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“Do Mar para a Cozinha”exalta a gastronomiamoçambicana

Por Jornal domingo

 A gastronomia moçambicana, marcada pela fusão de culturas e pela abundância do mar, ganha um novo registo literário dedicado à valorização dos seus sabores. A obra “Do Mar para a Cozinha” coloca no centro da narrativa os frutos do mar, os mariscos e os pratos tradicionais que definem a identidade culinária do país, apresentando receitas, técnicas e molhos que reflectem a essência do litoral. Num território banhado por uma extensa costa, o mar não constitui apenas paisagem. Representa sustento, turismo, cultura e memória.

O camarão, a lula e o caranguejo fazem parte do quotidiano alimentar de várias comunidades e simbolizam uma das maiores riquezas nacionais. É a partir dessa realidade que o cozinheiro Alfredo Pedro Bruno, conhecido profissionalmente como chef Bruno, decidiu transformar anos de experiência numa obra escrita. Na área da cozinha desde 2009, o autor defende que a gastronomia precisa de registo formal. Considera que muitos saberes permanecem apenas na prática diária e acabam por se perder com o tempo.

Para o chef, escrever um livro significa preservar receitas e técnicas para as futuras gerações, além de incentivar outros profissionais a fazer o mesmo. Entende a publicação como um guia técnico destinado a restaurantes, centros de formação e apreciadores da culinária nacional.

A obra está organizada em secções: entradas, pratos principais, frutos do mar, molhos para frutos do mar e sobremesas. Mais do que um simples receituário, o livro contextualiza pratos e valoriza a sua origem cultural. Entre os exemplos abordados surge o frango à zambeziana, prato que resulta da fusão de métodos europeus de preparação com especiarias introduzidas pelos árabes e com o coco abundante na Zambézia.

“Muitos consomem sem conhecer a sua história. A obra procura justamente preencher essa lacuna, explicando as raízes e a evolução de receitas emblemáticas”, disse. Acrescenta, também, que o livro alerta para desafios que ameaçam a continuidade de determinados sabores tradicionais. “O bolo de sura, por exemplo, enfrenta dificuldades devido à redução dos palmares, o que compromete a obtenção da matéria-prima original. Do mesmo modo, a degradação dos mangais afecta a reprodução do camarão e de outras espécies marinhas”.

Ao destacar esses aspectos, a publicação associa gastronomia e preservação ambiental, defendendo a necessidade de proteger os ecossistemas que sustentam a cozinha moçambicana. Editada inicialmente em 40 exemplares físicos, com versão electrónica disponível, a obra resulta de um investimento pessoal do autor. Surge, assim, como contributo relevante para a valorização da gastronomia moçambicana.

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