Desporto

No atletismo não há crise

A falta de pistas nas províncias não pode ser entendida como ausência de material para a prática de atletismo no país, defende Shafee Sidat, presidente da Federação Moçambicana de Atletismo (FMA), para quem a aposta de momento é levar a modalidade às escolas e de lá seleccionar o talento que preste brilho ao desporto nacional.

No âmbito de dois projectos da IAAF (Federação Internacional de Atletismo Amador), designadamente LEAP e KIDs ATLETHIS, as associações provinciais e núcleos de atletismo já receberam pacotes de material diverso para formação. A Escola de Moamba foi a primeira do país a beneficiar-se desse material.

Mas nem tudo vai bem no atletismo moçambicano. Shafee Sidat quer ver todas as associações provinciais a funcionarem em sedes próprias, num cumprimento da sua principal promessa eleitoral, mas nos municípios das capitais das províncias não há espaços para construção dessas infra-estruturas desportivas úteis na organização do desporto nacional.

Ter todas as associações com contas bancárias é já uma luta vencida, embora tenham restado três, que pelo desleixo dos seus respectivos presidentes, ainda não podem receber dinheiro que o presidente Shafee Sidat vem tirando do seu bolso enquanto espera que o Fundo de Promoção Desportiva (FPD) volte a ter disponibilidade para galvanizar a prática desportiva no país.

Shafee chama atenção que jamais tolerará aos “preguiçosos e brincalhões”, pois do que traçou para o desenvolvimento do atletismo nacional só conta com a colaboração de “pessoas trabalhadoras e sérias.”

E lamenta o facto de a imprensa não estar atenta às diversas realizações da FMA, que por ela própria não tem merecido muita publicidade

O presidente da FMA manifesta-se preocupado com a falta de condições básicas para os atletas que se encontram fora do país em gozo de bolsas olímpicas que os habilite a conseguir os mínimos para os jogos olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016.

Por fim, diz estar satisfeito “por já termos adquirido o cronómetro eléctrico portátil, que nos custou muito dinheiro e que muita falta fazia ao nosso atletismo, sobretudo nas provas de estrada.” Isto acontece numa altura em que no mundo inteiro já não são aceites resultados manuais.

E para garantir que os nossos atletas se mantenham em forma e não falhem os mínimos para os Jogos Olímpicos, a FMA decidiu coloca-los a participarem em todos os campeonatos nacionais dos países da região.

Os campeonatos Nacionais de Atletismo de 2015 vão ter lugar na cidade da Beira, entre Julho e Agosto.      

Municípios devem colaborar

O presidente da FMA, Shafee Sidat, diz não compreender como é possível dois anos depois de ter prometido construir em cada província uma sede de associação de atletismo não ter ainda sido indicado terrenos para o efeito, mas não desiste na ideia e pede às edilidades para a observância da importância de infra-estruturas desportivas nos seus municípios.

“No meu manifesto eleitoral prometi construir 11 sedes pré fabricadas para igual número de associações provinciais. Ninguém ainda me indicou espaço legal para essa construção. Sempre terei esse dinheiro para essas construções, mesmo que deixe de ser presidente da federação. Promessa é para ser cumprida e isso é o que sempre caracterizou a minha pessoa no desporto e na vida”, Shafee Sidat.

O presidente da FMA contou ao domingo que um certo presidente de associação lhe falou da possibilidade de construção da sede na sua machamba que dista a cerca de trinta quilómetros da capital provincial, o que não concordou.

“… Achei e acho que uma sede de associação provincial não pode ficar distante da capital da província. Esse seria um grande constrangimento para a administração da modalidade. Sugeri que se continuasse à procura de um terreno no espaço municipal da capital provincial”, explicou Shafee Sidat.

Mas Shafee Sidat sabe que, apesar de as edilidades por vezes fingirem que gostam do desporto, pouco se importam com a reserva de espaços para construção de infra-estruturas desportivas.

“Faço apelo às autoridades municipais de todo o país para que em prol do desenvolvimento do desporto nacional reservem espaços para o desporto nos seus municípios. Neste momento o atletismo está a precisar em cada província de um terreno de trinta por quarenta (30×40 metros) para construção de sede da associação provincial, dentro dos limites da capital”, Shafee Sidat, um tanto quanto preocupado.

“Esta direcção não vai descansar enquanto não ser indicado terrenos para as sedes das associações provinciais, incluindo da cidade de Maputo. Não queremos que as associações funcionem ao relento. Quando eu no final deste mandato deixar a federação continuarei disponível em financiar a construção das 11 sedes das associações provinciais. Mas gostaria que me fossem indicados os terrenos hoje mesmo para que se deixe de pensar que eu menti no meu manifesto eleitoral.” 

