TEXTO DE NEYMA DE JESUS
Cantam. Dançam. Pintam e pintam-se. Interpretam obras teatrais. Sorriem. Riem… enfim, celebram a vida. É como se caracterizam as meninas do Estabelecimento Penitenciário Especial para Mulheres, localizado em Ndlavela, Maputo.
Quem passa por fora não imagina que por detrás daqueles altos e assustadores muros existe vida, alegria, fé e esperança. Por ali, no lugar de reclusas, encontram-se deusas das artes, com beleza de tirar o fôlego e um brilho que atravessa paredes, desfila em grandes palcos e mostra que, afinal, a prisão não é o fim do mundo.
Numa conversa com domingo, as “divas” partilharam a experiência de renascer por via das artes, tal como afirma a instrumentista Alice Macuvule. “Nasci de novo no dia que pisei neste lugar. Não reconheço mais a pessoa do passado”. O sentimento é comum. E a emoção toma conta dos seus corações quando se fala da associação ARTMUD (Arte para Mudança), criada em 2019, que iniciou as actividades naquele estabelecimento penitenciário, com vista a reactivar a esperança e transformar aquelas mulheres através de actividades artísticas.
A elas, a ARTMUD lecciona música, dança, teatro e artes plásticas. Mas, mais do que isso, abre espaço para que tenham conexão com o mundo exterior, o que, apesar de no início terem considerado a experiência tensa, lhes devolveu a vontade de viver.
Afinal, o que se produz num espaço cercado é consumido pela sociedade afora. Ademais, é-lhes dada a oportunidade de se apresentar em público, seja em espectáculos próprios ou actuações em eventos formais. Leia mais…

