TEXTO DE REGINA NAETE
Agressão física, violência patrimonial, maus tratos, acusações de prática de feitiçaria, entre outras causas fazem parte da realidade cruel e triste que afecta os idosos e eleva o índice de abandono. De acordo com dados avançados pelo Ministério do Trabalho, Género e Acção Social, em 2024 foram assistidas nos centros de acolhimento da pessoa idosa 406 idosos e, em 2025, o número cresceu para 839, destacando-se a cidade de Maputo e províncias de Maputo e Inhambane com maior predominância.
Homens e mulheres que dedicaram suas vidas ao trabalho e à construção de famílias, nos dias que correm, enfrentam a solidão e esquecimento. São pessoas que deram tudo em prol de condições de vida agradáveis, amparo e amor aos seus filhos, marido/esposa ou outros familiares.
No entanto, não vivem o final desejado, isto é, desfrutar os últimos dias, meses e anos de vida ao lado de quem mais amam. Essa é a história de algumas pessoas da terceira idade que tiveram no lar de idosos um espaço de refúgio e compreensão, mas também de dor e sobrevivência.
No lar de idosos sito no bairro Magoanine “C”, propriedade do Conselho Municipal de Maputo, várias pessoas idosas vivem como uma única família. Ali, há uma mistura de sentimentos. O olhar estampado em cada rosto denuncia a dor que o coração não consegue evitar e que a mente em várias actividades e conversas busca espantar. O lar funciona desde 2010, acolhe idosos residentes na periferia da capital do país há mais de dez anos. Actualmente, conta com 25 pessoas idosas ali abrigadas, dos quais 15 são mulheres e 10 homens.
Segundo explicou o responsável do Departamento da Acção Social, na instituição, Gusmão Muhosse, o acolhimento é feito em coordenação com as estruturas administrativas dos bairros, ou seja, em caso de maus-tratos, violência ou qualquer outro problema relacionado, o chefe de quarteirão é encarregue de averiguar, reportar a situação e encaminhar o idoso/a ao lar.
Naquela instituição, os casos mais frequentes são de violência patrimonial, maus-tratos, situação de rua e abandono em frente ao lar pelos familiares. Maria Ernesto tem 73 anos. Vivia em Gaza e em 2022 mudou-se para a cidade capital, onde residia com seu marido e seus filhos biológicos que, pouco tempo após a sua chegada, perderam a vida. Leia mais…

