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“Muaanuni” de facto partiu a gaiola e foi-se mesmo!

Zena Bacar: de quem se aprendeu a usar a capulana e “mussiro” também em público e no estrangeiro, cantando ou mesmo culturalmente andando, voz feita madeira para todas as obras e melodiaafro-árabe que invadia a medula óssea de quem quer que fosse, responsável pela força do remoinho dos Eyuphuro, foi-se corporalmente, faz uma semana.

 

Se o pássaro (“Muaanuni”) que partira a gaiola e se fora embora sem dizer adeus era um seu amor (filho, namorado ou aqueloutro), hoje dizem os seus fãs, de les-a-les, referindo-se justa e ironicamente ao facto de Zena Bacar ter os deixado de regresso à terra que a pariu, numa data e lugar imprevisíveis.

Se tinha que ser dois dias antes do nascimento de Jesus Cristo, o da morte da artista que cantou e encantou, primeiro, o triângulo que é a configuração geométrica da sua província, a seguir, o Ocidente europeu e, curiosamente, mais tarde Moçambique inteiro nada indicava que tivesse lugar em Nampula. As mensagens perguntavam a Maputo se o corpo transladar-se-ia. Viveu forte e persistentemente os seus últimos tempos na capital do país.

De repente os carros resistentes a mudanças com dispositivos para fazer rolar cassetes voltavam a ficar na moda e os outros (poucos) já reproduziam as autênticas dissertações de Zena Bacar, feitas em discos, nascidos mesmo debaixo dos horrores que a vida às vezes nos dá.

Zena Bacar, que desde “Amuara Anreque”ao lado de Salvador Maurício, nunca deixou de educar, passando pelo remoinho (Eyuphuro) mais badalado, tendo como colegas Gimo Abdul Remane, Omar Issá e companhia, até à frequentadora da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), na avenida 24 de Julho, em Maputo, acabava de nos deixar aos 68 anos de idade, exactamente em Nampula, aonde fora em razão da deterioração da sua saúde.

Texto de Pedro Nacuo

nacuo49nacuo@gmail.com
 

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