O auditório do Instituto Guimarães Rosa mergulha numa escuridão. Luz é quase inexistente e permite apenas olhar e concentrar-se exclusivamente nos gestos e rostos das intérpretes. É nesse cenário que se desenrola a peça teatral “Prima Facie”, da australiana Suzie Miller, adaptada e dirigida por Expedito Araujo, apresentada desde o dia 5 passado até hoje, 8 de Março, data em que se comemora o Dia Internacional da Mulher.
O que poderia ser apenas um monólogo se transforma num mosaico de vozes. Em palco, 11 actrizes entram, cada uma no seu momento, e dão vida a partes da personagem Tessa. A primeira parte da peça constrói-se à base da personagem central, Tessa Ensler, uma advogada criminal brilhante, moldada pelo esforço e pela disciplina.
De origem humilde, estudou Direito com determinação, venceu adversidades e encontrou no tribunal um espaço de lógica, estratégia e ascensão social. Durante a actuação, cada intérprete revela uma camada da sua personalidade: a ambição, a extrema confiança na lei, o entusiasmo pelos desafios jurídicos e a sensação de poder que surge ao dominar o tribunal. Enquanto narra a sua trajectória, Tessa diverte-se a descrever de forma quase sensual o envolvimento com seu colega, Julian, advogado também bem-sucedido.
Conta da relação inicialmente profissional e depois marcada pela proximidade pessoal, que desencadeou uma aventura romântica.
À medida que se desenrola a peça, a alternância de actrizes acrescenta nuances: cada intérprete traz um tom distinto que revela a complexidade da protagonista e prepara o público para o ponto de viragem que está por vir.
O ambiente escuro aumenta a tensão, a penumbra obriga o público a focar-se nos gestos, na cadência da voz, nos silêncios e pausas e transforma cada parte numa experiência íntima. É neste cenário que a peça aborda o acontecimento central da primeira parte: a violação de Tessa. Leia mais…

