Desporto

Basquetebol é minha vida

Deolinda Ngulela é uma mulher vencedora. Desde cedo, ainda menina, sonhava com o pódio, a ponto de nunca se ter preocupado com os seus 1,70 de altura, porque, sublinha, o basquetebol é mais do que complexão física.

Define-se como pessoa simples. Mas será simples uma atleta tricampeã africana por três clubes diferentes? Ela acredita que sim, numa altura que se prepara para representar Moçambique na inédita participação num Campeonato do Mundo.

Quem é Deolinda Ngulela?

É uma mulher simples, jogadora de basquetebol e actualmente capitã da selecção nacional

Como começou esta trajectória?

Comecei aqui em Maputo num campo de férias, por influência de vizinhos, depois fui jogar no BPD, que foi a minha maior iniciação, Depois passei pela Académica, onde permaneci por muito tempo. Transferi-me para o Desportivo, dai fui jogar nos Estados Unidos e agora represento a Liga Muçulmana.

Qual é a sua relação com o basquetebol?

Gosto muito de basquetebol, é a única coisa que estou a fazer agora, infelizmente não por vontade própria, mas gosto de basquetebol, é a minha vida praticamente. Será difícil chegar ao fim da carreira.

Escolheu o basquetebol, a sua baixa altura não lhe inibiu?

Por acaso não, no início não tinha muito interesse pelo basquetebol, ia porque os meus zinhos iam, era a coisa que se fazia na altura, sou a única que joga basquetebol até hoje. Já vimos pessoas com minha altura e até menor que fazem boas coisas no basquetebol, porque o básquete não e só altura, tem correr, pensar, distribuir bolas que é a parte que faço, e muito mais. Há espaço para todos.

Foi campeã pela Académica, Desportivo e Liga Muçulmana.Como é ser campeã africana por três clubes diferentes?

Nunca parei para pensar nisso, mas é um grande fenómeno que se conquista com muito trabalho, Primeiro foi com a Académica, numa batalha construída e bem construída, depois no Desportivo com Nazir Salé, que é muito bom, e por último com a Liga Muçulmana num trabalho de continuidade iniciado no Desportivo.

É uma atleta ganhadora. Esperava essa performance quando se iniciou?

Qualquer jogador quer ter esses passos, quer este tipo de carreira e conquistar títulos.

Por várias vezes mudou de clubes, facilmente se adapta a mudanças?

Penso que o importante é saber ajustar, claro que cada clube é diferente doutro, há que saber aceitar as mudanças e a partir do momento que decidir trocar dum clube tem de saber que terá pessoas a falar, a comentar, tem de ver isso como obstáculo a ultrapassar. Comigo foi sempre fácil porque encontrei pessoas amigas, a parte sentimental mexe bastante, mas temos que ser fortes e ir avante.

Essas mudanças influenciam na sua personalidade, não é?

Penso que sim, porque na mudança estás a lidar com pessoas diferentes e diferentes estruturas, os dirigentes dos clubes não são os mesmos, outros são mais amigáveis que outros. É muito importante entender as pessoas mais do que ser entendida.

O CAMPEONATO DO MUNDO

O “Mundial” aproxima-se. Há quem defenda que Moçambique já ganhou pela qualificação. Concorda?

Concordo, é um passo grande para Moçambique não só em termos desportivos, mas também económicos e culturais. Vai ser bom, o país vai ser conhecido de diferentes maneiras, é uma vitória para todos nós.

O que podemos esperar dessa primeira participação?

Quero realçar que estamos num grupo difícil, com equipas bastante experientes, que já estiveram em boas posições nos Jogos Olímpicos e que já disputaram o Campeonato do Mundo. Mas não vamos passear, vamos lá para competir, não será fácil, mas vamos dar o nosso melhor, queremos vincar o nome de Moçambique, queremos que as adversárias fixem que jogaram com Moçambique e se interessem em saber que país é esse que vem nos provocar “dores de cabeça”.

Tem sentido apoio dos moçambicanos neste caminho ao Mundial?

Muito. Muito mesmo, desde que o Campeonato Africano terminou continuamos a receber muitos cumprimentos, as pessoas estão dispostas a apoiar, acarinham as jogadoras, sempre dão força para o “Mundial”. Não podemos reclamar.

Há quem julgue que depois desta geração o futuro será sombrio. Qual é sua opinião?

Penso que acontece em todo lado, será uma transição, obviamente que pode ser fácil ou difícil, isso tem a ver com a forma como os clubes estão a trabalhar agora, porque antes de nós também existiu uma selecção muito forte, passamos por uma fase má, vai depender do investimento que se faz no desporto.

O que é ser capitã da selecção nacional hoje?

É muita responsabilidade, sou colega, sou jogadora, são responsabilidades diferentes em que tenho de interagir em todos momentos, penso que minhas colegas e treinadores fazem as coisas bem e facilitam as funções da capitã, somos mais amigas do que outra coisa.

Vem aí o 7 de Abril. Que mensagem tem para a mulher moçambicana?

Parabenizar toda a mulher moçambicana pelo 7 de Abril, dizer que vamos continuar na nossa batalha de nos impormos neste mundo ou neste país e que continuem a lutar pelo nosso país e por aquilo que nós somos.

Sonho de treinadora

Aos 33 anos por completar ainda neste mês de Abril, Deolinda Ngulela começa a cogitar o difícil ponto final a carreira. Confessa que não será para tão já, mas é uma realidade que sabe que um dia vai chegar.

E quando esse dia chegar, pretende continuar a passar pelo balneário, mas já como treinadora, porque sente que é seu dever retribuir o que o basquetebol lhe ofereceu ao longo da sua vitoriosa carreira.

– Já penso no final da carreira e um dos maiores sonhos é continuar a fazer parte do basquetebol directamente, se calhar ser treinadora, e dar meu contributo à modalidade. O basquetebol fez muito por mim e devo retornar.

Nome: Deolinda Ngulela

Nacionalidade: Moçambique

Data de nascimento:  18-04-81

Clube: Liga Muçulmana

Local de nascimento: Maputo

Posição: Base

Altura:170 cm

 

Custódio Mugabe

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