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Mukhero de verduras na “terra do rand”

Por Luísa Jorge

Há mais de 40 anos, quando Amélia Muianga decidiu vender verduras na “terra do rand”, a sua actual parceira de negócio, Ruth Machel, tinha ainda tenra idade e viajava consigo às costas. Hoje, os papéis estão invertidos. Ruth, já com 40 anos, é quem atravessa a fronteira para vender. Enquanto isso, Amélia, com a idade a roçar a casa dos 70, tomou nova posição no xadrez do negócio: orienta as mais novas. Enfim, estas são algumas das nuances de um negócio que atravessa gerações nas famílias moçambicanas, ergue lares e esboça um futuro promissor.

Os anos de experiência permitiram que Amélia Muianga dominasse aquele negócio, como a palma da sua mão. Iniciou neste mundo ainda na juventude com a sua irmã – a mãe de Ruth. Diferente de hoje, no passado a coisa não era de toda fácil. Ainda não existiam os famosos Toyota Quantum (carrinha que prestam serviço de transporte semi-colectivo de passageiros para a África do Sul). “Apanhávamos comboio na baixa da cidade de Maputo para Ressano e, dali, seguíamos para Komatiport, onde embarcávamos noutro até Joanesburgo. Éramos vistas como mulheres atrevidas. Havia outras mulheres que queriam entrar connosco, mas as famílias não viam isso com bons olhos. Na altura, além de verduras também guevávamos (compravam) capulanas para revender”, recorda.

Suas palavras denotam o quanto passou para se tornar “craque” naquilo. Aprendeu a lidar com todos os trâmites necessários e a manusear a mercadoria nos dias de muito sol, para que esta resistisse. Talvez por essa razão, depois de sair do activo, passou o bastão à sobrinha e assumiu nova posição, ao ficar nos bastidores e orientar as mais novas.  Leia mais…

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