Há uma televisão que reúne profetas de todas as babilónias, até aqueles que mais se parecem com pugilistas do que propriamente com sacerdotes. Bula- -Bula não gosta muito da referida, mas confessa que vez e outra espreita a dita para não perder as grandiosas pândegas mediáticas que ali ocorrem.
A última vez que deu uma espreitadela no canal foi deprimente. Um painel religioso onde os intervenientes se insultavam e se profanavam ruidosamente. Havia um moderador, que parecia ser da casa, que ainda acicatava os ânimos, quando num ou noutro dos contendores se esgotava o vocabulário dos aviltamentos.
Bula-Bula desconfia que é assim que o canal ganha notoriedade, porque até se considera a televisão mais vista em Moçambique. Deve ser por aqueles e outros espectáculos desta jaez, de profetas da desgraça reunidos em painel a discutir profecias, cada uma mais pedrada que o devaneio da outra, que o título de “mais, mais” se assenta. Alguém deve pôr cobro a estas atrocidades, os pastores estão para evangelizar, pregar e ensinar.
As televisões estão para informar, formar e entreter. Foi deste naipe que ouvimos a grave predição de um deles, aludindo a um assunto sensível de Segurança de Estado, da integridade física do Chefe do Estado. Já nem sequer seria apenas o SERNIC, mas também o SISE a convidar o aludido a explicar as suas alucinações.
Bula-Bula acha que não devemos levar para os nossos devaneios questões relacionadas com a integridade física do Chefe do Estado, e que o profeta deve ser chamado à razão, incluindo aquele que disse que podia fazer parar a chuva, mas foi o primeiro a pisgar-se, a subir a encosta para se pôr ao fresco.
Assim, pregar por pregar, estão a profanar a cabeça das pessoas. Também é culpado o órgão que veicula essas sandices, insanidades que as leis que regulam os meios de comunicação não podem deixar impunes, os filtros devem funcionar, porque infelizmente há muitos que ainda confundem liberdade com libertinagem, com depravação. Ainda bem que as leis de comunicação social e liberdade religiosa estão para ser revistas. É preciso acabar com esta balbúrdia que nos chega em directo daquela televisão que diz ser a mais vista de Moçambique. Senão vai ser mesmo o apocalipse…

