TEXTO DE VANESSA MAPOSSE
Quando Dilar Dessai se senta no banco técnico, não ocupa apenas um espaço reservado ao treinador. Ela ocupa uma fronteira. Entre o que sempre foi e o que começa a mudar no país. Entre a tradição que insiste em fechar portas e a persistência que aprende a abri-las sem pedir licença. Na Liga Nacional de Basquetebol Masculino a presença de Dilar não é um gesto decorativo ou mera estatística sobre a participação do género – é um acto de afirmação construído jogo a jogo, treino a treino, derrota a derrota, vitória a vitória.
Ela não entrou nesta Liga para constar das estatísticas. Entrou para trabalhar e tal como na vida há histórias que se escrevem precisamente quando alguém decide apenas fazer bem aquilo que sabe.
“Apenas entrei para a Liga para conduzir uma equipa, mas sem noção de que ocuparia um lugar simbólico.” A frase é dita sem dramatismo, quase com naturalidade. Para Dilar, o simbolismo não é um ponto de partida, mas um efeito colateral. Ainda assim, reconhece que, “num meio predominantemente masculino, a exigência de provar nunca desaparece. É diária. Invisível. Persistente”. Leia mais…

