Desporto

Shafee Sidat: há dúvidas?!…

Passam anos que desportistas, no geral, e adeptos de futebol, em particular, questionam a musculatura do clã Sidat em fazer as coisas acontecerem consoante o seu desejo. A eleição de Shafee 

Sidat para o cargo de presidente da Federação Moçambicana de Atletismo (FMA) alarga o domínio dum clã manifestamente ambicioso.

No lençol de questionamentos surge, também, amiúde, comparações relativas ao poder de facto de influenciar decisões para que as coisas aconteçam.

O ignorante, sedento de respostas, pergunta com insistência: afinal quem é mais forte entre aqueles quatro: o Rafik Sidat (presidente da Liga Muçulmana), Feizal Sidat (Presidente da FMF), Shafee Sidat (agora presidente da federação de atletismo) ou Zuneid Sidat (Agente FIFA)?

Sempre apontamos Shafee Sidat como o principal cérebro do clã, aquele que determina os ponteiros do relógio, a hora de avançar ou de recuar. Logo, nunca avançaria para uma eleição sem garantia de vencer.

Feizal Sidat tem sido suficientemente atrapalhado – por isso vulnerável a deslizes – enquanto o imberbe Agente FIFA socorre-se claramente da inteligência e astúcia do eleito presidente da FMA.

Rafik Sidat, por sua vez, joga quase sempre emocionalmente, vale dizer, tem um coração grande. Nunca conseguiria construir o império que hoje é a Liga Muçulmana sem o cérebro Shafee Sidat.

Por isso, chegados aqui, há que reconhecer a consolidação do domínio de Shafee Sidat sobre os agentes desportivos moçambicanos, a partir do interior do ministério dirigido por Fernando Sumbana Jr.

A vitória no atletismo é claramente mais de Shafee do que propriamente do clã Sidat, ainda que Rafik e Zuneid tenham estado lado a lado de Shafee nos derradeiros momentos da decisão.

Shafee Sidat foi o último a manifestar publicamente a candidatura quando faltavam escassos cinco dias das eleições no atletismo. Convenceu os directores do Ministério da Juventude e Desportos, feitos padrinhos voluntários do candidato, os quais, até dispensaram de ler uma única palavra do manifesto do candidato. Bastou o nome para em coro gritarem “Avança, tem o nosso apoio”.

Em três dias, Shafee percorreu o país de lés-a-lés, convenceu os então desconhecidos presidentes das associações provinciais e na hora de votação venceu folgadamente, deixando apenas um voto para cada adversário.

No final da Assembleia Geral, Shafee reuniu à mesma mesa os candidatos derrotados, elenco cessante, treinadores, atletas e jornalistas. Todos rendidos ao resultado eleitoral e, sobretudo, à demonstração de força que acabavam de testemunhar.

Agora, porque Shafee deixará de ser Agente FIFA, o Agente FIFA aprovado e anunciado antes da publicação da pauta pela FMF vai assumir os jogadores do tio Shafee Sidat, mas a pergunta legítima continua a ganhar eco: conseguirá Shafee Sidat abster-se do futebol?

Arriscamo-nos a responder não, até porque o novo timoneiro do atletismo não só é escorregadio como é inteligente, astuto e domador de mentes. Pior que tudo: é doente de futebol e não de atletismo. (Ainda) não estamos totalmente claros do móbil desta eleição.

Considerando a velocidade dos acontecimentos, já não espantará ninguém se amanhã um dos Sidat piscar o olho á federação de natação ou candidatar-se à sucessão do tio Feizal. Os padrinhos, lá do ministério, é que não faltam!

Há dívidas?!…

 

Legenda

Cá está, o cérebro da família Sidat

 

Ângelo Muria reivindica diploma

Nas academias reina a mania de que no final dos cursos, a malta vai lá fora ditar ordens e corrigir tudo o que está errado na nossa especialização.

Foi nessa crença que depois de passar anos em universidades da Bulgária, Portugal e Brasil, Ângelo Muria acreditou que podia ser um bom presidente da federação de atletismo e que gozava duma vantagem sobre os concorrentes Shafee Sidat e José Cucheza, os quais, no ambiente académico desportivo, não passam de ceguinhos curiosos.

Pois que, sendo Professor Universitário, Muria aproveitou-se das poucas viagens possíveis para leccionar em Niassa e Nampula, e apresentou a sua candidatura aos presidentes das associações provinciais, ao mesmo tempo que apostava as promoções das telefonias para contactar a maioria dos votantes.

Igualmente, investiu no discurso de que “se for eleito Shafee Sidat e José Cucheza terão lugar no meu elenco”, esquecendo-se que os adversários também diziam que “se eu for eleito Muria terá lugar no meu elenco”.

Quando Rui Tadeu (coordenou o acto de votação) sacou o primeiro voto, com indicação da Lista A (Ângelo Muria), o académico terá sussurrado a Cucheza que já estava ganho, longe de pensar que aquele era o primeiro, último e único voto.

No final, Muria justificou que a sua candidatura tinha fins académicos e confirmou a hipótese de que a as instituições moçambicanas não estão preparadas para serem lideradas por gente formada.

“Sou Mestre em Desporto”!, reivindicou, reclamando a valorização do seu diploma. Os presidentes das associações provinciais é que não quiseram saber de diplomas.

Até porque eles próprios não os têm…

                                         

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