Desporto

Primeiro tenho de conhecer a casa

O presidente eleito, Alberto Simango jr, disse logo após o anúncio da sua eleição que “são vários passos que pretendo dar numa fase inicial, mas primeiro tenho de conhecer a casa e só depois iremos definir qual é o nosso plano de acção. Mas não podemos avançar sem primeiro conhecermos o ponto de partida, mas sempre iremos respeitar o nosso manifesto eleitoral.

 Quero acrescentar algo novo de forma a melhorar a situação do nosso futebol, no concernente à competição, na área de formação, infra-estruturas e no aumento da qualidade dos Mambas.”

Quanto a sua eleição disse ser de “todos nós, por se tratar de histórica para o futebol moçambicano.” Para ele não houve vencidos nem vencedores porque “ foi o futebol que saiu a ganhar.”

Sempre se questiona se os nossos dirigentes estão para servir o desporto ou a eles próprios. Simango confessou que “estou pronto para servir a modalidade como sempre o fiz.

Declarou que a federação está aberta ao diálogo com todos, sublinhando que todas as ideias boas para o futebol “serão bem-vindas.” Garantiu que seguirá à risca as linhas do seu manifesto, que tem como pontos salientes o investimento na formação, infra-estruturas “e na melhoria dos resultados dos Mambas.”  

A vitória não surpreendeu Simango. Estava confiante por ter apresentado na campanha um projecto positivamente apreciado. E dedicou a vitória “a todos que amam o desporto – rei. “

VONTADE POPULAR

LEVA SIMANGO À FMF

O que se previa, se concretizou. Alberto Simango jr foi o mais votado (sete votos) dos quatros concorrentes ao cargo de presidente da Federação Moçambicana de Futebol (FMF), cujo escrutínio decorreu quinta-feira, 13 de Agosto. Derrotou Teodoro Waty (três votos), Manuel Chang (um voto) e Evaristo Enoque João (nenhum voto).

Do princípio ao fim da campanha ficou patente que os clubes de quase todo o país queriam ver Alberto Simango Jr. chegar à presidência da FMF, recomendando aos respectivos presidentes das associações provinciais a não se enganarem no dia da votação.

Após a confirmação da vitória de Alberto Simango Jr, o salão da nova sede da FMF encheu-se de alegria, carregada pelos seus apoiantes, dentre eles elementos do seu elenco, e tristeza, transportada por quem apoiava ou fazia parte dos elencos dos derrotados.

 Mas, acima de tudo, dos discursos dos vencedores e derrotados ouvia-se dizer: ganhou o futebol. É que, pela transparência na eleição de novos corpos gerentes da FMF, nada manchou o futebol, pelo contrário, terá ficado mais limpo, pelo menos naquele momento de euforia para uns e de choro para outros. O futuro dirá se na verdade com a vitória de Simango, naquele dia 13, ganhou o futebol moçambicano.

DERROTADOS

CONFORMADOS

Os candidatos derrotados ou seus representantes saíram do escrutínio conformados, apesar de algumas reticências. Alfredo Machaieie, da lista de Evaristo Enoque João (ausente), por exemplo, disse não compreender como é que no dia anterior já se sabia que Alberto Simango jr. era vencedor.

Lamento o facto de no dia de ontem (quarta-feira) se tivesse já insinuado que Simango seria o vencedor. Isto mostra que estas eleições não foram secretas. Durante a campanha os clubes foram anunciando publicamente que a escolha recairia em Alberto Simango”, disse Machaieie, que se manifestou aberto a apoiar a lista de Simango, desde que para o efeito haja solicitação.

Teodoro Waty, que ao intervalo parecia vencedor antecipado, considerou transparente o processo eleitoral, apesar de ter se manifestado insatisfeito com o desenrolar da campanha.

O processo da campanha provavelmente poderia ter sido melhor. Poderia ter havido maior “fair-play”, afirmou Waty.

Porém, Waty considerou que esta eleição “é o abrir de uma nova página para o futebol, mas seria melhor se o meu programa tivesse sido sufragado.

Para Cremildo Gonçalves, representante de Manuel Chang (ausente) “objectivo era ganhar.”

No seu entender, a direcção cessante, pela experiencia, “não devia virar costas ao futebol. Os seus membros construíram algo de bom e devem continuar a trabalhar, porque também são do futebol.”

Quanto a derrota da sua lista, Cremildo Gonçalves afirmou que “não falhou nada na nossa estratégia de campanha. A verdade é que nós estamos reféns de onze presidentes das associações provinciais e tudo depende deles, portanto acharam que deveriam votar em Simango por entenderem que é a pessoa que pode conduzir o futebol para outros patamares.”

Governo fortaleceu-nos

-Feizal SIdat, na hora de adeus

Feizal Sidat, presidente cessante da FMF, no seu discurso de despedida fez questão de afirmar que o Governo moçambicano fortaleceu o futebol nacional.

Não temos medo de gritar pelos quatro cantos do mundo que o Governo moçambicano fortaleceu-nos. Agradecemos pelo apoio”, sublinhou Feizal Sidat que deixa ao dispor do futebol nacional um legado de onze milhões e oitocentos mil dólares americanos e onze milhões, quatrocentos e noventa e oito mil, setecentos e sessenta e sete meticais (11.498.767, 78 Mt).

