Desporto

Unidos em volta de Manuel Chang

Três grupos juntaram-se para apoiar a candidatura do economista Manuel Chang ao cargo de presidente de direcção da Federação Moçambicana de Futebol (FMF), cujas eleições deverão acontecer em Agosto próximo.

Conforme domingo publicou nestas páginas no dia 19 de Abril passado, Manuel Chang foi escolhido pela Associação de Veteranos de Futebol de Moçambique para encabeçar uma lista concorrente à sucessão do elenco de Feizal Sidat na FMF.

Paralelamente, Cremildo Gonçalves e Manuel Bucuane (Tico-Tico) movimentavam-se noutros corredores, aglutinando figuras de futebol interessadas em gerir o futebol nacional.

No entanto, o objectivo comum de alterar o actual estado do futebol ditou a unificação dos três grupos, num processo coordenado pelo Movimento Futebol Pelo Futebol, liderado pelo treinador Miguel Chau, amigo do também técnico Arnaldo Salvado.

A conquista de Tico-Tico é que foi mais espinhosa, uma vez que o antigo capitão dos “Mambas” gozava de apoio de figuras como Rafik Sidat, irmão de Feizal Sidat, Rui Tadeu, entre outros.

A relação frágil entre a actual direcção da FMF e Tico-Tico acabou, à última hora, facilitando a turma de Miguel Chau, que recrutou o antigo goleador para suas hostes.

Do grupo de Cremildo Gonçalves pontificavam outros antigos futebolistas, tais são os casos de Joaquim João, Altenor Pereira, Florentino Ferreira, Filipe Cabral, Tonecas Fidalgo, Jorge Matine, César Manjate, Gil Guiamba, Carlos Calado, Aniceto dos Muchangos e Ludjero Cândido.

Miguel Chau explica que “queremos trazer soluções para o futebol, que não está num estado que julgamos que deve estar. O interesse deste grupo é resolver problemas do futebol. O nosso objectivo é encontrar soluções dentro do futebol”.

AS RAZÕES DE CHANG

Manuel Chang é publicamente conhecido como economista, tendo uma trajectória singular na direcção do sector de finanças.

Aos 60 anos, é pouco conhecido pela família (actual) do futebol. Porém, é um antigo praticante, tendo representando clubes como Académica e Nacional Africano na posição de guarda-redes.

Aliás, foi durante encontros ocasionais com membros do movimento Futebol Pelo Futebol que lhe foi formulado o convite de abraçar o projecto de dirigir a FMF. E, ponderados os favores e contras, aceitou. Por quê?

– Aceitei porque primeiro é uma alegria ser convidado por antigos craques de futebol. Sou desportista, nunca me afastei do desporto. O mais importante é que gosto do futebol. Também aceitei porque este movimento é sério. O desafio é grande mas se estivermos abertos podemos ir além.

O candidato promete apresentar futuramente o seu manifesto eleitoral enriquecido por outros agentes desportivos, mas já pode adiantar que “não podemos aceitar que as coisas que vemos hoje continuem”.

– Sou pela dignificação de todos agentes do futebol, desde jogadores, treinadores, árbitros e antigos praticantes. Queremos clubes mais activos.

Actual sistema deve ser eliminado

– Tico-Tico, reclamando barreiras impostas pelo elenco de Feizal Sidat

Manuel Bucuane “Tico-Tico” protagonizou uma reviravolta. Ainda que publicamente nunca tinha aceite o namoro, o antigo capitão dos “Mambas” era aposta de um grupo próximo do actual elenco da FMF para candidatar-se à sucessão de Feizal Sidat.

De resto, referiu que tinha sido abordado por um grupo com o objectivo de candidatá-lo à direcção da federação de futebol.

Deixou esse desafio para trás para abraçar um projecto que considera viável e inclusivo, mormente por criar possibilidades de os antigos futebolistas demonstrarem suas capacidades e experiências adquiridas ao longo das carreiras.

– Identifico-me com esta candidatura. Achei por bem me juntar a este grupo e julgo que não me enganei. Pessoas do futebol andavam longe e agora estão aqui juntas, são figuras que nos inspiraram muito.

