Desporto

Bolas boas!

Tinha decidido que nas minhas férias disciplinares de 2014 não levaria para Morrumbala bolas que arrebentam no enchimento ou que se furam no primeiro jogo. Foi o que cumpri. Levei para os grupos de crianças dos de alguns bairros da vila sede do meu distrito, dentre eles  25 de Setembro e Agostinho Neto,  e para os desportistas dos povoados de Thunduzi e Pinda somente boas bolas.

Tinha recebido do Fundo de Promoção Desportiva (FPD) dez bolas boas e novinhas, que as fui levantar numa das lojas de venda de artigos desportivos da capital do país, na sequência dum pedido pessoal que havia dirigido ao director geral daquela instituição tutelada pelo Ministério da Juventude e Desporto, Inácio Bernardo, aquém os beneficiários lhe endereçaram um Muito Obrigado. Muito obrigado também ao presidente Clube Desportivo Estrela Vermelha de Maputo, Luís Manhique, pela oferta de seis outras boas bolas.

Chegado a Morrumbala, antes de sentar, um grupo de crianças, com que me familiarizei através do desporto, me questionaram assim: Boss, trouxe bolas? Quis dizer “não me chateiem”, já que estava muito cansado depois da viagem Nzero – Vila de Morrumbala, em uma estrada que vem precisando de reabilitação, a mesma para qual a população pediu ao Presidente Armando Guebuza alcatrão. Ao invés do disso, eu respondi: Sim.

Mais tarde, as mesmas crianças vieram ter comigo para as dar bola. Antes, as mostrei as dez bolas, em respectivos plásticos. Pegaram nas bolas e em coro gritaram: Boas Bolas. Era o que queria ouvir delas. Aborrecia-me ouvir dizer “chefe, aquela bola furou ontem mesmo.”

Mas eu sabia que não havia no mundo bola que cedo ou tarde não terminasse furada ou arrebentada. Aquelas que eu levava de Maputo,  em Dezembro de 2014,  não seriam excepção, mesmo que por mim e pelos beneficiários tivessem sido classificadas de “Boas Bolas.”

“Boss, a bola já furou”, me vieram dizer. Fiquei espantado. Não acreditei que aquela boa bola ficasse furada no primeiro dia que foi jogada. Depois vim a saber que a mesma tinha sido utilizada num campo de quintal cercado de espinhosa (uma espécie de flor vulgarmente tido de não me toque). Quando chutado o esférico inevitavelmente ia ao encontro de não me toque, cujos picos são temidos pela facilidade que têm de furar tudo que é possível furar.

Então, dei ordem de que em nenhuma ocasião as bolas de Maputo deviam ser jogadas em campos cercados de não me toque. É que, a rapaziada, habituada a jogar futebol com bolas de farrapo não dava conta que o não me toque furaria com rapidez uma bola convencional, fosse ela pirata ou original. A lição ficou dada. Mais ninguém fez ou faz tocar bola ao não me toque.

E espero que os Antigos Combatentes da Luta de Libertação Nacional, residentes na zona de Mureremba, a que os ofereci uma bola, não joguem em campo cercado de não me toque e que, realmente, abracem a prática de futebol para melhor preservar as suas vidas, essas que deram liberdade a este indivisível país de Mondlane, Samora e outros heróis.

Manuel Meque

 

 

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