Desporto

Goleador do “Moçambola” não merece prémio

Feizal Sidat, presidente de direcção da Federação Moçambicana de Futebol (FMF), defende que o melhor marcador do “Moçambola” 2012, no caso Sonito, da Liga Desportiva 

Muçulmana, não devia ser atribuído qualquer prémio.

 

Feizal Sidat foi convidado para apresentar a experiência da FMF no desenvolvimento de programas de formação de jogadores de futebol, numa altura que vários agentes apontam o trabalho realizado na iniciação como principal handicap do futebol moçambicano.

Antes de apontar as soluções para ultrapassar o problema, o dirigente federativo observou que os clubes moçambicanos não estão organizados devidamente para o país obter ganhos internacionalmente.

No entender de Sidat, “precisamos de ter gestores desportivos para lidar com o quotidiano dos clubes e as próprias infra-estruturas”.

Porque, segundo sustentou, uma Academia de futebol não termina na reunião de jovens e uma bola para jogar, deve contemplar áreas de formação educacional e cultural.

– O nosso grande problema é a falta de formação de base. Em grandes clubes aqui em Moçambique, encontramos 30 atletas a treinar com apenas duas bolas e 12 pares de botas. É este futebol que queremos? Esta vergonha reflecte-se na selecção nacional.

O presidente da FMF desafia a todos desportistas para indicarem pelo menos um jogador em condições de integrar uma das equipas da primeira liga portuguesa, repto que, sublinha, não fazia sentido ser colocado há 15 anos.

– Para mim neste momento não existe em Moçambique um único atleta em condições de jogar na primeira liga portuguesa. Nosso jogador não tem qualidade, não sabe dominar e cruzar a bola. Digam-me como é possível atribuirmos um prémio de melhor marcador do “Moçambola” a um atleta que em 30 jogos marca nove golos? Para mim esse jogador não merece qualquer prémio. Não devia ser premiado um melhor marcador com nove golos num campeonato com quase 30 jornadas.

 

CONTINUAMOS A JOGAR EM PELADOS

 

Lançando um olhar profundo para o futebol que dirige, Sidat entende ainda que um dos males da modalidade continua a ser a falta de infra-estruturas apropriadas.

– Infelizmente continuamos a jogar em pelados. Os jogos do “Moçambola” continuam a ser jogados em campos pelados, mesmo depois de emitirmos a obrigatoriedade de realização das partidas do principal campeonato apenas em recintos relvados.

Para não deixar suspeições à volta do assunto, Sidat observa que os campos do Ferroviário da Beira, Desportivo de Tete e Ferroviário de Nampula são pelados, e, por isso, questiona:

– Quem deve construir infra-estruturas? É a federação? Ou são os clubes, empresas e o próprio Governo? Como é que o Matchedje e o Desportivo de Nacala vão ao “Moçambola” se não tem campos relvados? Não é vocação da federação construir campos. Condenamos clubes sem campos e a fazer formação com meninos descalços.

 Sobre a Academia da Namaacha, Feizal Sidat afirma que funciona “na medida do possível”, formando anualmente vários agentes do futebol, desde jogadores, técnicos, árbitros e gestores.

– Semana passada formamos 70 técnicos de futebol. Agora vai iniciar um scouting de atletas saídos da Copa Coca-cola, um trabalho confiado ao técnico Augusto Matine, sublinhou.

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