Início » Tio Salim não devia ser generoso. Devia denunciar!

Tio Salim não devia ser generoso. Devia denunciar!

Por Jornal domingo

Assim mesmo, quando anda toda a gente ouriçada, expectante com o tratamento que os deputados vão dar à nova Lei da Comunicação Social, aparece-nos indivíduo de má catadura, intrujão disfarçado de jornalista, a manchar a classe com comportamento abjecto, repugnante mesmo, a escudar-se no exercício de uma profissão nobre para satisfazer os seus instintos pervertidos, de espécie caprídea que come onde está amarrada, faminta!

Bula-Bula ficou envergonhado com a estória, que ocorre numa província onde não faltam exemplos de honestidade e de lisura, a encimar a lista, assim que nos lembremos neste lapso, o nosso falecido colega Pedro Nacuo, nado no acolhedor distrito de Ribáuè, bem no interior intrínseco da província de Nampula, local aprazível conhecido pelas suas hortícolas. Mas também, ao tempo de hoje, poderíamos falar do amigo Castro Jorge, da Rádio Moçambique, que perseguiu a contento as peugadas de Saíde Omar, da mesma matriz macua.

É provável que tudo isto não soubesse o impostor disfarçado de jornalista de uma televisão local – irra, este deve ser o país com mais televisões no mundo! – que mandou mensagens obscenas ao Governador de Nampula a cravar umas cédulas pretensamente porque estava há meses sem receber ordenado; depois, para tornar tudo mais persuasivo, urdiu a história de que tinha factos comprometedores em sua posse que podiam manchar a reputação de Eduardo Abdula.

Pelo pouco que Bula-Bula conhece de Tio Salim, como é carinhosamente tratado por aqueles que lhe são periféricos, nem precisava o jornalista-impostor ou impostor-jornalista de armar vil embuste para sacar uns cobres ao governante, pois a sua generosidade e disponibilidade é basto conhecida e bem citada, por conseguinte não precisando de ser espevitada com embrulhadas chantagistas.

O governante, Tio Salim, gravou entrevista numa outra televisão, esta sem vigaristas, onde conta as peripécias marmotas do pretenso jornalista, mas esconde-lhe generosamente a identidade para que não se saiba o nome e o sobrenome do chantagista, o tal caprino faminto, que não recebe salário e vive de golpadas, com toda a certeza, esta, mais uma no longo repertório de malandragem.

Bula-Bula confessa que ficou desiludido com Tio Salim. Queria que o mesmo denunciasse o impostor, que dissesse o nome, morada e filiação do malandro, porque acha que casos como este retiram dignidade aos jornalistas, fá-los sentirem-se mendigos, indigentes sem amor-próprio; e depois gera-se um “coitadismo” que conduz, inevitavelmente, o jornalismo à falta de credibilidade, de confiança no objecto da comunicação e nos comunicadores.

O que aconteceu em Nampula deve acontecer em muitas outras geografias, mas em todas elas é preciso que se saiba que se está perante um crime de extorsão e chantagem, que no actual Código Penal, no seu Artigo 298, prevê uma moldura de até um ano cadeia, sequer o tempo de o chantagista terminar um curso de jornalismo por correspondência. Nem mais, que venha a nova Lei de Comunicação Social, a Carteira do Jornalistas e, se preciso for, até a criação da Polícia do Jornalismo!

Você pode também gostar de:

Propriedade da Sociedade do Notícias, SA

Direcção, Redacção e Oficinas Rua Joe Slovo, 55 • C. Postal 327

Capa da semana