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A noite que apaga o amanhã

Por Jornal domingo

TEXTO DE REGINA NAETE

Na calada da noite, sonhos calam-se. Em diferentes pontos e esquinas da cidade e província de Maputo é possível observar o crescente número de raparigas que, na busca pelo seu sustento e da família, arriscam a vida num ambiente tenebroso, que abafa o grito de socorro. Ali, é como se a noite fosse um cemitério de projectos enterrados vivos pelo trabalho infantil, que gera exposição a diferentes tipos de agressões, o assédio e abusos sexuais. O que poucos imaginam é que nessa labuta acontece um pouco de tudo: “Os ‘tios’ aproveitam-se da situação para nos conquistar, falam coisas feias e tentam nos aliciar com dinheiro, acrescentando valores ao preço cobrado pelo produto que vendemos”, revelaram algumas adolescentes ao domingo.

M .Tovela, de 13 anos, foi interpelada pela nossa Reportagem às 22.00 horas na sua esquina. Vende várias frutas na entrada do mercado sito na Matola-Rio, distrito de Boane, província de Maputo. É uma actividade que desenvolve desde os seus 10 anos para ajudar a sua mãe.

Depois de uma reacção inicial de auto-defesa, contou que lida com todo tipo de clientes, alguns bêbados e os referidos senhores que se apresentam com intenções duvidosas. Um dos episódios foi presenciado pela nossa equipa de Reportagem. Foi necessária a nossa intervenção, para que o jovem abandonasse aquele lugar. Ainda assim, a menor afirmou que não se deixa levar por tais comportamentos, pois a sua progenitora já a instruiu a não dar corda a esse tipo de pessoa, afirmou.

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