Desporto

Foi se para sempre… um grande desportista!

• Membro fundador do Comité Olímpico Nacional e primeiro presidente da Federação Moçambicana de Basquetebol

Morreu dia 7 de Abril, na sua residência, em Maputo, Issufo Camal, vítima de doença. Seus restos mortais foram no mesmo dia a enterrar no cemitério de Lhanguene. Em vida foi um grande desportista, que emprestou o seu saber e humildade ao país que o viu a nascer a 10 de Fevereiro de 1924, na província de Inhambane, e à África de que foi comissário de futebol, por sinal o primeiro (juntamente com Naimo Valgy) moçambicano confiado pela Confederação Africana de Futebol para essa nobre função que em tempos não era atribuída a qualquer um. 

 

Porque sempre mereceu nossa admiração, quer como homem de futebol, quer como pessoa, vamos aqui procurar descrever quem foi esse desportista de nome completo Issufo Hagy Mussagy, filho de Hagy Mussagy Camal, que viera de Diu (Índia Portuguesa) e de Mariamo Mussá, natural de Inharrime, Inhambane.

Fez instrução primária na Escola Carvalho de Araújo em Inhambane, seguiu depois para Lourenço Marques (Maputo), onde fez o 1º ciclo liceal no Liceu António Enes, actual Escola Josina Machel.

Voltou para Inhambane onde frequentou o curso comercial (5º ano) na Escola Comercial. Foi inscrever-se no curso de guarda-livros no Instituto de Contabilidade da Calçada da Graça, em Lisboa. Tirou carta de instrutor de automóveis ligeiros, pesados e motociclos, assim como de condução, incluindo a profissional.

Depois entrou para os Caminhos de Ferro de Moçambique (C.F.M:), em Inhambane, como simples trabalhador, onde ficou até 1971, tendo sido transferido para Lourenço Marques, aqui veio exercer as funções de pagador até 1978. Passou a ser tesoureiro e chefe de departamento da 4ª Repartição (Tesouraria dos C.F.M – Sul), função que desempenhou com zelo até atingir o limite de idade no funcionalismo.

 

O HOMEM DO DESPORTO 

 

Issufo Camal iniciou sua carreira desportiva como jogador de futebol em 1942. Em 1947 entra no dirigismo desportivo. Em 1952 abraçou a arbitragem de futebol. Em 1963 voltou a assumir as funções de dirigente desportivo ao serviço do Clube Ferroviário de Inhambane. Em 1971 assumiu o cargo de vice-presidente na Associação de Futebol de Lourenço Marques.

Em 1978 sai do futebol para as funções de presidente da Federação Moçambicana de Basquetebol (o primeiro), indicado pela então ministra da Educação e Cultura, Graça Machel.

No ano seguinte, 1979, regressa ao futebol para ocupar a pasta de vice-presidente da FMF até 1989. De 1990 a 1993 é presidente do Conselho Fiscal da FMF. Em 1994 é membro do Comité Olímpico Nacional, instituição que de que foi um dos membros fundadores (ver o Boletim da Republica de 13 de Julho de 1978).

Já agora, para além de Issufo Camal, fundaram o CON os seguintes elementos: Fernando dos Reis Ganhão, João Carlos da Conceição, Luís Maria Alcântara Santos, José Craverinha, Fernando Antoniotti, Óscar Carvalho, Marcelino Macome, Manuel Mendes de Araújo e Eugénio Matusse, todos indicados pela Ministra Graça Machel.

Ao serviço do desporto, Issufo Camal visitou Suiça, Inglaterra, Alemanha, Portugal, Itália, Hungria (Europa) e Correia do Sul (Ásia). Angola, Quénia, Egipto, Zaire, Zimbabwe, Lesotho, Botswana, Madagáscar, Africa do Sul, Tanzânia, Suazilândia, Zâmbia e Uganda são os países Africanos por si visitados.

Issufo Camal deixou anotados os seus momentos de satisfação e de tristeza no desporto. Da satisfação destacou o facto de ter sido campeão distrital de Inhambane em 1943, ao serviço do Clube Atlético Mahometano; sua designação para árbitro de jogo Inhambane – Gaza, em 1959, findo o qual recebeu felicitações dos participantes do evento; convidado pelo Governo a participar na Comissão que formulou o documento que culminou com a fundação e formação do Comité Olímpico de Moçambique (COM), em 1978; vitória de Moçambique sobre Camarões, por 3-0; quando pela primeira vez foi içada a bandeira da FIFA em Moçambique; quando em Seul (Coreia do Sul), em 1988, recebeu o diploma de participação nos Jogos Olímpicos e quando em 1989 recebeu a comunicação do Egipto a nomeá-lo Comissário da CAF.

Lhe constituiu tristeza a derrota de Moçambique diante de Camarões por 4-0; as derrotas de Moçambique na sua primeira participação no CAN, no Cairo, em 1986 e o facto de alguém não ter gostado de o ver a entregar a Taça de campeão nacional ao Maxaquene, se na ausência do presidente da FMF devia ser o senhor J.J. a fazê-lo.

Não era um homem das frustrações porque entendia que Issufo Camal “ ignora tudo porque nunca invejou a ninguém”. O seu anseio foi sempre de trabalhar com o COM e FMF para prestigiar o país.  

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