou que igualmente é fundamental advogar-se colectivamente um enquadramento do comércio electrónico, um tratamento adequado para os países menos avançados, assegurando transições graduais e previsíveis; e o reforço do papel institucional da União Africana na governação do comércio global.