Indicou que o actual sistema cria barreiras que impossibilitam que antigos praticantes desbobinem suas capacidades. Ele próprio experimentou dificuldades, por isso, nos últimos anos não prestou seu contributo ao nível do que desejava.

– Há uma barreira que se cria. Logo à partida tentaram abater-me, mas resisti. Muitos desistiram do futebol, muito por culpa do sistema, por isso julgo que este sistema deve ser eliminado. Com este grupo, acho que terei espaço para dar o meu contributo para as futuras gerações.

O antigo capitão dos “Mambas” foi contundente em relação à actual gestão do futebol nacional, vincando que os antigos praticantes não são devidamente valorizados.

– O actual sistema não permite que os antigos praticantes prestem a sua contribuição. Já produzimos muitos talentos, mas onde estão? Não há gente para inspirar os mais novos. Temos que criar um novo sistema para alterar esta situação.

Para o antigo goleador, “temos tudo para mudar a face do futebol. O país precisa de pessoas de futebol para o futebol”. 

Queremos trabalhar para o futebol

– Cremildo Gonçalves

O académico Cremildo Gonçalves era igualmente aposta dum grupo para atacar a direcção da FMF. À semelhança de Tico-Tico, decidiu-se por abraçar o projecto do movimento Futebol Pelo Futebol, que também é seu.

Referiu que estamos perante uma situação de unificação de movimentos que lutam por uma causa com a qual se identifica de corpo e alma: desenvolvimento do futebol.

– Achamos que tendo um objectivo comum, em vez de apresentarmos planos diferentes, era bom potenciarmos uma única candidatura, por isso temos aqui apoiantes de três movimentos que passam a ser um. Queremos trabalhar para o futebol.

No entender de Cremildo Gonçalves, o ambiente nacional é favorável para o futebol progredir, uma vez que o Presidente da República gosta de futebol, o Primeiro-Ministro idem e a nova direcção do Ministério da Juventude e Desporto tem muita energia.

– Há condições para colocar o nosso futebol no concerto das nações, sintetizou.

Concordamos com o projecto

– Francisco Machel, antigo árbitro

O antigo árbitro Francisco Machel acompanhou a apresentação da candidatura de Manuel Chang ao lado doutro ex-juiz, Arão Júnior. Ambos são apontados pela crítica do sector como favoritos a dirigir a Comissão Nacional de Árbitros de Futebol (CNAF) no próximo elenco federativo.

Francisco Machel deixou claro que os árbitros apoiam a candidatura de Manuel Chang.

– Nós antigos árbitros e alguns no activo estamos bem alinhados com este movimento e concordamos com o projecto. Podem contar connosco, vamos dar o nosso apoio.

Lembrou que é necessária uma especial atenção aos homens do apito porque a arbitragem desempenha um papel muito importante no futebol.

“Em pouco tempo se pode destruir um trabalho feito durante muito tempo. É preciso formar e capacitar os árbitros de futebol”, vincou Machel.

Velhas glórias aprovam candidatura

Velhas glórias aprovam a candidatura de Manuel Chang à sucessão de Feizal Sidat e juntaram-se para dizer sim ao projecto.

Para além de Tico-Tico (ver caixa), Chang conta, para já, com apoio moral de antigos praticantes como Cremildo Gonçalves, Naldo, Calado, Ferreira, Nuro Americano, Tonecas, Pedro Sitói, Domingos Langa, Tony Gravata, Miguel Chau, Arnaldo Salvado, Gil Guiamba, Altenor Pereira, Ângelo, entre outros.

 

Chandó canditato

Alexandre Rosa “Chandó” anunciou semana finda a sua candidatura à sucessão de Feizal Sidat no cargo de presidente de direcção da Federação Moçambicana de Futebol (FMF).

O antigo guarda-redes, hoje jornalista na Televisão Independente de Moçambique, referiu que está rodeado de gente de futebol e que brevemente vai apresentar as linhas gerais do seu manifesto eleitoral.

Chandó notabilizou-se como guarda-redes do Desportivo de Maputo, tendo também representado o Estrela Vermelha de Maputo.

Texto de Custódio Mugabe

Fotos de Carlos Uqueio

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