Desporto

Creve Machava busca tempo olímpico em Dakar

O barreirista Creve Machava seguiu sexta-feira última para Dakar, capital do Senegal, onde vai cumprir um programa de treinamento tendo em vista obter o tempo mínimo para os Jogos Olímpicos do próximo ano na cidade de Rio de Janeiro, Brasil.

O atleta do Ferroviário de Maputo seguiu finalmente para o estrangeiro no quadro duma bolsa disponibilizada pelo Comité Olímpico de Moçambique (COM).

O COM selecionou aquele atleta considerando os tempos obtidos nas provas internas e internacionais. De resto, na sua especialidade, 400 metros barreiras, Creve Machava está a apenas dois segundos do tempo de qualificação aos Jogos do Rio de Janeiro.

Azarias Samuel, treinador do atleta no Ferroviário de Maputo, augura um bom desempenho de Creve em Dakar.

Com as condições disponíveis no Centro de Alto Rendimento de Dakar, Creve pode conseguir os mínimos para os Jogos Olímpicos, fixados em 49 segundos. Ele agora está a fazer 51 segundos– explicou.

No entender do técnico, antes de pensar nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, os moçambicanos deviam olhar para Creve Machava como uma esperança para atacar a medalha de ouro nos Jogos Africanos deste ano.

– Devemos aprender a ir por etapas. Por mim, o Creve devia concentrar-se primeiro em ganhar os Jogos Africanos deste ano e posteriormente o apuramento aos Jogos Olímpicos de 2016. Ele tem potencial para ganhar a medalha de ouro nos Jogos Africanos.

Azarias Samuel qualifica Creve Machava como um atleta que reúne todas as condições para vingar no estrangeiro, desde que lhe proporcionem todos meios para um treinamento consistente.

– O Creve é trabalhador, humilde e batalhador por excelência. Acredito que vai conseguir. O Centro de Alto Rendimento onde vai é bom e só espero que encontre um treinador especialista em barreiras, anotou.

O treinador lamentou o facto de a bolsa não incluir a formação académica, o que periga o futuro do atleta.

– O Comité Olímpico fez um esforço de garantir a formação académica mas não conseguiu. É uma pena porque Creve concluiu a 11ª classe e não devia parar por aqui. Esta bolsa não é completa e não protege o futuro do atleta.

CARREIRA PROMISSORA

Creve Machava iniciou sua carreira num modesto clube que depois faliu, denominado Maputo Atlético Clube, por onde passou também o melhor atleta moçambicano da actualidade, Kurt Couto.

Quando aquele clube faliu, o treinador Quenhane criou o núcleo do Maxaquene que durou dois anos. O “mister” fez parceria com o Ferroviário de Maputo, clube que passei a representar desde 2010 até hoje. Era juvenil mas já fazia provas de juniores. No Ferroviário primeiro fui treinado pelo “mister” que me trouxera do bairro. Quando ascendi ao escalão de juniores passei a ser treinado por Azarias Samuel, conta o atleta.

Sua internacionalização começou no Botswana, onde representou o país no Campeonato Regional de Juvenis, tendo ficado em oitavo lugar no salto em cumprimento e em 4º lugar nos 110 metros barreiras.

Em 2010 participou nos Jogos da CPLP realizados em Maputo, obtendo nos 100 metros planos a quinta posição com o tempo de 12.02 segundos. Em 2011, na Namíbia, participa no Campeonato Regional de Juvenis, ficando em 5º lugar nos 110 metros barreiras.

Ainda na senda dos campeonatos regionais, Creve em 2012 foi ao Zimbabwe ficar em 6º lugar nos 100 metros planos, com o tempo de 11.11 segundos, na final. Ainda no Zimbabwe, classificou-se em 5º lugar na prova de 200 metros planos, com o tempo de 22.23 segundos.

Num salto para a Europa, Creve participa nos Jogos da CPLP em Portugal. Fica em 3º lugar nos 100 metros planos, com o tempo de 11.38 segundos. Nos 200 metros planos quedou-se em 5º lugar, 22.29 segundos. E fez 6.44 metros na prova de salto em cumprimento, que lhe valeu o 2º lugar.

No mesmo ano, na Zâmbia, nos Jogos do SCASA, correu os 110 metros barreiras em 15.09 segundos; nos 200 metros planos ficou em quinto lugar e no salto em cumprimento fez a marca de 6.36 metros, sétima posição.

Em 2013, deslocou-se a Nigéria para os campeonatos africanos de juvenis. Com o tempo de 14.31 segundos nos 110 metros barreiras consegue qualificação para o Campeonato do Mundo de Juvenis, na Ucrânia, onde não pode ir por causa de problemas de visto.

Ainda em 2013, no Botswana, no campeonato regional sénior, nos 400 metros barreiras classificou-se em 3º lugar com o tempo de 53.50 segundos. Nos 100 metros planos quedou-se em 5º lugar com 11.04 segundos.

Segue para o Campeonato Regional de Juniores, nas Maurícias. Nos 110 metros barreiras obtém o tempo de 15.50 segundos, 6º lugar, sem ter chegado à final. No mesmo campeonato conseguiu o 6º lugar na final dos 400 metros barreiras, com o tempo de 54.38 segundos.

Em 2014, nos Jogos da Lusofonia, realizados no Estado de Goa, na Índia, Creve deu recado do seu futuro. Na prova dos 400 metros barreiras conseguiu o segundo lugar, com o tempo de 54.44 segundos.

Quem ficou em primeiro? Kurt Couto. Esteve na África do Sul, no “Regional” de juniores, donde trouxe a medalha de bronze dos 400 metros barreiras, com o tempo de 52.50 segundos, o suficiente para se qualificar para o Campeonato do Mundo, em júnior, realizado nos Estados Unidos de América, onde fez, na semi-final dos 400 metros barreiras, o tempo de 51.97 segundos, o seu melhor tempo de sempre.

Creve Machava inspira-se em Titos Nhancila, mas reconhece que Kurt Couto “é melhor atleta moçambicano, o melhor dos quatrocentos (400) metros barreiras, a prova que mais adoro”.  

A nível mundial admira o jamaicano Usain Bolt, nos 100 e 200 metros planos, e o americano Aires Mart, 110 metros barreiras.

Antes acreditava mais nos 200 metros planos, mas agora me foco mais nos 400 metros barreiras”, confessa.

Custódio Mugabe

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