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MEMÓRIA – EUSÉBIO: “Unganyimi lanu, tsika vhalungu, ntsem!”*

Passaram oito após a morte do bota de ouro Eusébio da Silva Ferreira, o pantera negra (morreu aos 72 anos de idade). A grande estrela do Benfica (estreou-se com a camisola encarnada a 1 de Junho de 1961) e da selecção portuguesa, nascida no populoso bairro da Mafalala, e que em Moçambique representou o Sporting Clube de Lourenço Marques (Maxaquene) continuará a ser recordada pelos seus incomuns dotes futebolísticos. É referenciado como um dos melhores jogadores que o planeta viu evoluir.

O seu nome confundia-se com o Benfica. O seu potencial era reconhecido por benfiquistas, moçambicanos, portugueses, como também por adversários, pois a sua elevada qualidade futebolística era enorme.

Além do bom poder de drible, em progressão, Eusébio era rápido com a bola e sem ela. Era impressionante a forma como ele deixava adversários para trás, sempre com os olhos postos na baliza contrária, e, na mínima nesga de terreno, sem preparação, rematava forte, colocado e com muita precisão. Aliás, contam os seus colegas, que a maior parte dos seus golos surgia dessa forma. Por isso que tanto os defesas, como os guarda-redes temiam-no. Muitas vezes, a única forma de pará-lo era por recorrência à virilidade excessiva.

No Benfica, como na selecção Eusébio era encarregue da marcação de livres, aproveitando-se do seu portentoso remate. Nessas situações, Eusébio ludibriava os adversários, antes do tiro, com o seu padrinho Mário Esteves Coluna, quando estivesse ao serviço do Benfica, ou também com Hilário, Vicente Lucas, quando envergasse a camisola da selecção portuguesa.

Aos adversários não era agradável estar na barreira quando fosse Eusébio a marcar os livres, o mesmo acontecendo na marcação de penaltes, onde quase sempre o luso-moçambicano empregava toda a sua força, que se confundia com fúria para cima da bola.

POR JOCA ESTÊVAO
joca.estevao@snoticias.co.mz

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