Bula Bula

Pistoleiros do asfalto

Há um universo de “herois” que povoaram a nossa meninice. Trinitá, o cow-boy insolente, é um dos nomes de destaque. Mas também John Wayne ou Bud Spencer. Arizona Colt ou Red Dust. São muitos. Agora, em pleno ano de 2017, parece que se metamorfosearam e renasceram em Moçambique. O Far-West transferiu-se, de armas e bagagens para Maputo.

Há dias, um grupo de cow-boys petulante à semelhança do que faziam os assaltantes de diligências no Oeste americano, com recurso a armas de fogo, assaltou uma carrinha-celular e libertou dois compinchas. A cena, digna de um filme, paralisou momentaneamente o burburinho típico da baixa da cidade. A história conta-se em meia dúzia de balas…digo palavras. A polícia estava a transportar dois malandros – por sinal condenados a pelo menos 16 anos de cadeia – acusados de envolvimento na onda de sequestros que, de há uns anos a esta parte, passaram a fazer parte do cardápio criminal no nosso país.

Bula-bulaque gosta de um bom filme – ainda ontem estava a ver o famoso “Assalto ao Carro Blindado”, um filme de Nimrod Antal com Matt Dillon, Columbus Short, Jean Reno, Laurence Fishburne – acredita que se a polícia fosse mais vezes ao cinema ou assistisse ao seriado Mentes Criminosas, teria evitado aquela fuga. É que, pela forma como as coisas aconteceram, está mais que visto que, enquanto os nossos agentes assistem a telenovelas, os bandidos assistem coisas que têm a ver com a sua área de serviços.

É que não faz muito sentido que um carro transportando perigosos cadastrados – parafraseando a própria polícia – seja vulnerável ao ponto de ser paralisado, esburacado à bala e, mais interessante ainda, libertados os criminosos. Tudo feito à luz do dia. Em plena cidade de Maputo. Parece brincadeira mas isso pode abrir um precedente perigoso… como aconteceu com a cena do óleo quente!

A Lei de Murphy explica muito bem isso; resumidamente ela diz que se há possibilidade de alguma coisa correr mal, ela irá mesmo correr mal. Por isso este assalto à diligência, com todo o espectáculo que nos ofereceu, deve servir de chamada de atenção para as autoridades. Se sabiam que levavam na mala bandidos perigosos, relacionados com a morte de um magistrado, entre outros crimes, incluindo violações, deviam ter tomado as devidas precauções. Bula-Bula acredita que, por estas alturas, o tal de Coutinho e os bradas, devem estar a regar-se de Mojitos e outros líquidos algures enquanto a polícia “faz todas as diligências visando a sua recaptura”…

Aristóteles dizia que o medo é o médico que aparece quando vemos o mal a chegar. Estamos todos a ver o mal chegar. Aliás, o mal nem chega; as pessoas perigosas não invadem as nossas casas, elas moram nelas. O que é preciso é levar-se a sério os sinais que se desenham no horizonte. E os sinais começaram a ser dados há muito tempo quando um dos jovens implicados nos raptos e aparentemente membro da Gang de Coutinho, o Abdul Afonso, fugiu da Cadeia Central em circunstâncias até aqui não esclarecidas.

Pelo que se vê, trata-se de gente perigosa e as pessoas feridas ou em fuga são mais perigosas, pois sabem que podem sobreviver. TPC para a polícia. No Oeste, a seguir a um assalto, iniciava-se uma perseguição sem tréguas aos bandidos. A cavalo e aos tiros. Não é isso que se deseja mas pelos vistos os criminosos têm balas para dar e vender… só para libertar os “bradas” gastaram uma vintena… se bem que isso abre espaço para outro tipo de perguntas, sendo uma delas a seguinte: onde é que eles adquirem o armamento?

Há muitas perguntas para nenhuma resposta. Bula bula acha que o Ministério do Interior devia introduzir uma cadeira obrigatória para os polícias: a de assistirem a seriados como CSI, Mentes Criminosas, entre outros. É que para uma sociedade em constantes mudanças, métodos antiquíssimos não servem para nada. Os bandidos estão a usar técnicas modernas. Os outros, estão a usar métodos da Idade da Pedra…

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