No mesmo discurso, Feizal destacou vários feitos do seu elenco, destacando a qualificação dos Mambas para duas edições do Campeonato Africano de Futebol, designadamente para CAN 2010, em Angola, e CHAN 2014, na África do Sul, aqui onde estiveram este ano na final da taça Cosafa.

Quanto a formação disse terem sido formados 264 treinadores de níveis C, B e A. Também foram formados guarda-redes e árbitros.

No tocante às infra-estruturas mencionou a existência de seis campos com relva sintética, dos quais dois disponibilizados pela FMF sob sua liderança. E apontou com orgulho a transformação da província da Zambézia em um novo destino futebolístico, onde foi instalada relva sintética no campo do Ferroviário de Qualimane.

Que cumpra o prometido

-José Dimitri, representante do Governo

 Para Joaquim José Dimitri, representante do Ministério da Juventude e Desportos, o escrutínio de 13 de Agosto foi limpo, transparente, exemplo de que é possível no nosso desporto se fazer coisas fantásticas de aceitação total.

O que aqui acabamos de assistir prova de que no nosso desporto é possível fazer coisas boas e com transparência”, disse José Dimitri, Inspector-geral da Juventude e Desportos, ao domingo.

Mais do que dizer que ganhou quem melhor manifesto apresentou, Dimitri considerou que “vamos todos esperar que a lista vencedora cumpra com o que andou a prometer durante a campanha eleitoral. Só desse modo poderemos vir dizer com muita precisão que com esta eleição o futebol ganhou.”

Dimitri diz que gostaria que as diferenças fossem ultrapassadas “para o bem do futebol nacional, que se deseja fiável internamente e com resultados positivos na região, no continente e no mundo.”

O Inspector-geral da Juventude e Desportos sugeriu “uma direcção colegial, em que todos participem na gestão do futebol. Nós estaremos sempre disponíveis para colaborar com o novo elenco federativo nas suas diversas iniciativas. Todos devem ser actores que dediquem seu esforço por amor e respeito à dignidade, moral e ética.”

Apelou para que “as preocupações e motivações pessoais não se sobreponham ao espírito colegial. Que se repense o futebol de forma franca e aberta, apontando com frontalidade os erros e sucessos, assim como perspectivas. Que os instrumentos legislativos criados pelo Governo e FIFA sejam usados devidamente e colocados à disposição de todos. Que as diferenças existentes entre vários actores desta modalidade sejam ultrapassadas.”

No que toca ao anterior elenco, presidido por Feizal Sidat, Dimitri considerou que “cumpriu em grande os seus manifestos de dois mandatos. Deixa um património valioso, que cria certa instabilidade ao futebol. Ao deixar um saldo positivo significa que teve uma gestão criteriosa e responsável.”

Apostar na fortificação dos clubes

– Luís Manhique, presidente do Estrela Vermelha

 Luís Manhique, presidente do Estrela Vermelha de Maputo, recomenda ao novo elenco directivo da FMF a apostar mais na fortificação dos clubes para estes produzirem jogadores de qualidade que possam formar uma selecção nacional ganhadora.

Eu acho que esta eleição abre uma nova página de futebol nacional, que se deve traduzir em políticas e estratégias claras na fortificação dos clubes e sobretudo no apoio a formação, pois assim se pode ter uma selecção de qualidade”, Luís Manhique.

Manhique gostaria que a nova direcção da FMF não se distanciasse dos clubes, assim como dos jogadores e treinadores e outros agentes da modalidade.

O novo elenco federativo liderado por Alberto Simango Jr deve atacar as sensibilidades dos clubes, dos sindicatos de jogadores e da associação de treinadores. É nestes sectores onde está o segredo do futebol”, frisou.

E, certamente, Simango não se vai esquecer que a sua eleição foi desejada pelos clubes, que têm nele a solução dos seus problemas, sobretudo na área de formação.

Contratar seleccionador estrangeiro

-Policarpo Tamele, desportista

Policarpo Tamele, um desportista confesso, líder da Aro Moçambique, foi uma das pessoas que deu cara a apoiar o candidato Alberto Simango jr, a quem considerou ideal para suceder Feizal Sidat na FMF.

 “Nada de euforia. É tempo de trabalhar. O primeiro trabalho deve resultar na vitória no jogo contra Gabão, aqui em Moçambique”, disse Tamele.

Policarpo entende que não se deve continuar “a brincar com a selecção nacional. Tenho muito respeito pelos treinadores nacionais, mas para os Mambas temos que procurar alguém de valor acrescentado lá no estrangeiro. Se até o nosso Orçamento Geral do Estado vem do estrangeiro, porquê recear em ir lá onde vem o dinheiro buscar treinador a altura de uma selecção nacional que precisa de chegar ao CAN e ao Mundial.”

Tamele gostaria que Simango incorporasse no seu programa o que de bom se lê nos manifestos dos candidatos derrotados, alegadamente porque “desse modo o futebol nacional ganha mais.

Texto de Manuel Meque
malembalemba@gmail.com

 

 

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