Desporto

Só a falta de apoios pode travar o boxe

O boxe nacional está na rota de mudanças. Novos talento evidenciam-se nas regiões Norte, Centro e Sul. A geração de bronze dos Jogos Africanos de 2011 começa a passar o testemunho para à geração do futuro, entretanto ameaçada pela falta de apoios. 

Nos campeonatos regionais Centro,Norte e Sul, realizados em Março e Abril, na Beira e Maputo, respectivamente, ficou evidente que o país tem muito que explorar do boxe, se se olhar para esta modalidade e outras individuais da mesma maneira que se olha o futebol, por exemplo.

É muito talento a despontar, mas sem perspectiva de ter competições regularmente, por causa da falta de fundos ou desleixo.

Na cidade da Beira viu-se que a província de Nampula continuam produzir pugilistas de talento e promissores. A Própria Beira fez crer que não está adormecida e que só precisa de um programa de desenvolvimento bem elaborado.

 A Cidade de Chimoio confirmou na Beira que em Manica a vontade de praticar boxe supera o rolo de dificuldades. Ainda bem que aquela província passou a contar com um ringue e já pode deixar de realizar provas (?) no chão armadilhado de pedras e pedregulhos.

 

FERROVIÁRIO EM CIMA

MATCHEDJE A DESAPARECER

O Ferroviário de Maputo está cada vez mais forte no pugilismo moçambicano, com técnicos e atletas que se entregam de corpo e alma à modalidade, graças à direcção do clube que entende a importância de apostar em mais modalidade para alémdo futebol.

Nos últimos tempos os “locomotivas”, com todo mérito, ganham tudo a todos. Para cada prova preparam-se para não perder, com os mais novos a seguirem o exemplo dos mais velhos.

Contrariamente ao Ferroviário de Maputo, está o Matchedje de Maputo que, disfarçadamente, procura forma de desaparecer do boxe com a alegação de não conseguir ter dinheiro para se filiar na associação da Cidade de Maputo ou para o subsídio mensal dos pugilistas, dentre militares e civis.

Poucos pugilistas “militares” se apresentaram no “Regional” sul, realizado nos dias 5 e 6 de Abril no Pavilhão anexo do Estrela Vermelha. Watche António, actual chefe do Departamento de Boxe do Matchedje nas costas, e de não ter treinado, enfrentou sem reservas Valdo António que, finalmente, o venceu depois de cinco combates.

“Esta deve ter sido a nossa última participação em provas de boxe. Para já não vamos participar no torneio de abertura ao nível da cidade de Maputo. Dizem-nos para pararmos, enquanto se procura dinheiro…Mesmo sem treinar, viemos representar o clube neste interprovincial. Já tinha ganho ao Vasco António por cinco vezes. Hoje foi a vez dele. Chega sempre um dia que a gente perde”, disse Watche.

No fim do certame foi anunciado que o combate Vasco António – Watche António foi o melhor de todos, tendo os dois sido premiados.

NHIUANE

GRANDE REVELAÇÃO

 

Quando a vontade supera as dificuldades, tudo é possível. Alfredo Nhiuane, ex-pugilista cuja carreira teve o seu apogeu na África do Sul, criou há quase um ano o Núcleo de Boxe A. Nhiune que funciona na Praça de Touros.

E é ai onde estão a emergir aqueles que provavelmente irão representar o país, se não lhes faltar a sorte de acarinhamento por parte daqueles que têm a obrigação (com fundos do Estado) de velar pelo talento desportivo promissor que o país vai cultivando.

É do “A.Nhiuane” o pugilista revelação do “Regional” Sul. Chama-se Júlio Manuel, 49kg. Ganhou espectacularmente os dois combates que realizou, com destaque para o segundo diante de Zacarias Simeão do Ferroviário de Maputo.

Também foi outro pugilista do “A.Nhiuane”, Félix Alberto, que deu que fazer o veterano Isac Dimande do Ferroviário de Maputo, em um combate da categória de mais de 90kg, muito emocional. Antes, Leonêncio Inácio, da Academia Paulo Jorge, infligira KO ao Lázaro Chongo, do Ferroviário de Maputo, na categoria de 81kg.

Na mesma noite das finais, Augusto Matule da Academia Lucas Sinóia, na categoria de 69kg, fez abandonar o ringue Clésio Zandamela, do Ferroviário de Maputo. Juliano Máquina, 52kg, o melhor atleta moçambicano de 2013, pugilista do Matchedje, venceu Hélio Castelo do Ferroviário de Maputo.

O “locomotiva” Cremildo Artur, 56kg, medalha de bronze dos Jogos Africanos de 2011, sofreu muito para derrotar José Azarias da Academia Lucas Sinoia. Guilherme Eugénio, 46kg, pugilista do Nhiuane, bateu Manuel Mandlate da Academia Paulo Jorge. Margarida Timane, de Nhiuane, viu-se incapacitada fisicamente diante de Rady Gramane, da Academia Lucas Sinoia. Maria Manuela, 60kg, Academia Lucas Sinoia, teve enormes dificuldades para vencer sua colega Ângela Machanguane, que, com alguma razão, chorou copiosamente por não acreditar na decisão dos juízes. 

Paulo Jorge (que não é o patrono da Academia Paulo Jorge) foi declarado o melhor pugilista da prova, depois de ter vencido Abubakar Silima do Nhiuane, 60kg. E Elson Januário foi o melhor árbitro.

A Taça de vencedor absoluto foi recebida pela Associação de Boxe da Cidade de Maputo, mas foi reivindicada pelo Ferroviário de Maputo que depois de muito barulho conseguiu levá-la para a sua vitrina. Treinadores e atletas “locomotivas” alegaram que a associação não fez nada para merecer a Taça, para além de que diziam desconhecer da sede da mesma. Na verdade, foi o Ferroviário de Maputo que investiu para o seu próprio ganho. A.Nhiuane ficou em segundo e Matchedje em terceiro. As províncias de Gaza e Inhambane, ausentes nos combates das finais, receberam taças de participação 

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Artigos Relacionados

Botão Voltar ao Topo