Desporto

O karate está a morrer no país

A modalidade de karate anda mal, quem o diz é o jovem karateca Odir Manave, um dos seus melhores praticantes de actualidade, que já representou o país em muitos momentos e com resultados animadores.

“O karate tem tido altos e baixos. Neste momento a modalidade está mal. Praticamente não temos tido provas, o que compromete as nossas carreiras, pois faz com que o nosso desempenho nos eventos internacionais seja fraco”, considera Odir Manave, que ostenta o cinturão verde na especialidade de karate-Do-Joshinmon.

Espera ter dinheiro para ir a Cuba ou Nova Zelândia terminar graduação para passar a ostentar o cinturão preto.  

“A federação deve-se engajar mais pela modalidade, promovendo provas. O ano passado só tivemos uma prova. Este ano ainda não competimos. No país há má gestão do karate por parte da sua federação, que existe desde 2011” vaticina Odir Manave, ele que em 2011 ganhou medalha de ouro nos Jogos da Commonwealth, em Sidney.

O jovem gostaria de ter uma federação capaz de massificar o karate em todo o país, permitindo que no campeonato nacional participem atletas de todas as províncias.

“Os dirigentes federativos têm de ter na mente que o país não é só Maputo. Trabalhar para que no campeonato nacional não participem somente atletas de Maputo e um ou dois das cidades de Xai-Xai e Beira.”

 Mas não é só a federação aquém se deve exigir mais para melhor movimentação do karate no país. Odir Manave defende que o Governo também tem sua obrigação, no caso concreto da instituição que tutela o desporto em Moçambique, que é Ministério da Juventude e Desportos.

 “O Governo deve olhar para o karate como olha para o futebol, porque também é desporto. É preciso prestar atenção ao que se passa na modalidade, procurando saber porque não são organizadas regularmente provas e porque não se implanta nas províncias.”

Há quem olhe para o karate como sendo uma modalidade cara. Afinal, é barata!

“O karate é um desporto muito barato. O seu equipamento varia conforme a capacidade financeira de cada um. Quando comecei usava um equipamento qualquer e barato. Quando ganhei performance passei a comprar este que é um pouco caro e melhor. É uma questão de opção.”

Cá dentro do país, Odir Manave não tem tido dificuldades em se qualificar em primeiro lugar quando há provas. Lá fora, porque internamente não há rodagem, nem sempre se sai bem.

Para além da medalha de ouro ganha nos Jogos da Commonwealth, em Sidney, 2011, no mesmo ano classificou-se em terceiro lugar no Open da Zona V, no Quénia. No ano anterior trouxera do Zimbabwe a medalha de bronze nos Jogos da Zona VI. Não teve a mesma sorte no campeonato africano de 2010, na África do Sul. Também participou no Campeonato do Mundo, em 2011, tendo ficado em sétimo lugar.

Teve outras participações, como no campeonato africano de juniores, na Argélia, em 2009, ano que competiu por equipa na África do Sul, tendo ficado em terceiro lugar.

Recorda-se que nos Jogos Africanos Moçambique não subiu ao pódio porque o treinador português chegou tarde e não teve tempo suficiente para conhecer os atletas “e nós a ale.”

E é de opinião de que “no país existem muitos atletas que querem dignificar o país com o karate, mas não podem porque faltam condições necessárias. Acho que se devia olhar para o país inteiro.”

No karate a sequência de graduação é a seguinte: Cinturão, branco, amarelo, laranja, azul, roxo, verde, castanho e cinturão preto.

 

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