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TRIBUTO DE ANTÓNIO PRISTA: “Uma vida na Educação Física em Moçambique”

Por Jornal domingo

TEXTO DE ALBERTO TSENANE

“Os Cretinos Digitais”. Este termo, embora pareça duro, é usado para descrever uma geração que está a trocar a actividade física real, o suor e o convívio directo pelo brilho frio dos ecrãs de telemóveis e computadores. É um grito de alerta que predomina na mais recente obra literária do Professor Catedrático António Prista, intitulada “Uma Vida na Educação Física em Moçambique (Relatos e Reflexões de Um Percurso Apaixonado).”

Numa era onde as redes sociais parecem preencher todo o nosso tempo, o Professor lembra-nos que a verdadeira vida acontece fora dos ecrãs. A nossa saúde, a nossa inteligência e a nossa identidade dependem da nossa capacidade de nos levantarmos e voltarmos a ocupar os espaços com o nosso corpo. É um convite para que a próxima geração não se perca no isolamento digital, mas que continue a correr, a jogar e a construir Moçambique com a mesma energia que se via nos antigos campos de caniço.

Lançado na passada quarta- -feira, na Faculdade de Educação Física de Desportos da Universidade Pedagógica, o livro contém 145 páginas e seis contos que condensam mais de meio século de uma vida dedicada ao ensino, à investigação e à gestão do desporto. Através de uma escrita que mistura a ciência com a emoção dos contos, o autor leva-nos a viajar pelas raízes da nossa sociedade, começando pelos subúrbios e chegando até às salas de aula mais modernas.

O que Prista entregou ao público não foi apenas um conjunto de páginas com memórias, mas uma reflexão profunda sobre como nós, moçambicanos, nos construímos através do corpo e do movimento, e como corremos o risco de perder essa identidade para o mundo virtual. Aos 69 anos, ele olha para o passado não como algo que já passou, mas como um alicerce sólido para construir o futuro.

DESPORTO PARA ACALMAR AS TENSÕES

Um dos pontos mais fortes da sua obra é a chamada “Experiência do Caniço”. Para entender o que Prista nos quer dizer hoje, temos de olhar para o início dos anos 70. O autor lembra-nos que, naquela altura, o governo colonial tentava acalmar as tensões sociais nas periferias das grandes cidades com o desporto.

Foi nesse cenário de transição que nasceu o torneio anual de futebol de caniço. Para muitos, aquilo era apenas um passatempo para jovens, mas, para Prista, era o berço de uma nova consciência nacional. “Naqueles campos improvisados, com bolas muitas vezes feitas de trapos, nasceu o “moçambicanismo”.

Os grandes craques que brilharam depois da independência foram, na sua maioria, formados nestes jogos de bairro. O desporto era a forma como a juventude ocupava o território e afirmava a sua existência”, defende. Leia mais…

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