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JOVENS NA COMUNIDADE: Desorientados…

  • A escassez ou inexistência de infra-estruturas desportivas ou para actividades culturais é apontada como um dos factores para o desvio de conduta dos jovens

Uma figura desalinhada, franzina, de olhos avermelhados assomou-se diante da nossa reportagem, no bairro de Maxaquene B, arredores da capital do país. Foi na manhã de uma terça-feira. Passam já alguns dias. Após três tentativas mal sucedidas de o envolvermos numa prosa, Gatinho – como se identificou – acedeu, finalmente, ao nosso convite e colocou-se por pouquíssimos minutos à nossa disposição para falar sobre “as coisas do bairro”.

Especificamente, pretendíamos saber de si e dos demais jovens que actividades desportivas e culturais são desenvolvidas por lá, em prol de uma ocupação saudável. Deste modo, arrancávamos com a nossa missão. Quisemos começar por ali, pois nos chamou a atenção não só a aparência definhada do jovem, mas também a sua postura eventualmente ditada pelo consumo de alguma substância tóxica.

Com efeito, ao responder às nossas indagações, apresentou uma preocupação que prendeu mais uma vez a nossa atenção. Sem muito espaço para reflexão soltou a seguinte afirmação: “precisamos de mais espaços para ‘txilar’”. A seu ver, esta seria a única forma de “ocupar os jovens, de evitar a criminalidade…”.

Gatinho mostrava-se ordenado por um espírito “festivo” e, quiçá, noctívago, diferente do que nos movia naquele instante. Igualmente, caminhava desalinhado do desejo de outros moradores do seu bairro, que clamam por espaços para a prática de futebol, teatro, voleibol….

David Chimunze, residente em Maxaquene B há 38 anos, manifestou vontade de ver construídos à sua volta mais centros culturais, para massificar o que por lá já se faz: “danças tradicionais”. Quer mais, muito mais, especificamente, “queremos mais espaços para o futebol”, alargar a prática de uma modalidade que move alguns interessados em lugares como “o campinho ao lado da Unidade 24 (escola)”. Por lá confluem “jovens dos 17/18 anos até aos 30 e um pouco mais”, disse. Leia mais…

TEXTO DE CAROL BANZE
carol.banze@snoticicas.co.mz

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