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“Vila Algarve” vai ser hotel com museu

Por Benjamim Wilson

Com aspecto sem igual em termos de arquitectura, ao nível da cidade de Maputo, a antiga sede da Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE), a Vila Algarve, vai ser requalificada, para um museu, funcionando a infra-estrutura, simultaneamente, como um estabelecimento hoteleiro.   

O abandonado imóvel vai ser transformado em museu-hotel, segundo decisão tomada pelo Governo, no âmbito da requalificação do edifício histórico, que serviu para a repreensão durante o período colonial.

De acordo com um anúncio de adjudicação, o Ministério dos Combatentes entregou à empresa Giluba-Lin para elaboração do projecto executivo, sendo a pretensão explorar a infra-estrutura no regime de parceria público-privado (PPP).  

Guilherme Ombe, director nacional de História, no Ministério dos Combatentes, explica que o processo de restauração do edifício vem sendo protelado, devido a limitação de recursos financeiros. Salienta que através de recursos próprios da instituição governamental, seria impossível financiar o processo de restauro.

Os traços arquitectónicos do edifício deverão ser mantidos, a tijoleira gravada nas paredes também devera ser preservada, como forma de manter as particularidades únicas da infra-estrutura.

Ombe explica que o parceiro que vir a manifestar interesse na exploração do edifício teria que garantir a existência de uma sala-museu, reservada para o curador, podendo usar os andares cimeiros como área para o serviço hoteleiro.

Tanto os hóspedes, como o público em geral, poderão ter acesso ao museu, no qual muito acervo da história do período colonial, qual centralidade, poderá ali ser depositado para servir como uma espécie de cartão-de-visita ao nível da capital.

Reforça que caberá ao eventual investidor a prerrogativa de acrescentar mais andares sobre o edifício principal, que, entretanto, deve ser preservado em termos arquitectónicos.

O edifício se apresenta em avançado estado de degradação, localizada no cruzamento das avenidas dos Mártires de Machava e Ahmed Sekou Touré, no centro de Maputo. Está previsto um concurso em duas etapas.  

Construída em 1934, ampliada em 1950, a infra-estrutura acaba de ser classificada como Imóvel de Interesse Arquitectónico. A PIDE usou, no período colonial, como local de tortura de antigos combatentes pela independência moçambicana, entre outros nomes históricos, o falecido poeta moçambicano, José Craveirinha. Houve outros presos como Rui Knopfli e Malangatana Ngwenya.

A Ordem dos Advogados de Moçambique tentou, sem sucesso, em 2008, fazer do espaço a sua sede. É classificado como Património do Estado, em relação ao qual, igualmente, chegou a ser equacionada, em 2011, a possibilidade de o transformar num Museu da Luta de Libertação.

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