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Esperança no meio da dor do cancro do colo do útero

Por Jornal domingo

TEXTO DE GENÉZIA GERMANO

Nos corredores da Oncologia do Hospital Central de Maputo, o silêncio parece pesar mais do que as próprias paredes. Ali, cada olhar carrega uma história de dor e resistência. Cada cama ocupada revela o retrato de uma batalha silenciosa, corpos fragilizados, mas olhares firmes de quem não desiste, mesmo quando a vida se transforma numa luta diária contra uma doença traiçoeira: o cancro do colo do útero.

A doença chega de forma silenciosa. Não avisa. Muitas vezes é confundida com problemas menores, como miomas ou pequenas infecções, até que os sintomas se revelam já em fases avançadas. É nesse momento em que o mundo das mulheres afectadas desmorona e vingam os sangramentos inesperados, as hemorragias persistentes, a notícia devastadora que muda destinos e deixa marcas não apenas no corpo, mas também na alma. São mulheres de idades diferentes, mães, esposas e trabalhadoras que viram a sua vida mudar de repente, ao serem surpreendidas pelo diagnóstico de cancro do colo do útero, uma doença que continua a ceifar vidas no país.

Durante anos, esta enfermidade manteve-se envolta em silêncio, descoberta apenas em fases tardias, quando já se torna quase impossível recuar. Em Moçambique, milhares de famílias sentem o impacto desta condição. Contudo, é no meio dessa realidade dura que surge a esperança. A boa notícia é que a vacina contra o papilomavírus humano (HPV), inicialmente aplicada a meninas dos 9 aos 12 anos, será disponibilizada também para adolescentes até aos 18. Para as mulheres que já enfrentam a doença, esta novidade soa como um alívio tardio, mas abre uma promessa de que as suas filhas e netas possam escapar ao mesmo destino. Leia mais…

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