Presidente substitui FPD (?)

A ideia que se tem é a de que as federações das ditas modalidades prioritárias (futebol, voleibol, basquetebol e atletismo) andam banhadas de dinheiro do erário público, por serem aquelas, que no âmbito dos habituais contratos-programa assinados anualmente com o Estado, no caso concreto com o Fundo de Promoção Desportiva (FPD), recebem fundos.

Há dois anos que a verdade não é essa. O FPD secou e já não jorra dinheiro, o que coloca algumas modalidades em estado de seduzidas e abandonadas, sem ter onde ir buscar dinheiro para o seu funcionamento.

A Federação Moçambicana de Atletismo é das poucas que se vai aguentando à custa do bolso do seu presidente de direcção, Shafee Sidat, como ele próprio conta.

“Queremos lembrar que a FMA está a fazer um grande esforço para potenciar a modalidade, como demonstramos em Tete ao financiarmos as associações provinciais, mas deve haver seriedade por parte de todos. O material que hoje chega às associações, aos núcleos e escolas custou 200 mil meticais de desalfandegamento, por não nos beneficiarmos de isenção fiscal”, deixa claro Shafee Sidat.

Mas quem financia a FMA, se o Estado por enquanto não o pode fazer?

“Na semana passada (de 1 a 7 de Fevereiro), através de fundos do seu presidente de direcção, a FMA endereçou um apoio monetário a todas as associações provinciais no valor de quinze mil meticais cada (15.000,00Mts). Não receberam as associações de Gaza, Inhambane e Niassa, por até agora não terem conseguido ter contas bancárias, mesmo tendo sido apoiadas para esse efeito. Em nenhum momento vamos aceitar que dinheiro destinado a uma associação seja depositado na conta do seu presidente. Somos pela imparcialidade e seriedade”, responde o timoneiro da FMA.

Os quinze mil meticais já recebidos são referentes à primeira fase de doação. Posteriormente serão endereçados fundos da segunda fase. O ano passado houve gesto idêntico, consubstanciado em material.

“Esta federação desde Junho do ano passado que não recebe nenhum tostão do Estado. Nos dois anos (2013 e 2014) que sou presidente da FMA, os fundos do nosso orçamento foram desviados para outras modalidades. Dos 3 milhões do contrato-programa anual, nem gastamos novecentos mil meticais. Para a corrida de São Silvestre houve um tostãozinho do Fundo de Promoção Desportiva e mais nada. Muitos pensam que recebemos muito dinheiro da IAAF, quando na verdade só nos é doado doze mil dólares anualmente, o equivalente a trezentos e oitenta e quatro mil meticais (384,000,00Mts). Eu propus que esse valor fosse convertido em pistas de atletismo ou material desportivo, o que não foi aceite”, esclarece o presidente da FMA.  

Dois projectos levam  

atletismo às escolas do país

LEAP e KIDs ATLTETHIS são dois projectos da IAAF (Federação Internacional de Atletismo Amador) que a FMA tem abraçado para a implantação e desenvolvimento de atletismo nas escolas do país, através das núcleos e associações provinciais.

É no âmbito desses dois projectos que a FMA tem estado a receber material de formação que tem vindo a distribuir pelas províncias e pelas escolas.

“A essência dos projectos é trabalhar com as crianças em fase escolar e buscar nelas o seu jeito pelo atletismo. Primeiro a receber o material para o feito foi o Núcleo de Atletismo de Moatize, aquando dos “Nacionais” de 2014. Todas as associações provinciais já receberam respectivos pacotes de material inicial. Até este momento a Escola de Moamba é única que já recebeu esse material. Curiosamente, no pacote de material destinado àquela Escola de Moamba continha três bolas de futebol, que nós não as quisemos deitar fora sabendo que num estabelecimento escolar como aquele qualquer tipo de material desportivo faz falta”, explica Shafee Sidat.  

Os projectos referenciados estão ainda na primeira fase (8-14 anos de idade) da sua execução. A segunda fase, a que Moçambique será signatária, chama-se Young Atlethis, que cobre o espaço etário de 14-18 anos de idade.

Recentemente houve formação de atletismo, envolvendo crianças e jovens dos bairros que circundam o Estádio Nacional do Zimpeto, com orientação de técnicos britânicos.

A formação não é somente prioridade da FMA. Numa reunião realizada de 2 a 4 de Março, em Addis Abeba, Etiópia, esteve no topo da agenda a formação do atleta, para além das eleições que reconduziram para mais um mandato a direcção cessante da Confederação Africana de Atletismo (CAA).

Manuel Meque

 

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